
Proprietários de televisores inteligentes da LG foram surpreendidos recentemente por uma atualização automática do sistema webOS que instalou o Microsoft Copilot sem consentimento prévio. A novidade gerou controvérsia imediata em fóruns de tecnologia e redes sociais, pois o aplicativo de inteligência artificial foi inserido na tela inicial sem uma opção clara para sua exclusão definitiva.
Os relatos indicam que a nova ferramenta aparece ao lado de serviços essenciais de streaming, ocupando espaço visual valioso e funcionando apenas como um atalho para a versão web do assistente. Diferente de outros aplicativos que podem ser gerenciados livremente, o Copilot foi classificado pelo sistema como uma aplicação nativa, o que impede sua desinstalação pelos métodos tradicionais disponíveis aos consumidores.
Essa imposição levanta debates sérios sobre a propriedade do hardware e a privacidade dos dados do usuário, especialmente com a ativação simultânea de recursos de rastreamento. A comunidade técnica e os consumidores agora buscam soluções paliativas para mitigar a intrusão, enquanto questionam as estratégias agressivas das grandes fabricantes de tecnologia para forçar a adoção de IA.
Vamos entender melhor o que está acontecendo aqui.
A chegada forçada do Copilot ao webOS
A distribuição da atualização do webOS ocorreu de forma silenciosa e pegou muitos usuários desprevenidos, alterando a organização da interface principal de suas televisões. O ícone do Microsoft Copilot surgiu fixado em destaque na barra de aplicativos, competindo por atenção com plataformas populares como Netflix e YouTube, sem que houvesse qualquer solicitação por parte do proprietário do aparelho.
Essa estratégia de distribuição forçada gerou uma onda de reclamações imediatas em plataformas como o Reddit, onde usuários compartilharam fotos de suas telas exibindo o novo “bloatware”. A percepção geral é de que a LG priorizou uma parceria comercial com a Microsoft em detrimento da experiência do usuário, inserindo um software que muitos consideram desnecessário para o uso cotidiano de uma televisão.
O movimento reflete uma tendência crescente na indústria de eletrônicos, onde atualizações de software são utilizadas para introduzir novos serviços e parcerias após a compra do produto. No entanto, a falta de transparência e a ausência de um aviso prévio sobre a instalação do assistente de IA agravaram a recepção negativa, transformando uma potencial novidade tecnológica em um problema de usabilidade e confiança.
Impossibilidade de remoção do aplicativo
O ponto central da frustração dos consumidores reside na impossibilidade técnica de remover o aplicativo do Copilot do armazenamento da TV. Ao tentar excluir o ícone, os usuários descobrem que a opção de “deletar” está inativa ou inexistente, restando apenas a possibilidade de ocultar o atalho ou movê-lo para o final da lista de apps.
A própria documentação de suporte da LG corrobora essa limitação, afirmando que certos aplicativos pré-instalados ou considerados essenciais para o sistema não podem ser excluídos. Ao categorizar o Copilot nesse grupo, a empresa efetivamente tranca o software no dispositivo, tratando uma ferramenta de terceiros com o mesmo nível de importância de funções críticas do sistema operacional.
Essa decisão de design de software força o usuário a conviver com o aplicativo ocupando espaço de armazenamento, independentemente de sua vontade de utilizá-lo. A única maneira relatada para evitar completamente a presença do software é manter a televisão desconectada da internet, uma solução drástica que elimina as funcionalidades “smart” pelas quais o consumidor pagou.
Funcionalidade limitada e promessas da CES
Apesar da intrusão no sistema, a funcionalidade real do aplicativo Copilot nas TVs LG parece estar aquém das promessas de integração profunda. Análises técnicas, como as reportadas pelo site Tom’s Hardware, indicam que o “app” é basicamente um atalho que redireciona o usuário para a interface web do assistente da Microsoft, sem processamento nativo relevante no hardware da TV.
Essa implementação contrasta com o que foi anunciado pela LG durante a CES 2025, onde a empresa prometeu uma integração robusta de IA como parte de sua estratégia “AI TV”. A expectativa era de que o Copilot funcionasse como uma extensão da experiência de busca, oferecendo recomendações contextuais e respostas inteligentes integradas ao uso do televisor.
No estado atual, a ferramenta parece ter sido lançada de forma prematura ou simplificada apenas para cumprir acordos comerciais, sem oferecer o valor agregado prometido. O resultado é um produto que ocupa recursos do sistema sem entregar a “inteligência” e a fluidez que justificariam sua presença obrigatória e inegociável no sistema operacional.
O recurso Live Plus e a privacidade

Além do Copilot, a atualização trouxe à tona preocupações sobre o recurso “Live Plus”, que muitos usuários notaram estar ativado por padrão. O Live Plus utiliza tecnologia de reconhecimento automático de conteúdo (ACR) para analisar o que está sendo exibido na tela em tempo real, permitindo que a LG colete dados sobre os hábitos de visualização do proprietário.
A finalidade declarada dessa coleta de dados é oferecer recomendações personalizadas e, crucialmente, publicidade direcionada, transformando a TV em uma ferramenta de monitoramento comercial. Embora a LG descreva o recurso como uma “experiência de visualização aprimorada”, a ativação automática sem um consentimento explícito e claro durante a atualização é vista como uma violação de privacidade por muitos defensores dos direitos digitais.
Felizmente, ao contrário do Copilot, o Live Plus pode ser desativado através de um mergulho nos menus de configuração do sistema. O caminho geralmente envolve acessar “Configurações”, depois “Geral” e “Configurações Adicionais”, onde o usuário deve encontrar e desligar a opção, embora a nomenclatura possa variar levemente dependendo do modelo da TV e da região.
Reação da comunidade e futuro das Smart TVs
A reação da comunidade online, liderada por usuários vocais no Reddit como “defjam16”, destaca um descontentamento crescente com a perda de controle sobre os dispositivos domésticos. A comparação com o episódio do álbum do U2 forçado nos iPhones pela Apple em 2014 é inevitável, mas com a agravante de que uma TV é um dispositivo de alto custo que deveria servir aos interesses do comprador, não do fabricante.
Especula-se que essa tendência de “enshittification” (piora progressiva de serviços online para maximizar lucros) continuará a se intensificar, com fabricantes buscando novas formas de monetizar a base de usuários após a venda do hardware. O medo é que, no futuro, funcionalidades básicas da TV possam ser atreladas a assinaturas de IA ou que a publicidade se torne ainda mais intrusiva e impossível de evitar.
Como consequência, observa-se um aumento no interesse por “TVs burras” ou pelo uso de dispositivos de streaming externos, como Apple TV ou Nvidia Shield, que oferecem interfaces mais limpas. A estratégia da LG pode acabar incentivando os usuários a nunca conectarem suas telas à internet, utilizando o aparelho apenas como um monitor passivo para evitar atualizações hostis e rastreamento de dados.
Via Reddit, VideoCardz
