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O cenário atual da Apple é, no mínimo, algo peculiar. Por um lado, a empresa continua invejada por todos, já que é a gigante de tecnologia mais valiosa da lista Fortune 500, e sua receita bruta supera o PIB de 170 países. Por outro lado, mais e mais vozes afirmam que Tim Cook fez a Apple “perder a magia”, se tornando uma empresa dominada pela área de operações, deixando de lado o design de novos produtos e sem um líder inspirador.

Isso explicaria a saída de Jony Ive ou o cancelamento de projetos ambiciosos como o Apple Car e os óculos de realidade aumentada.

Pois bem, o sempre bem informado Mark Gurman compartilhou na Bloomberg o perfil daquele que pode ser o próximo CEO da Apple: Jeff Williams. Ele é o atual COO da empresa, e tem como méritos não apenas a direção global de operações, mas também é um dos responsáveis pelo desenvolvimento e lançamento do Apple Watch.

Mas… como é esse tal Jeff Williams? Que tipo de Apple poderíamos esperar ver no futuro se ele assumir a direção da empresa? Quais características ele compartilha com Steve Jobs (se é que ele compartilha alguma) e como ele se parece com Tim Cook?

Gurman tentou responder algumas dessas perguntas em seu artigo.

 

 

 

Williams: mais Cook que Jobs

 

A liderança de Cook foi fria e funcional, mas altamente rentável para a Apple. Jony Ive foi o seu contraponto: sua visão inovadora para o design não se alinhava com a frieza do CEO, e isso ajuda a explicar parte do desaparecimento da magia dos produtos da empresa.

Mas com Ive fora da Apple, Jeff Williams somou suas responsabilidades como COO com as de diretor do departamento de design, se tornando automaticamente na segunda pessoa mais poderosa da estrutura hierárquica da Apple. Williams assumiu o mesmo status que Tim Cook conquistou na era Steve Jobs. Com uma grande diferença: Tim Cook não é Steve Jobs.

Pensando nisso, Gurman afirma que Williams “segue o molde do atual diretor geral: um modelo de eficiência operacional, com um temperamento similar, não propenso aos mesmos altos e baixos de Steve Jobs”.

Williams se caracteriza por ser um “líder modesto, disciplinado e exigente”, se alinhando com o estilo de liderança de Cook. Ele negociou com provedores, enviando centenas de milhões de dispositivos por ano para todo o mundo e, talvez (e por causa disso), a sua visão de produto é mais ampla que a de Cook, como mostra o seu envolvimento no lançamento do Apple Watch. E isso, porque a sua demanda inicial foi muito menor que a prevista, com o cancelamento dos modelos mais luxuosos.

Williams conta com o respeito dos acionistas e junta diretiva, e sua mudança para o departamento de design se percebe como uma preparação prévia para as responsabilidades que virão no futuro. Para outros, a possível escolha do seu nome para CEO seria insistir no “caminho de autocomplacência” que a Apple se associou nos últimos tempos, colocando em perigo a capacidade de disrupção da empresa. Jeff é um cara que é 95% das operações e 5% do produto, e isso poderia transformar a Apple em uma empresa de operações.

Mas isso não significa que pode ser algo necessariamente negativo. Nem todas as empresas precisam ter um líder visionário. O CEO da Apple podem muito bem ser um executivo que não tem uma grande visão na hora de desenvolver novos produtos, mas que é capaz de levar a empresa para o próximo nível no faturamento e desenvolvimento de mercado.

Porém, é vital que especialmente em uma empresa como a Apple, o CEO seja capaz de se cercar de pessoas que contem com essa capacidade de enxergar além, de entender o que está por vir e executar a antecipação. Até agora, Tim Cook contava com Jony Ive para isso. Será que Jeff Williams fará o mesmo?

 

Via Bloomberg


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