Não que você já não soubesse como, mas achamos legal explicar melhor.

Um gigante indomável, presente em múltiplas plataformas e senhor dominante das comunicações pessoais. Este é o Facebook.

A empresa que melhor implementou o conceito do “se você não paga pelo produto, o produto é você”. Facebook, Messenger, Instagram e WhatsApp. Tudo isso, de graça. E é você quem justifica os gordos cheques que seus executivos recebem.

E o Facebook cada vez mais mais dinheiro por usuário.

Não é o melhor momento do Facebook, que cresce cada vez menos. Está no seu limite de crescimento, com 2.2 bilhões de usuários ativos mensais, o desgaste natural de uma plataforma que tem muito tempo no ar e todos os escândalos envolvendo a Cambridge Analytica fizeram com que o Facebook perdesse usuários ativos mensais em comparação com o trimestre anterior.

E isso nunca aconteceu antes.

Foi a primeira vez quem um acionista do Facebook perdeu dinheiro:

2013-2014: +101,46%
2014-2015: +43,75%
2015-2016: +33,41%
2016-2017: +9,91%
2017-2018: +53,38%
2018 (até 24 de setembro de 2018): -13,13%

 

 

A esmagadora maioria das receitas do Facebook tem como origem a publicidade (98,6%), e o restante vem de micro-pagamentos de usuários em jogos na rede social, que chegou a render 12% dos lucros. Hoje, mal passa de 1%.

Vale a pena lembrar que o Facebook ganha dinheiro com pessoas que não pagam pelo serviço. A receita média por usuário (global) foi de US$ 1,99 por usuário durante o último trimestre. Quando olhamos para os Estados Unidos e o Canadá, esse valor sobe para US$ 8,63 por usuário. É mais do que os lucros de serviços como Netflix e Spotify.

Isso só é possível porque o Facebook vende os nossos dados para terceiros, além de vender para esses terceiros o acesso a nós através do uso de nossos dados.

O Facebook sabe tudo sobre você, e pega esses dados para vender espaços publicitários no seu Feed de Notícias para empresas que buscam pessoas como você e seus gostos para vender produtos e serviços.

É uma rede publicitária tão otimizada que merece aplausos pelo alcance técnico, e vaias pelo rastreamento tão agressivo com a desculpa de proteger a nossa privacidade.

O Facebook domina completamente as comunicações sociais de todo o planeta, com exceção na China. Das seis redes sociais mais usadas no planeta, quatro pertencem a Mark Zucerkberg: Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp.

Para o futuro, o Facebook tem vários planos para se prevenir de uma eventual queda de sua plataforma. Para começar, a reformulação do Instagram para um apelo mais publicitário e comércio eletrônico, o que pode multiplicar suas receitas atuais.

As receitas do Instagram representam hoje menos de 20% das receitas anuais do Facebook, mas se manter a tendência de crescimento, vai ficar 50%-50% com o Facebook entre 2020 e 2021. E sua margem de crescimento de usuários tem uma margme de crescimento.

O Facebook faz negócios em outros segmentos, mas que não entregam resultados financeiros dignos, como o Oculus, que custou US$ 2 bilhões e o Facebook Watch que até agora nem faz sombra ao YouTube, e duvidamos que consiga a médio prazo.

Por fim, o WhatsApp que, apesar de contar com 1.5 bilhão de usuários em todo o mundo, segue sem ser relevante aos aspectos financeiros do Facebook. Tem monetização orientada para empresas, e uma curiosa fórmula baseada em pagamento pela demora excessiva na resposta a um cliente.

Essa plataforma empresarial tem 3 milhões de usuários ativos, mas não sabemos os motivos para ela avançar de forma tão lenta. Ainda mais quando o WhatsApp é considerado uma religião em vários países.