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Coringa, filme dirigido por Todd Phillips, protagonizado por Joaquin Phoenix e baseado em um dos mais emblemáticos personagens dos quadrinhos da DC, recebeu 11 indicações ao Oscar 2020. Muita gente foi pega de surpresa com esse número de indicações, tanto pela origem da história e de seu personagem quanto pelo ar despretensioso do projeto, que tem baixo orçamento e o polêmico discurso em mostrar a construção de um vilão que é resultado do meio em que vive.

Porém, o filme é simplesmente espetacular. Joaquin Phoenix teve uma atuação soberba, e sua narrativa levantou uma importante discussão sobre nossas posturas de coletivo. É impossível não concordar com a afirmação que Coringa é um dos reflexos mais consistentes de nossa sociedade nesse momento.

Por conta de tudo isso, a expectativa para que o filme recebesse vários Oscars em 2020 foram enormes. Mas não foi bem assim que aconteceu. E isso já era esperado, e nem chega perto de ser algo ruim.

Pelo contrário. Coringa pode gargalhar sem medo de ser feliz depois da noite de ontem (9).

O filme era um dos competidores mais atraentes, e um dos melhores representantes do duelo entre a forma antiga de se ver filmes no cinema e a Netflix, que entrega o conforto do streaming na sala de sua casa. Sem falar nos aspectos técnicos e conceituais que já dissertamos nos parágrafos anteriores.

O próprio personagem Coringa em si é muito popular junto aos fãs de quadrinhos, pelo público mais leigo e até pelos votantes da Academia de Hollywood. Sua bilheteria gigantesca é a prova que o filme foi muito bem recebido, e a tal prova final aconteceu no Oscar 2020.

 

 

As 11 indicações de Coringa no Oscar 2020

 

Melhor Filme
Melhor Diretor: Todd Phillips
Melhor Roteiro Adaptado: Todd Phillips, Scott Silver
Melhor Ator: Joaquin Phoenix
Melhor Fotografia: Lawrence Sher
Melhor Maquiagem e Penteado: Nicki Ledermann, Kay Georgiou
Melhor Figurino: Mark Bridges
Melhor Edição: Jeff Groth
Melhor Trilha Sonora Original: Hildur Gusnadóttir
Melhor Edição de Som: Alan Robert Murray
Melhor Mixagem de Som: Tom Ozanich, Dean Zupancic, Tod Maitland

 

Ou seja, Coringa estava nas categorias mais importantes, competindo com outros filmes considerados muito mais fortes nos aspectos mediáticos e na visibilidade com os votantes da Academia, como Era Uma Vez… em Hollywood, Parasita, O Irlandês e 1917.

Quando o Oscar 2020 começou, alguns fãs de Coringa e da DC sentiram um certo gosto de frustração nos lábios, ao ver o filme perder em categorias onde existiam chances para vencer por méritos próprios. Adoráveis Mulheres e Era uma vez… em Hollywood acumularam prêmios técnicos, superando a obra de Todd Phillips.

Joker começou a ter notoriedade quando venceu a categoria de Melhor Trilha Sonora Original, uma obra de Hildur Gusnadóttir. E foi merecido: essa trilha sonora é uma ferramenta importante do processo de imersão do espectador na história.

 

Mas o grande momento da noite veio com a vitória de Joaquin Phoenix na categoria de Melhor Ator. Por mais que essa fosse uma bola mais que cantada (já que o ator venceu todos os prêmios da temporada por essa interpretação), esse momento valeu muito a pena.

Após derrotar Antonio Banderas, Leonardo DiCaprio, Adam Driver e Jonathan Pryce (seus concorrentes na categoria), Phoenix falou sobre vários temas importantes para o nosso mundo atual, como desigualdades de gênero, classe e raça, sobre a desconexão de todos no mundo atual (apesar de todos viverem em um mundo conectado), e chamou a todos a ajudarem uns aos outros, uma vez que entende que só seremos melhores se agirmos com perdão e solidariedade com o próximo.

Moral da história: você pode até chamar de fracasso um filme ter 11 indicações ao Oscar e só levar duas estatuetas. Mas você também pode dizer que Coringa recebeu o mesmo número de prêmios que a Netflix inteira, que tinha 24 indicações.

Tudo é uma questão de perspectiva nessa vida.


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