Mark Luckie, um ex-funcionário do Facebook, tornou público um comunicado interno que emitiu na companhia para os demais funcionários em 8 de novembro de 2018, pouco antes de deixar a empresa. Ele era uma espécie de manager centrador em influencers infra-representados, e afirmou no documento que “o Facebook tem um problema com as pessoas negras”.

Luckie não falou apenas dos usuários, e nesse sentido, o título do longo e detalhado comunicado é “O Facebook está falhando com os seus funcionários negros e com os seus usuários negros”.

 

 

Um coletivo que sofre no Facebook

O ex-funcionário fala de como os negros no Facebook, mesmo sendo o grupo demográfico que mais utiliza a plataforma para se comunicar em todas as faixas etárias (o mesmo acontece no Instagram), são os que mais sofrem experiências ruins na plataforma. E, para ele, este é um problema que a rede social não busca solucionar.

De acordo com o texto, “pessoas não negras reportam conteúdos positivos de pessoas negras como discurso de ódio, e são conteúdos que não violam os termos e condições de uso do Facebook”. Desse modo, muito conteúdo válido é eliminado sem aviso prévio.

O mesmo acontece com as contas, que são suspensas de forma indefinida. Além da prática ser um comportamento racista pela omissão da verdade, isso é um tiro no pé do próprio Facebook, porque maltrata um dos seus grupos mais fiéis. Várias teorias são lançadas sobre essa prática, mas a mais provável é que os usuários negros acabam com o seu conteúdo eliminado, e “o Facebook pouco faz para dissuadir os demais grupos desta ideia”.

Sobre o processo de seleção, Luckie afirma que, apesar do time dedicado à diversidade realizar progressos, a situação está bem, longe de representar a realidade e a base de usuários. “Há mais diversidade nas apresentações do que nas equipes que as representam. Há mais o cartaz de ‘Black Lives Matter’ do que pessoas negras trabalhando ali. O Facebook não pode afirmar que conecta comunidades se estas comunidades não estão representadas proporcionalmente na sua base de usuários”.

 

 

Os casos de racismo

Além dos casos de racismo implícito, Luckie afirma que existe o racismo explícito dentro da empresa. Casos onde gerentes não recebem da mesma forma as queixas de pessoas brancas e negras, encarando um tom mais agressivo para as mesmas reclamações.

“Eu escutei várias histórias onde um gerente chama os colegas negros de ‘hostis’ e ‘agressivos’ por simplesmente compartilharem os seus pensamentos de forma diferente ao dos membros de sua equipe que não são negros.

Alguns poucos empregados negros informaram que os seus gerentes os dissuadiram especificamente de participar do grupo (interno) de Black@ (iniciado pela própria comunidade afro-americana de trabalhadores) ou de fazer ‘coisas de negros’, inclusive se isso acontecesse fora do horário laboral.”

Além disso, também é comum receber mais agressividade por parte do pessoal da segurança da sede do Facebook. Além do necessário. E acudir aos recursos humanos também não é uma solução, já que é comum eles procurarem racionalizar os seus problemas, ou fazer com que a pessoa sinta que tudo é fruto de sua imaginação.

Eu não precisava me estender mais nesse assunto, mas preciso mais uma vez reforçar. Sim, o racismo existe. Sim, as pessoas fingem que o racismo não existe. Sim, não são adotadas práticas para combater o racismo.

E sim… eu não fico nada surpreso ao constatar que o Facebook é racista. Não é uma novidade para mim. O comportamento de alguns usuários já denunciava isso.

 

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