A troca de smartphones é um processo importante para o consumidor e para os grandes fabricantes. Todos os anos, o mercado recebe novos produtos, apostando que os usuários ávidos por novas tecnologias vão investir o seu dinheiro nesses dispositivos. Mas na prática, não é isso o que acontece, pois simplesmente não conseguimos mais acompanhar o ritmo de lançamento dos fabricantes.

O modelo de negócio estabelecido pelos fabricantes dá sinais de esgotamento, e a estagnação nas vendas é o maior sintoma disso. Nem mesmo a Apple conseguiu escapar, e os usuários estão esperando cada vez mais para trocar de smartphone.

O que os fabricantes estão fazendo para reverter a situação?

Antes de tentar encontrar respostas, é importante deixar claro que um ciclo maior para troca de smartphone não se limita aos usuários que ficam com o mesmo produto por mais de dois anos, mas inclui também todos aqueles que não seguem o ciclo de renovação anual imposto pela indústria.

 

 

Por que esperar para trocar de smartphone?

 

 

Essa é a pergunta mais importante.

No passado, a diferença entre um smartphone top de linha e um dispositivo de linha média era enorme, tanto no hardware quanto no uso de materiais para acabamento. Até mesmo na política de atualização de software as diferenças eram perceptíveis, com prioridade para os modelos mais caros.

Com a chegada do Android One e as muitas pressões por parte dos usuários, a distância entre modelos top de linha e linha média diminuiu bastante. Aos poucos, os smartphones intermediários foram recebendo materiais mais nobres, e a combinação CPU, RAM, armazenamento, câmeras e software se tornou bem mais equilibrada.

A consequência dessa evolução foi clara: os fabricantes tiveram que apostar na inclusão de melhorias e novidades exclusivas que, no final das contas, prolongou o ciclo de vida da maioria dos smartphones. Não é exagero ver um Galaxy S7 oferecendo um ótimo desempenho até hoje. E este é um top de linha de 2016.

Hoje, os usuários são cada vez mais conscientes que o seu velho smartphone ainda oferece muito, e isso se nota claramente na estagnação nas vendas.

 

 

O que os fabricantes vão fazer?

 

 

Seguir apostando na inovação e na inclusão de funções exclusivas nos modelos top de linha (acabamentos de tela, configurações com múltiplas câmeras, telas flexíveis, etc), que em dois anos acabam chegando na maioria dos dispositivos de linha média.

Também é importante diversificar o mercado top de linha para alcançar um número maior de usuários. Apple e Samsung abraçaram essa estratégia nos últimos anos, e no lugar de lançar um único modelo top, lançam dois ou três, com diferenças pontuais para oferecer mais opções de preços.

Ou seja, diversificar para alcançar tanto aqueles que podem pagar muito caro por um top de linha quanto aqueles que podem pagar caro mas nem tanto, e ainda querem ter uma experiência de uso premium.

Mas isso não é tudo.

Alguns fabricantes também estão recebendo os modelos de segunda mão para oferecer descontos na compra dos dispositivos de nova geração, ou ainda oferecem acessórios associados durante o período de pré-venda dos novos modelos.

Ou seja, existem algumas formas de estimular o consumidor a trocar de smartphone com maior frequência, e cada fabricante adota a sua estratégia nesse sentido. Por outro lado, muita gente está propensa a manter o seu dispositivo por mais de dois anos, não enxergando uma necessidade real de troca para acessar as novas funções.

E eu não acredito que a visão desses consumidores vai mudar a curto ou médio prazo.