
Donald Trump dá a entender que odeia mesmo o iPhone, já que está embaçando o rolê da Apple. De novo.
A guerra tarifária entre Estados Unidos e China entrou em uma trégua temporária de três meses, proporcionando alívio momentâneo para fabricantes como a Apple, que temia um aumento de custos de aproximadamente 900 milhões de dólares.
Mas apesar da calmaria, o cenário está muito instável, e pode desmoronar novamente a qualquer momento. Tudo depende do humor de Trump.
Em resposta a essa instabilidade, empresas como Apple e Google planejam transferir parte de sua produção da China para a Índia. Mas Trump não está gostando disso, porque quer aumentar a fabricação de dispositivos de tecnologia em solo americano.
Resultado: Trump deve aumentar os impostos na Índia, arruinando os planos da Apple em driblar o aumento de impostos.
Trump, o insistente
Trump manifestou explicitamente sua contrariedade após conversa com Tim Cook, CEO da Apple, declarando:
“Tive um pequeno problema com Tim Cook ontem. Ele está construindo em toda a Índia. Eu não quero que você construa na Índia.”
O presidente deseja mesmo que a Apple abandone seus planos de expansão na Índia em favor de investimentos nos Estados Unidos. Algo que, na prática, não é possível em curto, médio e longo prazos.
Trump não entende que a economia atual é global, e que nem todos os aspectos de produção de um dispositivo de tecnologia podem ser cobertos pelos Estados Unidos.
E não estou falando de incentivos fiscais ou mão de obra barata. Existem várias camadas que qualquer empresa de tecnologia precisa lidar para ao menos tentar trazer a produção de seus produtos para o território norte-americano.
É uma missão muito complexa, até mesmo para uma Apple, que sempre vai buscar otimizar os seus lucros.
Escrevi um artigo completo que explica por que é difícil ter um iPhone “made in USA”. Vale a pena a leitura.
A mudança já começou (por parte da Apple)
A Apple já havia iniciado a transição para montar dispositivos na Índia antes do final de 2026, embora os componentes continuariam sendo importados da China.
O objetivo da empresa não é eliminar completamente sua dependência do mercado chinês, mas reduzi-la gradualmente.
Porém, vai buscar fazer isso em um país onde possa manter suas margens de lucro e, ao mesmo tempo, oferecer dispositivos que consigam sustentar minimamente o padrão de qualidade entregue pelas fábricas chinesas.
Atualmente, as tarifas sobre produtos chineses são menores do que as estabelecidas durante o governo Biden (30% para produtos chineses), mas existe o risco de voltarem aos patamares anteriores quando a trégua terminar.
O fim da trégua entre Estados Unidos e China coincide com a janela de lançamento do iPhone 17. E esse é todo o receio da Apple neste momento.
A gigante de Cupertino se vê obrigada a acelerar ao máximo a produção das unidades do futuro smartphone, para que ao menos a primeira leva de produtos escape do novo aumento de impostos.
Ter que fazer tudo sob pressão já não é uma das coisas mais agradáveis do mundo.
Agora, ter que produzir produtos de tecnologia com a ignorância de Donald Trump sobre o assunto…
Era tudo o que a Apple não imaginava que teria que passar.

