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Como o anime domina o streaming em silêncio

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Em um mundo globalizado, alguns movimentos culturais se tornam dominantes de forma quase silenciosa. Ou vai me dizer que você percebeu que o K-Pop conquistaria o mundo antes de você ouvir falar em BTS?

Eu percebi, e deixei registrado que o PSY estava plantando uma semente que daria frutos uma década depois.

A mesma coisa pode ser dita sobre o anime, que está conquistando as plataformas de streaming de forma silenciosa. Tudo bem, séries de animação japonesas passam na TV brasileira desde a década de 1990. Porém, encontrou na Geração Z e nos Millennials o seu público cativo.

E todo mundo sabe que os mais jovens só assistem TV pelo streaming.

 

Conteúdo estratégico para as plataformas

O anime deixou de ser um nicho para se tornar um pilar estratégico das plataformas de streaming. Com um crescimento exponencial de audiência — 176% entre 2019 e 2024 nos EUA, segundo a Parrot Analytics —, essa forma de animação japonesa agora movimenta cerca de 27 bilhões de euros por ano e atinge públicos muito além dos fãs tradicionais.

O fenômeno reflete não só no número de produções disponíveis, mas também na popularização da estética e narrativa anime em obras ocidentais, incluindo adaptações live-action, spin-offs e produções híbridas como Arcane ou Suicide Squad Isekai.

Plataformas como Netflix, Prime Video e Hulu disputam licenças de grandes franquias como Dragon Ball, Naruto, Death Note e Demon Slayer, enquanto serviços dedicados como Crunchyroll (controlado pela Sony desde 2021) consolidam sua base com mais de 120 milhões de usuários registrados.

Outros serviços especializados, como RetroCrush e HiDive, e canais FAST com programação 24 horas, reforçam a presença contínua do anime no cotidiano digital.

Além disso, a influência do anime se estende a produções ocidentais com estética claramente inspirada na animação japonesa.

Esse intercâmbio cultural impulsiona tanto a aceitação do anime junto ao grande público quanto a criação de conteúdos globais com apelo visual e narrativo fortemente vinculado ao gênero.

O sucesso financeiro também é bilateral: só na Netflix, 38% da receita internacional relacionada a anime provém desse tipo de conteúdo.

 

O anime se tornou mainstream

O que antes muitos enxergavam como um conteúdo de nicho e focado em apenas um tipo de público é agora parte do mainstream, com audiência dominante e lucros elevados.

Não dá para tratar o anime como algo que está à margem do conteúdo mais relevante para o entretenimento digital. É um material que se tornou relevante o suficiente para se tornara prioridade dentro das plataformas de streaming. E o público só tem a ganhar com esse maior interesse de quem entrega a programação.

O anime se consolidou como um componente essencial do “novo normal” no entretenimento digital. O caso da adaptação de One Piece em live-action — um dos maiores acertos recentes da Netflix — reforça que o futuro da cultura pop global está, em parte, sendo moldado pela linguagem, estética e filosofia dos animes.

Para muitas plataformas de streaming, pode ser uma saída bem interessante para uma eventual recuperação de crise de público. São conteúdos que ainda estão relativamente baratos em seus direitos, e que contam com um potencial enorme para um “watch time” de uma geração que está entrando na faixa etária de maior consumo.

Porém, as plataformas precisam aproveitar o momento. Os números mostram que os direitos pelos animes devem ter preços inflacionados com o passar do tempo. E garantir a sua franquia pode ser a diferença entre sucesso e fracasso.


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