
O impacto das robocalls na sociedade brasileira é mais profundo do que parece. Embora inicialmente pareçam apenas um incômodo, essas ligações automáticas estão se tornando uma ameaça à privacidade e à segurança, já que sua sofisticação permite burlar sistemas de bloqueio.
A constante invasão de chamadas tem gerado frustração e insegurança, além de prejudicar a comunicação em momentos cruciais, como emergências médicas ou ofertas de emprego. Com o crescimento das tecnologias de falsificação de números, a população se encontra vulnerável e sem recursos suficientes para impedir esse tipo de invasão.
Neste artigo, vamos apresentar algumas dicas para se prevenir contra a prática, e ferramentas que podem ajudar a reduzir o incômodo das chamadas automáticas.
Os prejuízos diretos das robocalls
Além do incômodo, um problema grave gerado pelas robocalls é a mudança comportamental dos brasileiros ao atender ligações de números desconhecidos.
O medo de ser alvo de mais um golpe tem levado muitas pessoas a ignorar chamadas legítimas, o que pode resultar em perda de oportunidades vitais, como a chance de conseguir um emprego ou de ser contactado em situações emergenciais, como transplantes de órgãos.
Os efeitos colaterais revelam a magnitude do impacto social das robocalls, que prejudicam a confiança das pessoas na tecnologia que, ao invés de aproximar, tem afastado as relações humanas.
A prevenção contra as robocalls exige ações coordenadas entre consumidores, empresas e reguladores. Algumas medidas práticas podem ser adotadas, como o registro no serviço “Não Me Perturbe” da Anatel e a denúncia de abusos a órgãos de defesa do consumidor.
No entanto, a eficácia desses métodos ainda é limitada. Novas tecnologias de proteção, como a “origem verificada”, que permite confirmar a autenticidade de uma chamada, são essenciais para reduzir os danos causados pelas chamadas automáticas.
O engajamento da população e a colaboração com as operadoras são fundamentais para enfrentar esse problema.
A resposta a robocalls: o que fazer?
Caso você atenda uma robocall, a melhor prática é não interagir. Isso porque, mesmo que você não caia no golpe, o simples fato de atender a ligação faz com que os golpistas saibam que o número está ativo, o que os motiva a tentar novamente.
Por isso, evitar responder a números desconhecidos é uma das melhores formas de reduzir o volume dessas chamadas. A cada vez que você atender, mais difícil será interromper esse ciclo de invasões.
Deixar o telefone tocar ou usar sistemas automáticos para identificar (e bloquear) chamadas suspeitas são alternativas eficazes.
Uma medida de precaução importante é evitar dar respostas simples como “sim” durante uma chamada. Os golpistas frequentemente iniciam as robocalls com uma pergunta aparentemente inofensiva, como “Você me escuta?”, buscando capturar sua voz para usá-la em fraudes.
A resposta afirmativa pode ser utilizada em esquemas de engenharia social para confirmar que o número é legítimo e ativo. Portanto, mesmo que não haja perigo imediato, a prudência ao evitar essas interações pode impedir danos futuros.
Além de não responder ou interagir com as chamadas, uma prática fundamental é relatar a robocall aos órgãos competentes.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a FTC recebe denúncias de números suspeitos, o que ajuda a rastrear os responsáveis pelas chamadas fraudulentas.
No Brasil, a população também pode recorrer a plataformas para denunciar abusos, colaborando para uma resposta mais eficaz ao problema.
A atuação conjunta entre usuários e entidades reguladoras é essencial para identificar os golpistas e interromper suas operações.
Como identificar e bloquear robocalls
A identificação de robocalls tornou-se um desafio com o crescimento das tecnologias de falsificação de número, onde os golpistas alteram os identificadores de chamadas para parecerem legítimos.
Ao fazer isso, eles tentam enganar os usuários para que atendam às ligações. Por isso, a forma como você reage ao identificar uma chamada é crucial.
Se o número não for reconhecido, o melhor é evitá-lo ou, caso necessário, retornar a chamada após verificar sua veracidade. E quando a origem é claramente suspeita, é aconselhável não atender.
Uma vez que você tenha identificado uma chamada como sendo de um robocall, é importante agir rapidamente para bloquear o número. Tanto no iPhone quanto no Android, é possível bloquear números manualmente ou usar as configurações do sistema para redirecionar chamadas de números desconhecidos para o correio de voz.
Essas opções são uma maneira prática de evitar que futuras chamadas indesejadas cheguem até você, melhorando a eficiência do bloqueio de spam.
Para aumentar a proteção contra robocalls, é possível instalar aplicativos de terceiros, que podem identificar e bloquear automaticamente chamadas suspeitas. Soluções para o sistema operacional Android oferecem funcionalidades como filtros de chamadas, que permitem bloquear números conhecidos por envolvimento com fraudes.
Além disso, esses aplicativos oferecem a vantagem de identificar automaticamente padrões de chamadas fraudulentas, ajudando na segurança do usuário.
Como as operadoras estão ajudando a bloquear chamadas fraudulentas
As operadoras de telefonia desempenham um papel fundamental na proteção contra as robocalls, mas a atuação delas ainda precisa ser aprimorada. Alguns serviços, como bloqueios automáticos de números suspeitos, são oferecidos, mas a eficácia desses sistemas varia de acordo com a operadora.
A implementação de tecnologias avançadas, como a autenticação de chamadas e o filtro de chamadas fraudulentas, tem sido uma das estratégias adotadas, mas depende da colaboração entre as operadoras e as autoridades de regulamentação.
Para quem utiliza tecnologia VoIP (Voice over Internet Protocol), como a telefonia fixo por IP, há a possibilidade de integrar softwares que bloqueiam chamadas automáticas e fraudes.
Os provedores de VoIP estão cada vez mais conscientes da importância da proteção contra robocalls e, por isso, oferecem ferramentas de segurança para seus clientes.
Entrar em contato com o provedor e verificar as opções de proteção contra chamadas automáticas é uma recomendação importante.
Em relação a dispositivos de linha fixa tradicionais, é possível investir em aparelhos especializados para bloquear chamadas indesejadas. Esses dispositivos funcionam com uma lista de números conhecidos por envolvimento em fraudes, sendo eficazes para a interceptação e bloqueio de robocalls.
Alguns modelos oferecem a possibilidade de personalizar essas listas de bloqueio, proporcionando um controle maior sobre quem pode ou não entrar em contato.
Tipos de robocalls e como se proteger
As robocalls não são apenas irritantes, mas também podem ser extremamente perigosas. Elas incluem uma série de golpes que se disfarçam de chamadas legítimas para enganar os usuários.
Entre os tipos mais comuns, destacam-se as chamadas de spoofing, que imitam números locais ou conhecidos, e os golpes relacionados a fraudes de impostos ou caridade.
Para se proteger, é importante manter a vigilância e ter cuidado com ligações que solicitam informações pessoais ou financeiras.
Um tipo particularmente insidioso de robocall envolve fraudes de seguros de saúde, onde os golpistas tentam convencer os consumidores a fornecer informações pessoais sob o pretexto de oferecer benefícios de saúde ou descontos.
É muito importante verificar a autenticidade dessas chamadas, especialmente se você não tiver solicitado o serviço. O mesmo vale para outros tipos de chamadas fraudulentas, como esquemas de empréstimo e fraudes de atendimento ao cliente.
Por fim, as chamadas fraudulentas não se limitam a uma região ou idioma específico. Existem casos, como as robocalls chinesas, que visam imigrantes ou falantes de mandarim, utilizando disfarces como avisos do Banco Central ou Receita Federal.
Esse tipo de golpe explora o medo e a confusão, sendo fundamental que os usuários estejam informados sobre as ameaças específicas à sua região ou comunidade.

