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E é claro que a série “The Last of Us” foi alvo de homofobia…

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Existe um movimento nefasto no mundo do entretenimento que lá fora é chamado de “review bombing”. E ele nunca foi embora, diferente do que alguns mais otimistas (ou cegos) afirmam de tempos em tempos.

Essa é a ridícula prática de avaliar negativamente produções audiovisuais (incluindo filmes, séries e jogos de videogames) por questões que estão completamente alheias ao conteúdo em si.

Visões sociopolíticas já afetaram produções de elevada qualidade como O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder”, que receberam no Metacritic ou no IMDb avaliações de usuários que depreciavam o resultado final por incluírem muitos atores negros, gordos ou transgêneros.

Isso mesmo. As avaliações das produções não escondem todo o preconceito que um grupo desgraçado expressa sem qualquer tipo de pudor ou freio moral.

E não demorou nem três episódios para que a espetacular série da HBO “The Last of Us” se tornasse a próxima vítima de irracionais. O muito elogiado terceiro episódio da série está sendo massacrado por deixar uma das histórias mais românticas, emotivas e muito bem narradas que já vimos sobre um casal homossexual.

 

Os números são frios, mas deixam claro a tendência

As pontuações do Metacritic e do IMDb para esse terceiro episódio deixam claro o preconceito dos acéfalos. A série, que normalmente receberia uma evolução lógica de suas notas, simplesmente despencou nas avaliações nos dois sites.

Os mais céticos podem pensar que são apenas números, e que é uma “mera coincidência” que a avaliação aconteça em um episódio onde um casal LGBTQIA+ recebe destaque. Porém, os dois sites mostram nos seus comentários dissertados textos extremamente ofensivos e agressivos contra os personagens em questão.

Sem falar que não dá para chamar de “coincidência” avaliações tão elevadas para os dois primeiros episódios onde os homens são os protagonistas, e uma queda absurda para o terceiro episódio, onde um casal homossexual recebe destaque.

Chega a ser cretino defender tal tese.

 

Isso passa longe de ser “review booming”. É homofobia mesmo!

Para não deixar margem para dúvidas, vou compartilhar alguns comentários que o terceiro episódio de “The Last of Us” recebeu dos irracionais que ficam batendo os cascos no teclado do computador e na tela do smartphone para compartilhar a homofobia em forma de avaliações críticas sobre a série.

“Basta da agenda LGTB”

“Por que LGBT? Por que não ensinar um casal heterossexual?”

“Chega de propaganda e idiota acordou cultura”

“Outra merda acordou para deixar as pessoas moles”

“Desconfortável de assistir”

“Capítulo nojento de inclusão forçada”

O Metacritic não é o único local onde os acéfalos estão compartilhando sua homofobia disfarçada de liberdade de opinião e expressão. Alguns comentários em vídeos no TikTok sobre o episódio receberam algumas pérolas nefastas:

“É apenas doutrinação homossexual, um transtorno mental que eles querem que vejamos como normal”

“Se quer ver 2 barbudos se beijando e criando sua história de amor vai assistir novelas gays”

Aliás, é digno de perguntar se essas pessoas passaram perto de jogar “The Last of Us” em algum momento na vida. Ou se são pobres de espírito e nos aspectos financeiros, e não tinham condições de comprar um PlayStation 4 ou PlayStation 5, já que quem relincha não consegue um emprego digno.

Digo isso porque qualquer pessoa que jogou o game “The Last of Us” sabe muito bem que Bill e Frank são gays. Logo, ver essa relação retratada na série de TV é algo mais do que natural e lógico, uma vez que a obra é diretamente adaptada da mídia eletrônica.

Chega a ser patético esse choque vindo dos homofóbicos. Ou será que toda essa revolta é porque o romance foi apresentado na mídia tradicional, e não para um “grupo de nicho”, acreditando na tola teoria que os videogames não alcançam o grande público?

Bom, para quem achou que a interação romântica entre dois homens é algo “forçado”, entendo que é importante lembrar aos desavisados que estamos em 2023. Por mais que isso seja difícil de acreditar para um povo que vive em uma caverna intelectual.

Neste ponto de nossa história, “forçado” é pensar que todos os personagens de uma série de TV ou de um filme são heterossexuais e brancos. O mundo real não é e nunca foi uma hegemonia de uma etnia ou de uma condição sexual.

É preciso que a coerência tenha espaço em nossa realidade. A bolha de visão unilateral e irracional, que flerta com a hipocrisia o desejo de silenciamento ao diferente não pode mais ser tolerada. Apresentar a homofobia, o racismo, a misoginia ou qualquer tipo de preconceitos disfarçados na religião, visões políticas ou, neste caso em particular, “avaliação crítica, liberdade de expressão ou presunção de inocência” é algo simplesmente inaceitável.

E é sim difícil entender o que dois homens se beijando em uma tela de TV ou no cinema podem deixar tanta gente nervosa ou profundamente ofendida.

Cada vez mais eu entendo por que “O Segredo de Brokeback Mountain” perdeu de forma absurdamente injusta o Oscar de Melhor Filme…


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