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Disney estrangula ainda mais a TV tradicional

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A indústria da TV, tal e como conhecemos, está morrendo, e faz tempo. A crise de criatividade, combinada com a queda de audiência – também em função da ascensão do streaming – fez com que todo um modelo de negócio que estava mais do que consolidado simplesmente desmoronasse diante dos olhos de todo mundo.

E a Disney está contribuindo ativamente para o desaparecimento da televisão tradicional. Primeiro, migrou todo o seu conteúdo principal para o Disney+. Depois, redistribuiu parte de suas propriedades para outras plataformas de streaming.

E agora, ensaia repetir o mesmo movimento que executou no mercado internacional, que é a remoção dos seus canais de TV que ainda existem nos Estados Unidos.

E para isso, precisa limpar a casa.

 

Demissão em massa

A Disney anunciou uma nova rodada de demissões, afetando centenas de funcionários, principalmente em Los Angeles. Os cortes atingem áreas como marketing, publicidade, casting, desenvolvimento e finanças corporativas.

Esta é a quarta e mais significativa série de demissões na Disney nos últimos dez meses, refletindo a crise da televisão tradicional e a mudança de foco da empresa para o streaming.

O CEO Bob Iger, que retornou ao cargo em 2022, implementou um plano de economia de US$ 7,5 bilhões, resultando na eliminação de 7.000 postos de trabalho. A estratégia visa reduzir custos nas operações tradicionais de mídia e concentrar recursos no setor de streaming, que apresentou um lucro operacional de US$ 336 milhões no último trimestre.

A reestruturação inclui o fechamento da ABC Signature e a fusão de suas operações com a 20th Television, além da demissão de 6% dos funcionários do ABC News Group e de canais como Freeform e FX.

Apesar das demissões, a Disney planeja criar novos empregos focados em experiências, conforme anunciado por Iger na reunião anual de acionistas no início de 2025.

 

O que isso significa para o futuro da Disney?

Não podemos nos esquecer que o principal ativo da Disney não é o cinema ou a TV, mas sim os seus parques. Foi com essa via de receita que Walt Disney construiu o seu império, e isso não deve mudar tão cedo.

A TV e o cinema são duas extensões disso. Logo, é compreensível que a Disney realize mudanças mais drásticas nesses segmentos, para que sejam mais otimizados e rentáveis a médio e longo prazos.

Dito isso, estamos diante de mais um “balão de ensaio” criado por Bob Iger.

O lançamento do streaming próprio da ESPN nos Estados Unidos (separado do Disney+ e do Hulu) é também uma forma de “teste”, para saber se o canal líder mundial em esportes consegue se manter relevante sem a TV por assinatura.

E eliminar postos de trabalho relacionados com os canais de TV paga podem indicar uma possível remoção dos canais que ainda estão ativos nos Estados Unidos.

O sonho secreto de Iger é deixar todo o setor de entretenimento no Disney+, e por um único motivo: é mais rentável.

Não tem a divisão de lucros e nem mesmo as despesas atreladas à produção do sinal que é enviado para as operadoras de TV paga.

E dessa forma, o Mickey Mouse está estrangulando a TV por assinatura, tal e como conhecemos. E ele não está fazendo isso sozinho.

Parece que temos uma obsessão em acabar coma TV. E está funcionando.

 

Via Deadline


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