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Elon Musk conseguiu ressuscitar o Mastodon

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Elon Musk conseguiu ressuscitar uma rede social inteira nos últimos dias. E eu não estou falando do Twitter, sua mais recente aquisição (que pode estar se encaminhando para a sua morte com as mudanças recentes). Quem está esfregando as mãos de alegria com o momento recente é a Mastodon.

Essa plataforma de microblogging descentralizada e de código aberto é vista por muitos como uma ótima alternativa ao Twitter. E essa visão se materializou em um aumento no número de usuários.

O Mastodon ainda está bem longe de contar com a relevância do Twitter, mas tem tudo para ser o refúgio daqueles que se preocupam com o que vai virar a rede social do pássaro azul durante a era Elon Musk.

 

Refletindo sobre os números

O Mastodon não é uma rede social que pode ser chamada de nova. Ela este desde 2016, mas nunca teve tanta relevância, pois havia uma certa centralização de cenário das plataformas mais populares. Porém, desde que Musk assumiu o Twitter, essa rede social registrou o seu maior aumento de usuários em um curto período de tempo, e esse é um sinal que não pode ser ignorado.

Desde o dia 27 de outubro (data do anúncio da conclusão de compra do Twitter por Elon Musk), foram mais de 200 mil novos usuários no Mastodon. Apenas para colocar em perspectiva: a plataforma conta hoje com 655 mil usuários ativos. Ou seja, um terço dos seus usuários são novos e, mito provavelmente, vieram da concorrência.

O aumento de usuários nos últimos dias em comparação da média de novos registros do Mastodon é de impressionantes 658%. E isso acontece no mesmo período que quase 1 milhão de usuários suspenderam ou cancelaram em definitivo as suas contas no Twitter. E isso não pode ser mera coincidência.

Ou seja, não precisa ser nenhum Sherlock Holmes para concluir que boa parte dos usuários que estão abandonando o Twitter decidiram no mínimo visitar a rede social vizinha para descobrir o que ela pode oferecer a mais em relação ao atual Twitter.

Quem sabe encontraram paz de espírito na plataforma vizinha.

 

Um crescimento expressivo, e um grande desafio

O Mastodon sabe que precisa aproveitar o momento e, para isso, não pode dormir no ponto.

Para isso, se apresenta para os mais indecisos e até mesmo para quem não conhece o serviço qual é a sua proposta: ser uma rede social de caráter descentralizado, de código aberto e com pleno respeito à privacidade do usuário. Até aqui, tudo certo: a plataforma está usando os argumentos corretos para conquistar quem está desistindo do Twitter.

Mas isso não é o suficiente. É preciso preparar suas estruturas para receber um público muito maior. Afinal de contas, ter 655 mil usuários não é a mesma coisa que suportar o volume de dados de mais de 200 milhões de internautas usando a sua plataforma todos os dias, de forma constante.

Neste momento, o Mastodon está com dificuldades em adquirir servidores melhores e um hardware mais potente para abrigar os novos usuários que estão chegando. E isso não só coloca os seus profissionais em situações complicadas (como, por exemplo, jornadas laborais de até 14 horas), como também causa o sacrifício da plataforma como um todo, já que essa estrutura não é robusta o suficiente para receber tanta gente utilizando seus recursos por mais tempo.

São obstáculos típicos de uma plataforma que está destinada ao crescimento por conta da atual dinâmica das redes sociais. E não estou falando apenas e exclusivamente do Twitter neste caso, já que o Mastodon tem real potencial para conseguir alguns usuários que estão descontentes com outras plataformas. Não podemos nos esquecer que o Facebook também é muito criticado por se tornar um ambiente tóxico, no melhor estilo “terra sem lei” para quem gosta de disseminar notícias falsas e discursos de ódio.

 

Seguindo os passos do Twitter

Se o Mastodon se movimentou, Elon Musk fez o mesmo com o Twitter. Do seu jeito um tanto quanto disfuncional e caótico, mas fez.

Não dá para ter certeza se Musk está realmente fazendo o que é o melhor para o Twitter nesse momento, pois tudo o que anunciantes não querem é investir dinheiro em uma empresa que dá prejuízos milionários todos os dias. Por outro lado, demitir todos os principais executivos, se autodenominar CEO da empresa, a criação de um conselho de moderação e demitir 50% dos seus funcionários foram os movimentos que o Twitter executou na última semana.

Tudo isso está acontecendo nas vésperas de um dos eventos que é sempre muito complexo nos Estados Unidos (e se tornou algo ainda pior em tempos de pensamentos extremos): as eleições de meio de mandato.

Com um time de moderação de conteúdo menos robusto, o Twitter pode virar a casa dos propagadores de discursos de ódio e notícias falsas. E isso pode efetivamente influenciar no resultado dessas eleições, criando uma perigosa interferência no processo democrático norte-americano.

Além disso, a forma em como Musk realizou as demissões no Twitter violam a lei WARN, que exige o avios prévio de rescisão de contrato com 60 dias de antecedência antes de processos de demissão em massa como essa, e isso resultou no óbvio: processos em massa contra o Twitter.

Musk não demorou a se pronunciar diante da polêmica, mas sem abrir mão do seu estilo “sem meias palavras”, afirmando que a empresa está perdendo mais de US$ 4 milhões por dia, e que “infelizmente” não teve outra alternativa. Garantiu que todos os demitidos receberam três meses de compensação financeira, o que é mais do que 50% exigido por lei.

Sobre a moderação de conteúdo, Musk já disse antes que era “um absolutista da liberdade de expressão”, mas garante agora que a plataforma vai sim moderar o fluxo de conteúdo:

“Para ser claro: o forte compromisso do Twitter com a moderação de conteúdo permanece absolutamente inalterado. (…) “Esta semana vimos o discurso de ódio cair ‘abaixo’ dos nossos padrões anteriores, ao contrário do que pode ser lido na imprensa.”

Na prática, o discurso de Musk neste sentido não se sustenta. Não só muitos usuários mais extremistas agora estão testando os novos limites de moderação no Twitter como gigantes multinacionais já confirmaram que vão pausar a publicidade veiculada na rede social para avaliar o que vai acontecer daqui para frente com a nova gestão.

Por outro lado, Musk coloca a culpa pela queda da publicidade no Twitter pela suposta pressão exercita pelos ativistas junto às empresas anunciantes, através do movimento #StopToxicTwitter, alertando sobre o possível aumento dos discursos de ódio na rede social.

Aqui, seria mais fácil Musk reconhecer que o problema pode eventualmente existir (se é que já não existe) do que tentar terceirizar a culpa por suas decisões. Mas como tudo ainda está no começo, até entendo que muitos acabem dando o benefício da dúvida para ele.

Até porque Musk não se tornou o homem mais rico do mundo de forma gratuita ou a troco de nada.

Ou será que fomos enganados nisso também?


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