
Temos que nos preocupar SEMPRE com a segurança financeira dos nossos avós, já que todos nós estamos vivendo a era digital e, com ela, temos que conviver com as ameaças que estão presente nessa nova fase da vida.
A sofisticação dos golpes é cada vez maior, ainda mais com os recursos fornecidos por plataformas de inteligência artificial. E não são poucos os golpes direcionados ao grupo da melhor idade que, por regra, é mais suscetível a ser enganada por práticas de engenharia social.
Cabe aos familiares orientar e proteger os mais velhos dessas ameaças, com educação financeira e monitoramento constante. São as aposentadorias, pensões e economias de uma vida inteira que estão em jogo.
A partir de agora, compartilhamos quais são os golpes mais comuns que afetam aos idosos brasileiros.
O golpe do falso sequestro
Esse aqui é “um clássico”. E não me entenda mal quando uso essa expressão.
O golpe do falso sequestro, também conhecido como golpe do falso parentesco, se caracteriza pelos criminosos entrando em contato com a vítima por telefone e relatam que um familiar próximo, como um filho ou neto, está em perigo iminente, criando um clima de desespero.
Sob pressão emocional, o idoso é induzido a fazer transferências bancárias imediatas para salvar o parente. O golpe se vale da reação instintiva de proteção para prejudicar financeiramente aquela pessoa.
A principal recomendação é manter a calma e, antes de qualquer ação, tentar contatar diretamente o familiar citado ou outro membro da família para confirmar a veracidade da situação.
O golpe da falsa retirada do cartão pelo motoboy
Um golpe que se tornou mais popular nos últimos anos, e que também se vale da ingenuidade dos mais velhos em acreditar na palavra de um desconhecido.
Nesse esquema, os criminosos se passam por funcionários de instituições financeiras e afirmam que o cartão bancário do idoso foi clonado. Algo que realmente pode acontecer a qualquer momento com qualquer um de nós.
Com essa desculpa, solicitam que o cartão seja entregue a um motoboy que passará em sua residência, supostamente para providenciar a troca ou análise do mesmo.
Na verdade, o “motoboy” pode roubar ou clonar o cartão da vítima (que ainda está funcional) ou realizar crimes piores, inclusive ameaçando a integridade física do idoso.
Os bancos não enviam funcionários para coletar cartões, tampouco solicitam senhas por telefone. Se o cartão realmente foi clonado, a instituição financeira detecta o comportamento anormal, bloqueia o cartão e envia pelos correios um novo cartão para o cliente.
A melhor conduta nesses casos é encerrar a ligação imediatamente e procurar o banco por meio de canais oficiais, como o telefone impresso no verso do cartão ou diretamente com o gerente.
Como evitar esses golpes com os idosos
Prevenir é melhor do que remediar.
Além de usar o senso comum para reduzir as chances de os criminosos obterem sucesso na investida, também é importante atuar na organização e no planejamento financeiro dos idosos.
Uma primeira etapa é revisar o orçamento mensal, identificando todas as fontes de renda, como aposentadorias, pensões e eventuais aluguéis, e comparando com os gastos fixos e variáveis.
Muitas vezes, é possível encontrar despesas desnecessárias, como serviços de assinatura que não são mais utilizados ou pacotes de telefonia que excedem o consumo real. Com esse mapeamento, torna-se viável ajustar os custos e aliviar o orçamento.
Em seguida, é recomendável analisar como estão sendo aplicados os recursos guardados.
Muitos idosos mantêm seu dinheiro em contas poupança por questões de segurança e familiaridade, mas isso nem sempre representa a melhor opção.
Família e cuidadores podem auxiliar na busca por alternativas mais rentáveis e igualmente seguras, como CDBs com liquidez diária, fundos de investimento de baixo risco ou títulos do Tesouro Direto.
Além disso, é importante acompanhar essas aplicações periodicamente, garantindo que os recursos estejam protegidos e rendendo adequadamente.
O envolvimento da família não deve se limitar à prevenção de fraudes, mas também deve incluir uma participação ativa no cotidiano financeiro dos idosos.
Incentivar conversas abertas sobre dinheiro, criar um ambiente de confiança e estar presente nas decisões financeiras são atitudes que fortalecem a autonomia dos avós, ao mesmo tempo em que oferecem suporte e segurança contra ameaças externas.
Por mais difícil que seja ter esse diálogo com pais e avós (que, na grande maioria dos casos, são resistentes à mudanças, pois acreditam que sabem de tudo), a transparência é sempre uma solução muito menos dolorosa do que ter que perder tempo em delegacias e bancos para tentar consertar os estragos promovidos pelos criminosos.

