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Como o Prime Video ameaça a Netflix no Brasil

As coisas mudam. E em alguns casos, as coisas se transformam.

O Prime Video está se aproximando da liderança entre as plataformas de streaming no Brasil, ameaçando o reinado histórico da Netflix. Dados do primeiro trimestre revelam que a Amazon reduziu a diferença para dois pontos percentuais (23% contra 21%).

A mudança é impulsionada por direitos esportivos, preços competitivos e integração com benefícios de compras. Sem falar nas recentes parcerias que o Prime Video fez recentemente, tanto com o SKY+ (que passa a oferecer a plataforma em todos os seus planos) e o Apple TV+ (que agora está disponível via Prime Channels).

É o início do fim do império da Netflix no Brasil?

 

Entendendo o cenário de momento

O problema maior está no salto do Prime Video na segunda posição, e nem tanto na queda de 2% da Netflix de um ano para outro.

O Prime Video saltou de 16% em 2024 para 21% em 2025. Para isso, a Amazon capitalizou em cima de uma combinação que sempre funciona com o torcedor brasileiro: preço acessível (R$ 19,90 mensais no plano com anúncios), transmissão do futebol brasileiro (partidas exclusivas da Série A e da Copa do Brasil, sem falar nos jogos da NBA) e descontos em compras no e-commerce.

O conteúdo esportivo pode ser o principal responsável pelo crescimento do Prime Video. Pelo menos 78% da população consome futebol regularmente, e a Amazon entendeu que este era um ativo que não poderia ser desprezado ou desperdiçado.

Em contraste, a Netflix elevou sua assinatura mais barata para R$20,90 (com anúncios), perdendo o título de serviço mais acessível. A mudança aconteceu em paralelo à expansão de catálogos locais: a Netflix investiu R$300 milhões em produções brasileiras em 2024, enquanto a Prime Video lançou 12 séries originais focadas em temas regionais.

 

E as demais?

O Disney+ está na terceira posição com 15% de mercado, sustentada por franquias como Marvel Studios e Star Wars, além das transmissões esportivas dos canais ESPN. Além disso, a plataforma se destaca pela segmentação: 34% dos assinantes brasileiros priorizam conteúdo infantil e familiar, com a Disney ficando com 61% da preferência desse público.

Na quarta posição está o Max (12%), seguida pela Globoplay (11%), que completa o Top 5. E falando especificamente da Globoplay, ela utiliza sua vantagem local para manter o seu público ativo, transmitindo novelas e jornais em tempo real.

No período, o Paramount+ conseguiu dobrar sua participação (de 2% para 4%), também graças ao futebol (adquiriu direitos de jogos da CONMEBOL Libertadores e Sul-Americana), e o Apple TV+ até chega a ameaçar a Disney, já que ampliou recentemente o seu catálogo educacional.

Aqui, existe um padrão claro: apostar no esporte é uma boa alternativa, já que 41% dos brasileiros assinam serviços de streaming específicos para acompanhar eventos esportivos ao vivo.

 

Um mercado em metamorfose

A ascensão da Prime Video simboliza a maturidade do mercado brasileiro de streaming, onde fatores como preço, conteúdo esportivo e integração com outros serviços superam a mera oferta de catálogos.

A Netflix até tenta se reinventar com produções premium e parcerias tecnológicas, como os jogos para smartphones e as transmissões ao vivo de eventos esportivos. Enquanto isso, a Amazon capitaliza sua enorme infraestrutura para criar um ecossistema conectado e eficiente.

O consumidor está olhando para os lados e buscando diferentes alternativas, ao mesmo tempo que precisa lidar com a fragmentação de conteúdo e a saturação de publicidade.

A boa notícia é que dá para fazer rodízio de plataformas de streaming para obter a melhor relação custo-benefício. E os serviços que se virem para se adequar ao novo momento dos assinantes.

 

Via Justwatch.TV, Tecmundo, ExpertMarketResearch.com