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Uma no cravo, outra na ferradura… próximo de uma hipotética privatização?

Esse post é para analisar o momento dos Correios, que é no mínimo inusitado. E, como todo mundo sabe, a Empresa de Correios e Telégrafos afeta de forma decisiva na vida dos usuários e clientes de produtos de tecnologia. E as decisões recentes da empresa do governo apresenta reflexos na experiência prática dos usuários e nos números da própria empresa.

 

 

Primeiro, as boas notícias

A iniciativa do Compra Fora, que é uma parceria dos Correios para entregar as compras realizadas nos Estados Unidos nos principais sites de e-commerce do país. No lugar de usar o serviço de entrega da maior varejista do mundo, o cliente que mora no Brasil paga as despesas dos Correios em reais, e com preços que podem ser menores do que os fretes cobrados na loja.

Pode não ser a mesma vantagem de não pagar nada de frete como os sites chineses, mas em compensação você tem a garantia do seu produto chegar em casa e em segurança. É claro que você pode ter a cobrança da Receita Federal por trazer um produto importado, mas isso seria praticamente obrigatório.

Mudando um pouco de assunto, eu estou lendo alguns relatos de usuários que, nos últimos dias (30 dias pelo menos), os Correios estão entregando as encomendas em um tempo pelo menos 1/3 menor do que o estimado pela própria empresa. Ou seja, não só as encomendas não estão desaparecendo como ocorria em um passado recente, mas são entregues antes do prazo.

Isso é sempre muito bom, pois no passado, os Correios era sinônimo de qualidade e eficiência, e toda a população se beneficiava com isso, e respeitava a empresa. Porém, isso foi se perdendo com o passar dos anos, ECT foi ficando sucateada, inclusive com roubalheiras diversas das últimas gestões.

Recuperar essa imagem é importante, até mesmo para evitar a possível privatização que o atual governo esboça realizar.

 

 

Porém… sempre tem um porém…

Os Correios anunciaram um aumento no valor dos fretes que será, em média, de 8,03% (a porcentagem pode variar de acordo com a localidade). Em compensação, o PAC deve ficar até 4% mais barato para as lojas online, sem falar que micro e pequenas empresas podem adquirir os pacotes de serviços mais acessíveis da empresa.

Os novos valores de frete entram em vigor a partir do dia 6 de março, e a porcentagem do aumento está abaixo do índice de inflação IGP-M, que ficou em 8,74% em 2018.

A redução do PAC está disponível para micro e pequenas empresas online através do pacote de serviços Correio Fácil, que pode ser contratado pela internet, oferecendo pagamento a prazo via boleto bancário e sem cobrança de valor mínimo mensal.

No lugar de quantidade mínima para encomendas enviadas, os Correios adotaram um valor mínimo mensal em postagens. As empresas que ficarem abaixo do valor mínimo são automaticamente migradas para o Correios Fácil.

As recentes mudanças adotadas nos Correios (mudanças executadas ainda na gestão anterior) já entregam resultados positivos. Depois de quatro anos de prejuízos, a empresa obteve lucro em 2017 (R$ 667 milhões). É a primeira vez que isso acontece em quatro anos. Em 2018, o faturamento deve ser maior.

 

 

Tudo isso acontece em um momento onde o atual governo sinaliza para uma hipotética privatização de várias estatais, incluindo os Correios. Algumas pessoas defendem que a empresa deve ser privatizada, e que seja adotada a mesma estratégia estabelecida para os serviços de telefonia móvel. Ou seja, regras para uma concorrência mais equilibrada, aumentando a competição entre as empresas privadas que prestam serviços de entregas de encomendas.

Já outros defendem a reestruturação e reformulação dos Correios, mantendo a empresa como um patrimônio do Governo Federal, e com capacidade de oferecer produtos e serviços de qualidade para a população brasileira, com preços acessíveis.

O tempo vai dizer o que realmente vai acontecer. Mas é no mínimo curioso observar esses movimentos acontecendo ao mesmo tempo. Vamos acompanhar de perto esse cenário.


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