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Elon Musk transformou a vida dos funcionários do Twitter em um autêntico pesadelo

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Era de se imaginar que as coisas seriam um tanto quanto turbulentas depois que Elon Musk concluísse a compra do Twitter. Mas poucos imaginavam que seria esse tornado que passa arrasando com tudo. E a parte mais fraca dessa corda arrebentou muito rápido.

Os executivos do Twitter foram praticamente expulsos da empresa, e isso não é nada perto do que os programadores e desenvolvedores da rede social estão passando neste momento. O sistema é de semiescravidão, onde Elon está pedindo tudo a toque de caixa, em um cenário que passou do caótico em tempo recorde.

Vamos tentar entender qual é a dimensão que tudo isso tomou nos últimos dias.

 

“Fazer coisas difíceis requer sacrifícios”

Alguns jornalistas norte-americanos que cobrem a área de tecnologia estão compartilhando os relatos de alguns funcionários e desenvolvedores que ainda estão trabalhando no Twitter para relatar como foram os primeiros dias da era Elon Musk na rede social. E as informações que chegam de lá são simplesmente impressionantes e, em alguns casos, dramáticas.

Musk pediu que o time de desenvolvedores realizasse mudanças no sistema de verificação do Twitter “do dia para a noite”, literalmente. Porque ele anunciou as mudanças sobre essa política “do nada” em sua conta na rede social. Aliás, mudou o preço da mensalidade para as certificações de contas durante uma conversa com o escritor Stephen King, e sem conversar com os responsáveis por isso nos aspectos técnicos.

Lembrando mais uma vez para quem está meio perdido nisso tudo: neste exato momento, Elon Musk manda sozinho no Twitter, pois se autonomeou CEO da empresa depois que demitiu toda a junta diretiva.

O resultado de tudo isso é que a equipe que atua no departamento de produtos do Twitter está trabalhando em uma extrema pressão. A prova disso é que Ether Crawford, diretora do Product Management da rede social, que justificou a decisão de dormir nos escritórios da companhia.

Eu sei que algumas pessoas vão dizer que, em algumas situações extremas, dormir no trabalho é algo relativamente normal, e todos nós já fizemos isso um dia. E é justamente isso o que ela compartilha com os demais internautas quando afirma que “fazer coisas difíceis exige sacrifícios (tempo, energia, etc)”, já que a sua responsabilidade nessa tarefa é enorme.

O problema é que esse sacrifício acontece de forma repentina e com prazo de conclusão muito apertado. Ter que descansar em um saco de dormir no escritório porque o dono de sua empresa está exigindo que essas mudanças importantes aconteça em tempo recorde é algo que não dá para ser chamado de “algo normal ou rotineiro”.

Crawford reforça essa perspectiva quando ela afirma que “este não é um momento normal no tempo (…) Estamos a menos de uma semana de uma transição comercial e cultural em massa. As pessoas estão dando tudo o que podem em todas as funções: produto, design, engenharia, legal, finanças, marketing etc.”.

E tudo isso está acontecendo pouco tempo depois que Musk assumiu o Twitter. E ninguém estava preparado para tantas mudanças em tão pouco tempo.

 

Este é um caso de “crunch”

Não sou eu que gostaria de fazer o papel de chato neste momento. Mas era de se imaginar que o Twitter poderia sim virar essa legítima câmara de tortura depois que Elon Musk assumisse o controle da empresa. E ainda tenho sérias dúvidas se sua visão “um tanto quanto peculiar” (e estou tentando ser delicado neste caso) sobre a rede social será o suficiente para mantê-la de pé.

De qualquer forma, é importante destacar que Crawford está demonstrando ser uma funcionária dedicada. Ou que ama muito o seu emprego e o seu salário. Ela tem a delicadeza de elogiar os seus colegas de trabalho ao destacar que está “orgulhosa com a força e a resiliência” do time que está trabalhando por trás dessa “louca aquisição”.

Além disso, Crawford agrade à sua família, que está compreendendo a situação que ela e muitos dos seus colegas estão passando nesse momento. “Há momentos em que preciso ir com tudo para me esforçar e cumprir (o que está na minha frente)”.

Sinceramente? Eu não sei se eu, no lugar dessa galera toda, já não teria entregado os pontos e pedido demissão. Não tenho o perfil para trabalhar com chefes que demonstram um comportamento abusivo e narcisista, muito menos em condições de trabalho que entendo ser exploratórias, considerando a enorme demanda que precisa ser cumprida em um curto espaço de tempo.

Até porque o cenário que o Twitter enfrenta hoje é parecido com o cenário de “crunch” que tanto se falou durante o período de produção de jogos como Cyberpubk 2077 ou Red Dead Redemption 2, onde funcionários e desenvolvedores foram obrigados a trabalhar durante seis e até sete dias por semana para cumprir com os prazos de lançamento dos dois títulos.

Episódios como esses impulsionaram a criação de sindicatos específicos para os profissionais envolvidos com o desenvolvimento de jogos de videogames, o que estimulou um debate nos Estados Unidos sobre leis trabalhistas e os abusos sobre as jornadas de trabalho nesses locais.

Ao que tudo indica, Elon Musk terá que enfrentar essa mesma discussão, mais cedo ou mais tarde. Sem falar que essa pressa toda pode se reverter em um gosto amargo do fracasso. Seja porque a ferramenta foi desenvolvida a toque de caixa (aumentando assim as chances de problemas na versão final), seja porque os usuários estão desistindo do Twitter aos poucos…

…inclusive por causa do próprio Elon Musk, com receio que ele estrague com a rede social que tanta gente amou por tantos anos.


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