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Como os cinemas podem voltar a ocupar mais assentos?

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O setor de cinemas enfrenta um dilema existencial com a queda contínua de público e bilheteria para patamares abaixo dos níveis pré-pandemia. O aumento da receita de streaming contrasta com a estagnação da receita real de bilheteria, o que eleva a percepção de custo do ingresso. A consultoria Bain & Co. propôs, em um novo relatório de pesquisa, soluções focadas na reinvenção da experiência cinematográfica.

O público não abandonou totalmente as salas, mas exige um motivo mais forte e convincente para deixar o conforto de casa. O relatório enfatiza que o sucesso reside no investimento estratégico em premiumização, personalização e parcerias eficientes. A pandemia apenas intensificou as tendências de consumo digital já existentes, criando um ambiente de “Era das Inundações” de conteúdo.

Em um mundo onde a mídia está em toda parte e a frequência aos cinemas domésticos é apenas 64% dos níveis pré-pandemia, a indústria precisa de diferenciação. As empresas vencedoras reconhecerão que a exibição deve ser redefinida como uma experiência premium e insubstituível, não apenas como a distribuição de conteúdo. O foco deve ser em imersão, espetáculo e a insubstituível experiência social compartilhada.

 

Tornar a experiência algo “premium”

A experiência cinematográfica deve ser urgentemente reformulada como um evento premium e um destino atraente. Líderes da indústria reconhecem que o cinema precisa se posicionar como um produto de luxo acessível, oferecendo mais do que a simples exibição de um filme. Essa nova identidade é crucial para competir com o conteúdo streaming “bom o suficiente” disponível em casa.

Essa promessa premium pode ser cumprida através de auditórios aprimorados, serviço de alta qualidade e personalização em todos os pontos de contato. A imersão e o espetáculo inerentes ao cinema são seus principais benefícios, impossíveis de replicar totalmente no ambiente doméstico. O cinema precisa capitalizar a superioridade da tela grande, do som de alta fidelidade e do conforto exclusivo das salas modernas.

Embora o custo do ingresso em termos reais esteja estável desde 2010, o custo total da visita aumentou devido ao encarecimento dos lanches e bebidas. Ao elevar a qualidade geral da experiência, o preço premium se torna justificado na mente do consumidor. É imperativo que os executivos invistam continuamente em ofertas que superem o padrão, para garantir que o cinema seja visto como um tratamento especial.

 

Fortalecer o senso de comunidade

Os cinemas podem alavancar o senso de comunidade para atrair o público e transformar o ato de assistir a um filme em uma experiência social compartilhada. Oferecer espaços sociais e sediar eventos comunitários cria um ambiente de encontro que transcende o filme exibido. Cinemas independentes já oferecem clubes de cinema, eventos temáticos e sessões de perguntas e respostas com diretores, servindo de modelo a ser escalado.

O componente social da visita ao cinema se traduz ativamente nas redes sociais, gerando “mídia conquistada” orgânica e de grande valor. A pesquisa Bain de 2025 revelou que 64% dos frequentadores de entretenimento presencial nos EUA compartilham suas experiências em plataformas como Instagram e TikTok. Os exibidores e estúdios devem ativamente apoiar e incentivar essa criação de conteúdo, como memes, reviews e cosplay.

Criar um ambiente onde o público se sinta parte de um evento ou de uma celebração cultural incentiva o retorno e a lealdade. O foco na experiência coletiva e na cultura pop, em vez de apenas no produto em si, transforma a ida ao cinema em uma atividade essencial para os fãs. A comunidade é o antídoto mais eficaz contra o isolamento do consumo individual em streaming.

 

Investir nas ofertas personalizadas ao cliente

A personalização é fundamental para reengajar o público, tornando a visita ao cinema mais relevante e adaptada às preferências individuais. A aplicação de dados do consumidor permite que estúdios e exibidores ofereçam promoções, combos e até merchandising segmentado. Parcerias de dados podem aumentar drasticamente a capacidade de buscar e responder a oportunidades de audiência específica.

A personalização se estende desde o processo de compra do ingresso até a experiência na sala de cinema, buscando fidelizar o cliente a longo prazo. Um atendimento personalizado e a oferta de serviços exclusivos (como poltronas reclináveis nomeadas ou acesso a eventos privados) reforçam o valor da oferta premium. O objetivo é fazer o consumidor se sentir visto e valorizado, algo difícil de replicar na massificação do streaming.

A personalização também envolve a compreensão das tendências de consumo de mídia, que é cada vez mais interativo e de formato curto. O cinema precisa inovar para que sua experiência de formato longo se encaixe no desejo do consumidor por engajamento ativo. (Especulação: Isso pode incluir o uso de aplicativos interativos durante a espera ou a customização de trailers baseada em data mining).

 

Criar um conteúdo inovador, que vá além das franquias

Embora possuir grandes propriedades intelectuais continue sendo fundamental para o sucesso das bilheterias, o público anseia por novidade. A Bain adverte que franquias grandes e orçamentos de marketing robustos sozinhos não garantem mais o sucesso, especialmente com muitas salas de cinema vazias. A dependência excessiva de sequências e reboots pode levar à fadiga do público.

O setor deve buscar a inovação em formatos e conteúdos, reconhecendo o sucesso perene de filmes originais, transmissões ao vivo e filmes de shows. Filmes de shows e eventos esportivos ao vivo demonstraram ser formas eficazes de atrair públicos novos e existentes para as salas. Essas ofertas alternativas ajudam a preencher as lacunas do calendário de lançamentos de Hollywood, ainda afetado pela pandemia e greves passadas.

A resposta da indústria deve ser a criação de novos tipos de parcerias para trazer conteúdo criativo e formatos inovadores para os clientes. Isso inclui colaborações com artistas, ligas esportivas e criadores de conteúdo digital para transformar o cinema em um centro de cultura pop diversificado. (Especulação: O uso de Realidade Aumentada e formatos interativos, como apontado por outras tendências, pode ser parte dessa inovação no conteúdo).

 

Estabelecer parcerias estratégicas e colaborativas

As parcerias são um pilar essencial para a reinvenção do cinema, abrangendo desde a distribuição de conteúdo até o naming right de salas de exibição. Executivos de cinema reconhecem que não há escolha a não ser se reinventar, e isso exige colaboração entre estúdios, exibidores e marcas externas. Parcerias com marcas fortes se tornaram cada vez mais comuns para promoções e patrocínios.

No Brasil, o conceito de naming rights está em ascensão, com empresas como Petrobras, Claro e Bradesco investindo em complexos e salas VIP. Essas parcerias não apenas fornecem capital, mas também oferecem descontos e benefícios aos clientes dos parceiros. (Exemplo: Claro oferece descontos de ingresso para seus assinantes).

Além das parcerias de naming rights, colaborações com plataformas de conteúdo e veículos de mídia (como a parceria AdoroCinema e ExpoCine) ajudam a impulsionar o engajamento e a conscientização do público. A indústria deve buscar ativamente alianças que expandam seu alcance e ofereçam valor agregado, como programas de fidelidade que incluem benefícios de cinema. As empresas vencedoras investirão em ofertas que superam a experiência em casa, e as parcerias certas são o caminho para esse objetivo.

 

Via The Hollywood Reporter


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