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Como o Claro TV+ reverteu a queda na TV paga

O modelo de negócios da Claro com o seu novo formato de IPTV é um sucesso indiscutível, e os números deixam isso bem claro. Por mais que algumas pessoas ainda contem com as suas reservas com o Box Claro TV+ ou com o App Claro TV+, ambos são campeões de vendas na operadora.

O número de clientes que contrataram os planos deixa muito claro que os assinantes decidiram aderir ao formato da TV por assinatura pela internet, oficial e legalizado. E a Claro agora tenta expandir o seu modelo de negócio para outras frentes.

É claro que esse artigo não foi patrocinado pela Claro (sem trocadilhos), mas entendo que é importante conversar sobre isso. Aqui, temos mais uma evidência de que o IPTV pode sim salvar a TV por assinatura tradicional.

 

Os números que jogam a favor da Claro

Em abril de 2025, a Claro atingiu a marca de 1,2 milhão de usuários do serviço Claro TV+, sendo 1 milhão via Claro Box (dispositivo que pode ser conectado a qualquer rede de banda larga) e 200 mil por meio exclusivo do app.

Esses números se somam aos 3,5 milhões de clientes do modelo tradicional de TV por assinatura da operadora, revelando uma tentativa de reação no setor de TV paga, que sofre forte retração desde seu auge em 2014, quando a própria Claro tinha 10,5 milhões de assinantes.

Observe que a grande maioria dos assinantes do serviço de IPTV da Claro optou pelo Box Claro TV+, modalidade mais cara do serviço, mas que oferece a efetiva experiência de TV por assinatura tradicional.

O modelo Claro TV+ integra canais lineares e serviços de streaming em uma experiência baseada na Internet, que é mais barato para a operadora e, ao mesmo tempo, mais flexível para o consumidor.

Segundo Ricardo Falcão, diretor do Claro TV+, o serviço já estabilizou as receitas da empresa com TV e está perto de voltar a gerar saldo positivo, mesmo diante da concorrência de plataformas de streaming, pirataria e das smart TVs.

O ritmo de vendas é de aproximadamente 80 mil unidades por mês, um número bem interessante para um formato de serviço que, para muitos, está entrando em estágio de extinção.

 

O IPTV oficial que deu muito certo

As lojas físicas têm se mostrado um canal essencial para a apresentação e venda do Claro Box, comportamento inédito no segmento de TV por assinatura.

A estratégia é apoiada por uma experiência diferenciada de navegação, busca e funcionalidades como gravação de programas, além da integração com os principais serviços de streaming.

Há um ano, a Claro lançou o “super bundle”, que reúne canais lineares e quatro serviços de streaming (Netflix, Globoplay, Apple TV e HBO Max) num único pacote. O modelo tem mostrado boa aceitação pelo público, sobretudo pelo custo-benefício percebido.

Além disso, o recurso TV Everywhere, por meio do app Claro TV+, permite que clientes acessem o conteúdo em qualquer dispositivo, mesmo fora de casa — hoje, mais de 1 milhão de usuários utilizam essa funcionalidade regularmente.

A Claro também observa crescimento do Claro TV+ em redes de Internet de terceiros, fora de sua própria infraestrutura, o que indica a flexibilidade e o apelo do produto. No entanto, Falcão ressalta que esse modelo impõe o desafio de manter a qualidade da experiência do cliente, já que a empresa não controla a rede usada.

O serviço continua em expansão e aprimoramento. Em 2025, o foco está na eliminação de atritos na ativação e uso do Claro Box e no suporte às contas de streaming.

Em relação ao conteúdo, houve avanços com a inclusão de sinais regionais de afiliadas da Globo, SBT, Record (via Simba) e, em breve, da Band.

A medida é uma resposta indireta ao crescimento da TV aberta por satélite (TVRO) em banda Ku, presente em cerca de 15 milhões de residências brasileiras. No entanto, a Claro descarta, por ora, a integração do Claro TV+ com sua operação de DTH (direto para o domicílio), que ainda mantém cerca de 300 mil clientes.

Mesmo porque a Claro TV via satélite ainda se faz útil em um segmento específico de mercado, que são os locais mais afastados como fazendas e regiões remotas, onde o sinal de internet ainda não é eficiente o suficiente para que o IPTV funcione de forma plena.

 

O que aprendemos com tudo isso?

Negar o sucesso do Claro TV+ é algo inútil a essa altura do campeonato. O modelo de negócio funcionou junto ao público brasileiro, tanto pela modernidade do sistema como pela oferta de super bundle de serviços de streaming.

A Claro já confirmou que vai substituir toda a sua base de equipamentos com base no cabo coaxial para o sistema Box Claro TV+, e essa é uma decisão correta. O futuro da TV por assinatura está mais do que traçado.

Dizer que o modelo de negócio da Claro pode salvar a TV por assinatura do desaparecimento no Brasil não é nenhum exagero. Aliás, eu estou falando sobre isso desde o ano passado, ainda mais quando o Claro TV+ foi um sucesso durante os Jogos Olímpicos.

Os números só confirmam algo que estava se estabelecendo ao longo dos últimos anos. E com uma Copa do Mundo chegando em 2026, as perspectivas de números ainda melhores são enormes.

Não é surpresa ver as demais empresas de TV paga fazendo o mesmo movimento. Praticamente todas já contam com suas plataformas de IPTV, em uma transformação praticamente consolidada.

E assim caminha a humanidade: substituindo o velho pelo novo.

Porque o novo sempre vem.

 

Via Teletime