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Como o Max protagonizou a pior reformulação de marca da história

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A sequência é essa aqui:

Me lembro de todas as vezes que perdi o meu precioso tempo na frente do computador para escrever sobre mais uma mudança de nome do streaming da Warner Bros. Discovery.

E a parte que mais me dói é que eu consigo presumir que essa não será a última alteração, pois existem fortes rumores de um possível divórcio entre HBO e Discovery a caminho.

Ao menos fui testemunha ocular do pior processo de rebranding ou mudança de marca da história do entretenimento.

 

Jogou no lixo uma marca consolidada

É inacreditável como David Zaslav, CEO da Warner Bros. Discovery, simplesmente ignorou um legado com mais de cinco décadas (na época do lançamento do Max) para apostar na estúpida ideia do “vou me afastar de uma marca que é sinônimo de qualidade premium”.

Sério: quem quer isso na vida?

A Paramount (apenas para citar um exemplo) mataria para ter uma marca do porte da HBO. A Comcast também. Até a Apple, que luta para fazer o Apple TV+ dar certo.

Todo mundo queria ter uma HBO para colocar no seu streaming.

Só imagino a Disney dispensando esse legado, porque possui um legado muito maior.

Foi uma ideia absurdamente retrógrada, uma obliteração de pensamento objetivo. Uma ausência de inteligência que, na época, muitos deixaram bem claro que não iria dar certo.

O mesmo Zaslav que ajudou a bagunçar o já altamente questionável “Snyderverso”. O mesmo homem que não pensou duas vezes em unir os conteúdos em um único serviço, mas morria de medo que os consumidores mais casuais se afastassem, só porque o conteúdo era vinculado a uma marca premium.

No mundo perfeito, tanto Zaslav quanto Casey Boys (presidente do grupo HBO) já estavam demitidos dos seus respectivos postos.

E com justa causa.

 

O que deu errado?

Tudo. Absolutamente tudo.

O rebranding em si, que era completamente desnecessário.

Toda a propaganda de marketing para reforçar os novos nomes para o serviço de streaming, que foi mudando de características com o passar do tempo, mas nunca precisou ser rebatizado tantas vezes.

E até mesmo as explicações recentes dos envolvidos, que até reconhecem o erro, mas informam para todo mundo que “decidiram fazer dois anos de experimentos” com a nova marca.

Se eu sou investidor da Warner Bros. Discovery, eu entro em contato com os meus advogados desde já. Pois isso aqui beira ao estelionato retórico.

E eu não estou brincando.

Tudo bem, eu sei que uma decisão desse porte passa pelo conselho da empresa. Todas essas mudanças são aprovadas pelos conselheiros e investidores.

Mas tais mudanças só acontecem porque um CEO propõe isso.

Nada muda o fato de que quem estava lá para comandar a bagaça toda não fez o seu trabalho direito, e as consequências berram a incompetência dos envolvidos.

E no final das contas, a Warner Bros. Discovery que pague uma conta ainda mais gorda com marketing para promover mais uma mudança de nome no seu serviço de streaming.

Algo que poderia ser evitado desde o começo.

Todo mundo avisou que isso ia dar errado.

Inclusive a concorrência.

 

Teimosia ou burrice?

É difícil de imaginar que alguém que tem uma formação de gestão empresarial que eu não tenho cometa esse erro por pura burrice.

Mas aí sou eu sendo inocente e depositando a minha fé na humanidade. E devo pensar que ser teimoso quando todo mundo tenta te alertar é, de certa forma, burrice.

Fato é que: tudo o que tinha que dar errado nessa sequência de CINCO MUDANÇAS DE NOME EM 17 ANOS… DEU ERRADO.

E que fique a lição para todos, inclusive para nós, que só consumimos o conteúdo e testemunhamos o dinheiro desaparecer do nosso cartão de crédito.

Subestimar a percepção de coletivo sobre o valor de uma marca é um dos gestos mais arrogantes e prepotentes que testemunhei ao longo de todos esses anos escrevendo sobre tecnologia.

É tão estúpido quanto Steve Jobs dizendo “vocês estão segurando o iPhone da forma errada”, quando o produto tinha uma evidente falha de projeto.

Acreditar que o consumidor médio não iria entender o valor agregado da marca HBO é achar que todo mundo é imbecil, ou que não vai saber qual é o produto que está consumindo.

Então… Sr. Zaslav… quem é o imbecil agora?


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