
A Motorola encontrou uma maneira bastante “criativa” (sic) de fazer 8 GB parecerem 24 GB. O problema é que, quando a matemática promocional começa a esconder a diferença entre hardware e software, a ficha técnica deixa de ajudar o consumidor e passa a trabalhar contra ele.
A história ganhou um capítulo importante na semana passada. Em 24 de setembro, o Conselho de Ética do Conar determinou por unanimidade que a Motorola alterasse a forma como apresenta a memória RAM de seus smartphones na publicidade. A representação 184/26, identificada como “Motorola Mobility Comércio de Produtos Eletrônicos – Memória RAM boost”, terminou com decisão de alteração nas 5ª e 8ª Câmaras reunidas em sessão conjunta.
Não foi uma decisão sobre a existência ou a utilidade da RAM virtual. O problema analisado pelo órgão foi a forma como a Motorola juntou RAM física e RAM Boost em uma mesma cifra de destaque, criando números como “até 24 GB de RAM”.
A diferença parece apenas semântica até você colocar dois celulares lado a lado. Um pode ter 12 GB de RAM física e outro 8 GB, mas ambos aparecerem na publicidade como aparelhos de “24 GB”. Para quem está comparando produtos, a informação mais importante desaparece justamente onde deveria estar.
E o caso ficou ainda mais interessante depois que a Motorola se manifestou.
A empresa afirmou que já havia implementado a alteração exigida pelo Conar em seus canais próprios desde o início de agosto. No dia seguinte, porém, o Tecnoblog relatou ter encontrado páginas da própria loja oficial ainda usando a comunicação questionada e afirmou que algumas delas foram modificadas somente depois da publicação da reportagem sobre a decisão.
A Motorola não respondeu aos novos questionamentos apresentados pelo veículo.
É aí que a história deixa de ser apenas uma discussão sobre RAM e passa a revelar um problema maior da indústria: até onde uma especificação tecnicamente verdadeira pode ser apresentada de maneira capaz de produzir uma impressão errada?
24 GB de quê?

Vamos começar pelo detalhe que deveria estar em letras enormes.
O Motorola Edge 70 Pro tem 12 GB de RAM física. A fabricante oferece ainda até 12 GB adicionais por meio do RAM Boost Inteligente, chegando ao número promocional de 24 GB.
A própria Motorola explica em sua loja que o RAM Boost cria memória virtual usando parte do armazenamento interno e afirma explicitamente que o recurso “não corresponde à memória RAM física”. A empresa também informa que o modelo de 24 GB combina 12 GB de RAM física com até 12 GB de RAM Boost.
No Moto G86, a situação fica ainda mais curiosa. O aparelho tem 8 GB de RAM física e pode adicionar até 16 GB por meio do RAM Boost. A soma chega novamente a 24 GB, embora apenas um terço desse número corresponda à memória RAM instalada no hardware. A própria página oficial apresenta a configuração como “8 GB RAM + 16 GB RAM Boost”.
Portanto, não existe erro na conta.
8 + 16 = 24.
12 + 12 = 24.
O problema está em chamar o resultado simplesmente de “24 GB de RAM” quando as duas parcelas não são equivalentes.
É como anunciar um carro dizendo que ele tem “500 cavalos” porque o motor entrega 400 e um software promete outros 100 em determinadas condições. A matemática pode até estar correta dentro da definição escolhida, mas a comparação com outro carro de 500 cavalos de potência física fica completamente torta.
Com RAM acontece algo parecido.
RAM virtual não é uma fraude

Aqui vale evitar um exagero que já apareceu em parte das discussões sobre o assunto.
RAM virtual não é uma invenção inútil e tampouco transforma automaticamente um smartphone em uma máquina mais lenta. A tecnologia existe há bastante tempo e pode cumprir uma função legítima no gerenciamento de memória.
A RAM física é memória de hardware dedicada ao processamento do sistema e dos aplicativos. Já a RAM virtual utiliza uma parte do armazenamento interno para funcionar como uma área auxiliar quando o sistema precisa administrar mais dados do que consegue manter simultaneamente na RAM física.
Na prática, o mecanismo pode ajudar o aparelho a manter mais aplicativos disponíveis em segundo plano. Quando necessário, dados menos prioritários podem ser deslocados para o armazenamento e recuperados posteriormente.
A própria Motorola descreve o RAM Boost como um recurso destinado a aumentar a capacidade de manter vários aplicativos abertos simultaneamente. A fabricante também informa que ele utiliza parte do armazenamento interno e pode ser desativado pelo usuário.
O detalhe fundamental é outro: armazenamento não vira RAM física simplesmente porque o Android passou a utilizá-lo dessa maneira.
As tecnologias têm características diferentes, velocidades diferentes e funções diferentes. Por isso, adicionar 16 GB de RAM virtual a um aparelho com 8 GB físicos não produz o mesmo resultado que instalar 24 GB de RAM física.
Isso deveria ser óbvio em qualquer ficha técnica.
O que a RAM Boost realmente pode melhorar

A principal vantagem da memória virtual está relacionada à administração de aplicativos, não à transformação do desempenho bruto do aparelho.
Se o usuário costuma alternar entre muitos aplicativos, por exemplo, o recurso pode ajudar o sistema a manter mais processos disponíveis e diminuir a necessidade de recarregar determinados aplicativos.
Isso não significa que o processador ficou mais rápido.
Também não significa que a GPU ganhou potência.
E muito menos significa que um celular intermediário virou um aparelho gamer porque a propaganda adicionou mais dois dígitos à cifra de RAM.
O efeito depende de vários fatores, incluindo a quantidade de RAM física disponível, o processador, a velocidade do armazenamento, a versão do Android, o gerenciamento de memória e o tipo de utilização.
O próprio Tecnoblog relata ter percebido em seus testes um ganho leve com o RAM Boost ativado, especialmente na capacidade de manter aplicativos em funcionamento. Isso reforça justamente a distinção que interessa: a tecnologia pode ter utilidade real sem ser equivalente à RAM física.
A questão, portanto, não é “RAM virtual funciona ou não funciona?”.
A pergunta correta é:
Por que uma capacidade virtual deveria ocupar o mesmo espaço visual da memória física em uma comparação de hardware?
O Moto G86 deixa o problema mais evidente

O caso do Moto G86 ajuda a entender por que o número agregado é tão problemático.
O aparelho tem 8 GB de RAM física e até 16 GB de RAM Boost. A Motorola pode apresentar a capacidade máxima como 24 GB porque está somando as duas tecnologias, mas a composição é muito diferente de um smartphone que efetivamente tenha 24 GB de RAM instalada.
A diferença também aparece quando comparamos dois produtos da própria Motorola.
| Modelo | RAM física | RAM virtual | Total anunciado |
| Edge 70 Pro | 12 GB | até 12 GB | até 24 GB |
| Moto G86 | 8 GB | até 16 GB | até 24 GB |
Os dois podem aparecer associados ao mesmo número.
Mas não têm a mesma configuração de memória.
E é justamente por isso que a cifra agregada é ruim como ferramenta de comparação. Ela apaga uma diferença relevante entre os produtos.
Um consumidor que olha apenas para “24 GB” pode concluir que os dois celulares estão tecnicamente no mesmo patamar de memória. A ficha detalhada conta uma história diferente.
O Conar não proibiu a RAM virtual
Outro ponto que precisa ficar muito claro: a decisão do Conar não significa que a Motorola esteja proibida de oferecer RAM Boost.
A decisão oficial do Conselho de Ética foi pela alteração da publicidade da representação 184/26. O registro público do Conar não diz que a tecnologia deve desaparecer dos smartphones.
O alvo é a comunicação.
Isso é importante porque seria muito fácil transformar o episódio em uma manchete simplista do tipo “Conar prova que RAM virtual não funciona”. Não é isso que aconteceu.
O próprio material oficial da Motorola continua descrevendo o RAM Boost como uma expansão virtual de memória e explicando que ele utiliza parte do armazenamento.
O que muda é a forma como essa característica deve ser apresentada ao consumidor.
E aqui a decisão faz sentido dentro da própria lógica do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.
O artigo 27 determina que o anúncio deve apresentar o produto de maneira verdadeira. O dispositivo também estabelece que descrições, alegações e comparações sobre fatos objetivos precisam ser comprováveis e que textos ou apresentações visuais não devem levar o consumidor a erro por implicação, omissão, exagero ou ambiguidade.
A palavra importante é ambiguidade.
Porque “24 GB” sozinho não explica que tipo de memória compõe os 24 GB.
A letra pequena não salva necessariamente a letra grande

Existe um argumento aparentemente razoável em defesa da Motorola: a empresa explica a composição da memória na ficha técnica.
E isso é verdade.
Nas páginas oficiais, a fabricante informa que o Edge 70 Pro possui 12 GB de RAM física e até 12 GB de RAM Boost. Também esclarece que o recurso virtual utiliza parte do armazenamento e não corresponde à RAM física. No Moto G86, a página informa 8 GB físicos e até 16 GB de RAM Boost.
Só que existe uma diferença enorme entre informar uma informação em algum lugar da página e dar a ela o mesmo destaque que a informação usada para vender o produto.
Se o consumidor encontra primeiro “até 24 GB de RAM” e só depois descobre que o número é composto por duas categorias diferentes, a primeira impressão já foi criada.
É exatamente por isso que a hierarquia visual importa em publicidade.
O consumidor não lê necessariamente uma página de produto como quem analisa um documento técnico. Ele escaneia títulos, números, imagens, preço e principais características. O número maior tende a chamar atenção antes da nota explicativa.
Não é preciso presumir má-fé para reconhecer esse efeito.
Basta olhar para a forma como a informação é organizada.
E o armazenamento entra nessa conta
Existe ainda um detalhe que costuma desaparecer completamente da propaganda: RAM virtual ocupa armazenamento.
No Edge 70 Pro, a Motorola informa que o RAM Boost utiliza parte do armazenamento interno e que o espaço consumido pode chegar a um terço da memória virtual pretendida. A empresa também deixa claro que o armazenamento disponível ao usuário já é inferior à capacidade física anunciada por causa do sistema operacional, softwares, aplicativos e outros componentes.
Isso significa que “12 GB de RAM Boost” não deve ser interpretado como se o telefone tivesse ganhado 12 GB de espaço adicional.
É justamente o contrário.
Parte do armazenamento passa a cumprir uma função auxiliar de gerenciamento de memória.
Em um aparelho com 256 GB, cada gigabyte também pode fazer diferença para quem guarda vídeos, fotos, jogos, documentos e aplicativos pesados. O usuário precisa saber que a expansão virtual não surge do nada.
Por outro lado, também não dá para transformar isso em outro alarmismo.
Não há base suficiente nas fontes consultadas para afirmar que o RAM Boost necessariamente reduzirá de forma significativa a vida útil do armazenamento em todos os aparelhos. O impacto depende da tecnologia utilizada, do controlador, do padrão de uso e de como o sistema administra as operações.
Dizer que RAM virtual é equivalente a RAM física seria errado.
Dizer que ela inevitavelmente “destrói” o armazenamento também seria.
A realidade costuma ser menos divertida do que os slogans.
Motorola diz que já tinha corrigido a comunicação

A reação da Motorola adicionou uma camada importante ao episódio.
Em declaração ao Tecnoblog, a empresa afirmou manter compromisso com transparência e clareza e disse que a alteração exigida pelo Conar já havia sido implementada em seus canais próprios desde o começo de agosto. A companhia também afirmou que o formato anterior era um padrão de mercado e continuava sendo utilizado por outros fabricantes.
Só que a reportagem publicada em 26 de setembro apresentou uma inconsistência nessa cronologia.
Segundo o Tecnoblog, uma verificação realizada em 25 de setembro encontrou diversos produtos na loja oficial ainda utilizando a comunicação questionada. O veículo afirmou que algumas páginas foram alteradas ao longo da sexta-feira, depois da publicação da reportagem sobre a decisão do Conar. A Motorola foi procurada novamente e não respondeu aos novos questionamentos.
Há, portanto, duas informações que precisam permanecer separadas.
A Motorola afirma que havia implementado a mudança desde agosto.
O Tecnoblog afirma ter encontrado evidências de que páginas ainda mantinham a comunicação anterior em 25 de setembro e que alterações ocorreram depois.
O segundo ponto é uma constatação jornalística atribuída ao veículo, não uma decisão independente de que a Motorola mentiu sobre a cronologia. O que está documentado é a divergência entre a declaração da empresa e a verificação publicada pelo Tecnoblog.
“Mas outras marcas fazem isso”

A Motorola também argumentou que a soma de RAM física e RAM virtual era um padrão de mercado.
Existe alguma evidência de que a prática não seja exclusiva da empresa.
Na verificação publicada em 26 de setembro, o Tecnoblog identificou comunicação semelhante em páginas da Xiaomi e da Jovi. O mesmo levantamento não encontrou o problema nos sites consultados de Apple, Samsung, Realme e Oppo.
Isso é importante porque impede uma conclusão simplista de que apenas a Motorola utiliza qualquer forma de expansão virtual.
Não impede, porém, a discussão sobre a forma de apresentação.
“Outras empresas também fazem” não responde à pergunta sobre se a comunicação é clara.
Se três fabricantes apresentarem uma informação de maneira ambígua, teremos três fabricantes apresentando uma informação de maneira ambígua. O número de empresas envolvidas não transforma a categoria técnica em uma só.
E o próprio Conar, neste caso, analisou uma representação específica contra a Motorola.
Não existe, até o momento, uma decisão pública equivalente do órgão sobre todos os fabricantes que eventualmente utilizem comunicação semelhante.
O problema é maior do que a Motorola
É aqui que o caso fica realmente interessante para o mercado.
Fabricantes de smartphones vivem em uma guerra permanente de especificações. Processador, megapixels, watts, hertz, gigabytes e capacidade de bateria viraram números usados para disputar atenção em vitrines, marketplaces, vídeos e redes sociais.
O problema aparece quando números tecnicamente diferentes começam a ser tratados como equivalentes.
A indústria já passou por isso com megapixels, zoom digital, watts de carregamento, “núcleos” de processador e outros indicadores que podem parecer simples, mas exigem contexto.
RAM é apenas o exemplo mais recente.
O risco comercial é óbvio. Se uma marca apresenta 24 GB e outra apresenta 12 GB, o consumidor pode interpretar a segunda como inferior antes mesmo de descobrir que os 24 GB da primeira são compostos por 12 GB físicos mais 12 GB virtuais.
Isso cria um incentivo para que concorrentes adotem a mesma linguagem.
É uma corrida de números.
E corrida de números não necessariamente produz produtos melhores.
O que deveria aparecer na caixa
Na minha leitura, a solução é muito menos complicada do que a publicidade conseguiu fazer parecer.
Para o Edge 70 Pro, a informação principal poderia ser:
12 GB de RAM física + até 12 GB de RAM virtual.
Para o Moto G86:
8 GB de RAM física + até 16 GB de RAM virtual.
Se a fabricante quiser informar que a capacidade agregada chega a 24 GB, não há problema em explicar isso como uma característica complementar, desde que a composição esteja evidente e que o número agregado não substitua a especificação física.
A própria Motorola já possui todas as informações necessárias para fazer isso.
O que o Conar colocou em discussão não é uma limitação tecnológica. É uma questão de comunicação.
E comunicação importa porque o consumidor compra aquilo que consegue comparar.
O que muda para quem está comprando um Motorola

Para o consumidor, a regra mais simples é também a mais útil: ignore o número total até descobrir de onde ele veio.
Quando aparecer “até 24 GB de RAM”, procure imediatamente a composição.
Veja quantos gigabytes são de RAM física.
Depois descubra quanto corresponde ao RAM Boost.
Só então compare o aparelho com outro modelo.
Também vale conferir se o recurso está ativado por padrão. No Edge 70 Pro, a Motorola informa que o RAM Boost é ativado por padrão, embora possa ser desativado pelo usuário.
Outro ponto é verificar quanto armazenamento ficará disponível para seus arquivos e aplicativos.
E, principalmente, não use a quantidade agregada de RAM como sinônimo de desempenho.
Um celular com 12 GB de RAM física pode oferecer uma experiência muito melhor que outro anunciado com 24 GB quando os 12 GB adicionais do segundo são apenas memória virtual. Processador, armazenamento, software, temperatura, otimização e arquitetura continuam importando.
O número maior não apaga o restante da ficha técnica.
O consumidor também precisa mudar a forma de comparar
Existe uma parte dessa história que não pode ser colocada apenas na conta das fabricantes.
O mercado ensinou o consumidor a comparar números.
Mais megapixels parece melhor.
Mais watts parece melhor.
Mais gigabytes parece melhor.
Mais núcleos parece melhor.
Mais hertz parece melhor.
Só que tecnologia raramente funciona dessa maneira.
Uma especificação isolada diz muito pouco quando não sabemos como ela foi obtida, em quais condições funciona e o que efetivamente muda na experiência.
No caso da RAM, a comparação correta é particularmente simples: RAM física contra RAM física.
Depois, separadamente, podemos discutir RAM virtual.
Isso não torna a ficha técnica mais complicada.
Na verdade, torna a comparação muito mais honesta.
E o que acontece agora?
O Conar decidiu pela alteração da publicidade da Motorola, e a empresa informou que analisará o teor da decisão para avaliar possíveis medidas adicionais. O regulamento do próprio órgão prevê recurso contra suas decisões.
Também não há motivo para tratar a decisão como se fosse uma sentença judicial.
O Conar é uma entidade de autorregulamentação publicitária. Suas decisões não têm o mesmo peso de uma decisão de um tribunal estatal, embora o próprio órgão informe que suas recomendações são rigorosamente respeitadas pelos veículos de comunicação e que podem determinar alteração ou interrupção de uma peça publicitária.
Ao mesmo tempo, o caso acontece em um momento em que a transparência da publicidade digital está recebendo atenção institucional no Brasil. Em julho de 2026, o Ministério da Justiça e Segurança Pública anunciou um acordo de cooperação entre Senacon, Secretaria de Direitos Digitais e Conar para promover publicidade mais transparente e responsável, especialmente no ambiente digital.
Isso não significa que a decisão contra a Motorola tenha sido causada por esse acordo. O processo da RAM é identificado pelo Conar como representação 184/26 e foi julgado em 24 de setembro. O contexto apenas mostra que transparência publicitária está longe de ser uma discussão exclusivamente tecnológica.
O número não é mentira. O problema é o que ele sugere

É justamente aqui que eu acho que a discussão precisa ficar mais madura.
Chamar os “24 GB” da Motorola simplesmente de fraude seria tecnicamente preguiçoso. A soma existe, a RAM Boost existe e a própria fabricante explica a composição nas informações detalhadas dos produtos.
Mas também é simplista dizer que, porque a nota técnica explica tudo, não existe problema de comunicação.
O consumidor não deveria precisar desmontar mentalmente uma promessa comercial para descobrir o que está comprando.
Quando um Edge 70 Pro aparece como um smartphone com até 24 GB, a informação relevante não é apenas que 12 + 12 = 24. É que 12 GB estão fisicamente instalados e os outros 12 GB dependem de um recurso de software que utiliza o armazenamento interno.
No Moto G86, a diferença é ainda maior: 8 GB físicos contra até 16 GB virtuais.
Colocar os dois resultados sob a mesma etiqueta de “24 GB de RAM” simplifica justamente aquilo que não deveria ser simplificado.
E essa é a parte mais importante da decisão do Conar.
A Motorola não precisa abandonar o RAM Boost.
O consumidor não precisa ter medo do RAM Boost.
Os fabricantes não precisam fingir que memória virtual não existe.
O que precisa desaparecer é a ideia de que RAM física e RAM virtual são apenas duas maneiras equivalentes de contar a mesma coisa.
Porque não são.
E, se uma ficha técnica precisa de letras pequenas para explicar por que o número grande não significa exatamente o que parece significar, talvez o problema nunca tenha sido a quantidade de RAM.
Foi o tamanho da letra.
Via: Conar — decisão da sessão de 24 de setembro de 2026, Tecnoblog, Motorola Edge 70 Pro — loja oficial, Motorola Moto G86 — loja oficial, Tecnoblog
