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Como salvar o Apple TV+, que sangra US$ 1 bilhão por ano apesar dos 45 milhões de assinantes

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A Apple finalmente enfrenta a dura realidade de seu serviço de streaming.

Após cinco anos de operação, o Apple TV+ perde mais de US$ 1 bilhão anualmente, de acordo com uma reportagem do The Information. Este dado surpreendente supera até as estimativas mais pessimistas sobre as finanças da plataforma.

Alguns fatores que ajudam a explicar esse prejuízo são de fácil diagnóstico: a ausência do Apple TV+ nos dispositivos Android, o baixo retorno comercial das produções e o simples fato de trabalhar exclusivamente com produções originais.

E essas perdas bilionárias podem ajudar a explicar inclusive a recente parceria com a Amazon para colocar o Apple TV+ dentro do Prime Video.

Mas… o que mais esses números podem contar (ou esconder) sobre a saúde e o futuro do Apple TV+?

 

Explicando a enorme contradição

O abismo entre concorrentes é incontestável. Ted Sarandos, CEO da Netflix, não poupou palavras pouco elogiosas à estratégia da Apple em entrevista à Variety: “Não entendo além de uma jogada de marketing, mas eles são pessoas inteligentes. Talvez vejam algo que nós não vemos.”

A realidade é clara: em julho, a Bloomberg reportou que o Apple TV+ teve menos visualizações em um mês que a Netflix em um único dia.

A explicação para o desastre financeiro reside nos investimentos exorbitantes em produções cinematográficas. “Napoleão” de Ridley Scott e “Os Assassinos da Lua das Flores” de Martin Scorsese foram apenas o começo.

A verdadeira catástrofe veio com “Argylle”, que custou US$ 200 milhões e arrecadou meros US$ 35 milhões. Mesmo “Wolfs”, estrelado por Brad Pitt e George Clooney, foi lançado diretamente na plataforma para evitar prejuízos ainda maiores nos cinemas.

Ironicamente, o serviço vive seu melhor momento em termos de imagem. A aclamada segunda temporada de “Ruptura” (que está oficialmente renovada para uma terceira temporada) transformou a série de cult a fenômeno unanimemente celebrado, supostamente atraindo dois milhões de novos usuários no último mês. O retorno de “Ted Lasso”, que recentemente foi renovada para a sua quarta temporada, também promete ajudar a impulsionar o serviço.

Os dados são ainda mais surpreendentes considerando o desempenho geral da Apple. A empresa fechou o último trimestre com US$ 124,3 bilhões em receita e US$ 36,3 bilhões em lucro. O setor de serviços, que inclui Apple Music, App Store, iCloud e Apple Care, cresceu impressionantes 14% em relação ao ano anterior.

 

Chegou a hora de mudar a perspectiva

Como parte de uma estratégia de contenção, a Apple reduziu o orçamento inicial do Apple TV+ em aproximadamente US$ 500 milhões dos US$ 5 bilhões previstos. Mesmo assim, a plataforma representa menos de 1% da audiência mensal total de serviços de streaming, contra 8,2% da Netflix, segundo dados da Nielsen.

Analistas apontam que o Apple TV+ foi concebido principalmente para manter os usuários no ecossistema da empresa. Outros serviços como Apple News Plus, Fitness Plus e Apple Arcade também enfrentam baixo uso e lucratividade, o que mostra uma certa fragilidade momentânea no setor de serviços da gigante de Cupertino.

Fontes indicam que, sem a inclusão no pacote Apple One (adquirido principalmente pelo iCloud Plus), esses serviços “provavelmente não seriam lucrativos”. E tudo isso só reforça a ideia de que a Apple precisa mudar a sua perspectiva sobre o Apple TV+, já que este é (aparentemente) o segmento mais caro dentro do setor de serviços da empresa.

A Apple já demitiu cerca de 100 funcionários de sua divisão de notícias e livros no ano passado, sinalizando uma possível reestruturação mais ampla em seus serviços digitais menos rentáveis. O mesmo deve acontecer com o Apple TV+, em nome de sua sobrevivência.

Não é de hoje que estamos afirmando que o serviço de streaming da Apple está sob ameaça porque a conta entre os custos operacionais e a rentabilidade obtida como retorno comercial simplesmente não fecha.

E diante desse enorme prejuízo anual, ou a Apple repensa o modelo do Apple TV+ como um todo (e rema muito mais que as outras para sobreviver), ou esse serviço de streaming está condenado ao desaparecimento a médio prazo.


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