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Como o Google não perder o Chrome foi uma vitória para a Apple

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O Google não vai perder o Chrome ou o Android, e respira aliviado por isso. Por outro lado, quem ganha é a Apple, que acaba de receber um poder de barganha que é muito interessante para a sua futura relação com a inteligência artificial de terceiros.

A sentença, embora tenha sido vista como uma vitória para o Google ao evitar medidas mais drásticas, como a venda do Chrome ou a fragmentação do Android, na verdade reposiciona o poder de negociação da Apple, tornando seu acordo com o Google ainda mais lucrativo e flexível.

Vamos entender melhor por que Tim Cook está sorrindo neste momento por causa dessa decisão da justiça norte-americana.

 

Por que o Google vence e perde ao mesmo tempo

O juiz Amit Mehta permitiu que o Google continue a pagar bilhões de dólares a empresas como a Apple para que seu motor de busca seja o padrão. Algo compreensível, porque mesmo que você considere que tal movimento seja um monopólio, é fato também que qualquer empresa pode dizer NÃO para uma pilha de dinheiro.

Acontece que o Google só vai poder fazer isso com a condicionante do fim da exclusividade que tinha com a Apple, abrindo para um cenário de livre concorrência.

Isso significa que o Google pode continuar a ser o motor de busca padrão no Safari, mas não pode mais impedir que a Apple feche acordos com outros concorrentes algo que a gigante de Cupertino está querendo fazer para colocar motores de inteligência artificial para trabalhar em seu favor nos mecanismos de busca.

A Apple agora tem a liberdade de negociar com quem oferecer o maior lance, transformando um “casamento forçado” em um mercado aberto. A mudança força o Google a se manter competitivo, já que a Apple pode, a qualquer momento, considerar outras propostas.

 

Apple, a grande vencedora

A Apple, nesse cenário, é a que mais ganhou com essa decisão da justiça norte-americana.

Ela mantém sua receita bilionária vinda do Google e, ao mesmo tempo, ganha a liberdade de negociar com outros concorrentes, como a Microsoft, que oferece o Bing, ou até mesmo com novas empresas no setor de IA.

A partir de agora, passa a ser uma disputa comercial. Ou um leilão, como queira. Quem pagar a mais e oferecer as melhores opções leva o coração de Tim Cook e as buscas de, pelo menos, 20% do mercado de telefonia móvel.

A nova dinâmica pode aumentar ainda mais os lucros da Apple, já que a empresa pode literalmente leiloar o espaço de busca padrão para o maior lance, ou até mesmo diversificar suas parcerias, recebendo dinheiro de múltiplas empresas de uma só vez.

A decisão do juiz é um sinal de que a justiça está olhando para o futuro, e não apenas para o passado. A ascensão de tecnologias como a inteligência artificial generativa, liderada por players como o ChatGPT, foi um fator-chave na decisão.

O juiz considerou que o mercado de buscas está “sendo rapidamente transformado” e que uma intervenção excessiva, como a fragmentação do Google, poderia ser “muito complicada e arriscada”.

Palavras do juiz do caso:

“O Google continua sendo a empresa dominante nos mercados de produtos [de pesquisa] relevantes. Nenhum rival conseguiu lutar com a participação de mercado do Google. E nenhum novo concorrente entrou no mercado. Mas as tecnologias de inteligência artificial, particularmente a IA generativa, podem acabar sendo um divisor de águas.”

Isso marcou um ponto de virada no mercado de buscas. Agora, a Apple pode experimentar modelos híbridos, usando o Google para pesquisas gerais e, ao mesmo tempo, buscando parcerias com outras empresas para consultas específicas, como as de IA.

 

O grande prejuízo para o Google no futuro

A ameaça para o Google é a possibilidade de um leilão permanente, onde seus custos poderiam disparar, ou a perda de controle sobre uma parte significativa do seu tráfego, caso a Apple decida diversificar as opções de busca.

Isso pode ter efeitos colaterais diversos, dependendo do ponto de vista.

Se por um lado as receitas em publicidade podem aumentar de forma escalonada e em função de uma consequência direta dessa disputa pelo espaço nas buscas da Apple, os custos para um melhor posicionamento e veiculação de anúncios nos mecanismos também podem subir, impactando em alguns aspectos a relação com o consumidor final.

O risco para o Google não é apenas perder a exclusividade, mas enfrentar um leilão permanente. A Microsoft pode decidir investir alto para conquistar o Safari, o que forçaria o Google a aumentar seus pagamentos.

E seria surreal ver o Bing da Microsoft no motor de buscas principal do Safari, pois estamos falando de adversários históricos dentro do mundo da tecnologia. É um paradoxo que muitos de nós ainda não estamos preparados para testemunhar.

Se a Apple diversificar, o Google perderia o controle de uma parte substancial do tráfego do Safari. E como todo mundo está nesse mercado por causa do dinheiro…

O verdadeiro vencedor, portanto, é a Apple, que mantém sua vasta receita e ganha a liberdade de escolher o maior lance, transformando o acordo mais lucrativo de Tim Cook em algo ainda mais valioso.

E o Google que lide com isso sem reclamar muito, pois os resultados práticos poderiam ser muito piores.


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