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Como o YouTube se tornou o novo rei da TV nos EUA

O YouTube é o novo rei da TV nos Estados Unidos, e isso não me pega de surpresa. De forma alguma.

Tudo o que está acontecendo neste exato momento me faz acreditar que estamos diante de uma mudança de comportamento que é global. Eu mesmo aqui no meu apartamento já passo mais tempo assistindo aos vídeos no YouTube do que a TV por assinatura ou streaming.

E penso que não sou o único a fazer isso.

Considerando o tamanho que a plataforma já tem e, em paralelo, a mudança de comportamento dos usuários, os resultados de momento são mais do que naturais e lógicos.

Quem tem que se preocupar com tudo isso a partir de agora são os executivos das plataformas de streaming, que não conseguem roubar audiência de alguém como o Felipe Neto… ou até mesmo eu, que tem um canal no YouTube que só agora está chegando aos 50 mil inscritos.

 

O que está acontecendo

O que é fato neste momento é que, aparentemente, a televisão tradicional já não ocupa o posto de protagonista na sala de casa dos norte-americanos. E isso é algo surreal, ainda mais considerando que este é o país que criou o modelo de negócio da TV por assinatura.

Um estudo recente indica que o YouTube ultrapassou a TV ao vivo nos Estados Unidos, algo que parecia distante há poucos anos. Os dados surgem após cinco anos de acompanhamento e entrevistas com milhares de adultos, revelando um cotidiano em que o consumo de mídia se espalha por diferentes formatos e se mistura com outras atividades.

Para o grande público, o YouTube deixou de ser visto como um espaço de vídeos improvisados, o que fez com que o serviço se tornasse aos poucos o favorito das telas maiores da casa. E todos nós testemunhamos o aumento gradativo de qualidade nos conteúdos entregues para a audiência.

Resultado: muitos de nós trocamos a programação do Discovery Home & Health no Claro TV+ para ver aos episódios de forma direta no “canal do canal” dentro da plataforma. Não é um exagero dizer que, por causa disso, temos mais uma pedra no sapato da TV paga que conhecemos.

Ou seria mais um prego no caixão do formato, que está mais do que obsoleto?

Além disso, quando somado a outras redes de vídeo, o conteúdo de criadores já supera a soma da TV ao vivo com os serviços de streaming pagos, mostrando que o público busca variedade e autonomia na hora de escolher o que assistir.

 

Hábitos que mudam

A maioria das pessoas não assiste à TV de forma exclusiva, dividindo o foco entre a tela e outras tarefas, o que revela um padrão de consumo fragmentado. A multiplicidade de opções reforça ainda mais esse comportamento, e quem se prejudica com isso – mais uma vez – são os canais tradicionais e da TV por assinatura.

Outro ponto que chama atenção é a relação emocional com as plataformas, já que muitos entrevistados afirmam sentir falta do YouTube quando ficam longe dele. Essa sensação de dependência aparece com força nos Estados Unidos e no Reino Unido, reforçando o papel central que a plataforma ocupa no cotidiano.

Ao mesmo tempo, há uma rejeição crescente a anúncios feitos com inteligência artificial, especialmente entre a Geração Z, que demonstra desconforto com esse tipo de conteúdo.

Aliás, fica a dica: se você quer crescer no YouTube, abandone a inteligência artificial desde já. Não só por conta das políticas que foram implementadas recentemente, mas principalmente pelo fato de o público rejeitar com força esses conteúdos.

O conjunto dessas informações aponta para um momento de transição, em que o YouTube se consolida como um canal dominante e obriga emissoras e marcas a repensarem suas estratégias.

A televisão, antes soberana, agora divide espaço com um ecossistema de criadores que conquistou a atenção do público de maneira definitiva.

 

O que aprendemos com tudo isso?

Que a TV tradicional precisa se reinventar. Na forma, e no conteúdo também.

No YouTube, vamos encontrar produtores de conteúdo mais espontâneos e com maior capacidade de estabelecer uma conexão direta com a audiência.

Na TV aberta, encontramos o Luciano Huck.

E na TV paga, os canais esportivos com formatos engessados. E com um público que abraçou a proposta da Cazé TV com força.

A parte mais legal de tudo isso é ver como o YouTube democratizou o consumo de conteúdo televisivo, tanto para quem assiste (que encontra variedade e o conteúdo que se conecta com ele), quanto para quem produz (já que qualquer pessoa pode conquistar o seu espaço, mesmo com vídeos de baixo orçamento).

E como a TV tradicional ainda não consegue entender o que está acontecendo, ela vai perdendo o bonde da história.

 

Via Além da Tela