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Como funciona a Dynamic Island do iPhone?

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Finalmente! O notch saiu do iPhone!

Bom… mais ou menos…

Ao menos a Apple deu um uso diferente e mais interativo para a área onde antes tinha aquela monocelha que tanto tirava o sono de pessoas com TOC. A nova Dynamic Island apresenta uma solução para interação com os diferentes aplicativos instalados nos modelos iPhone 14 Pro e iPhone 14 Pro Max.

Tal e como acontece com tudo neste mundo, a Dynamic Island tem pontos positivos e negativos. Se ela marca o início de uma nova fase no design do iPhone, há quem diga também que o recurso não é tão inovador quanto parece ser.

Neste artigo, vamos olhar para a Dynamic Island com mais detalhes e profundidade, e procurar entender como ela vai afetar a vida dos usuários do iPhone daqui para frente.

 

Do começo: como era o notch no iPhone?

Bem sabemos que o notch nos smartphones Android era, na grande maioria dos casos, um elemento meramente decorativo, e só estava lá porque a Apple inseriu esse elemento no seu telefone. E como (quase) todo mundo adora copiar a gigante de Cupertino…

Mas no iPhone, o notch tinha alguma justificativa ou razão de ser, apesar de muitos entenderem que tudo não passava de desculpas esfarrapadas para criar um recorte horroroso na tela. Vamos então resgatar as desculpas da Apple para a existência de tal elemento.

O notch nasceu com o iPhone X, lançado em 2017. Este foi o primeiro smartphone da Apple a eliminar o botão Home e apresentar uma tela que aproveitava melhor a área frontal do dispositivo. E foi essa escolha de design que resultou no polêmico elemento na parte superior do display.

A primeira versão do notch no iPhone X abrigava a câmera frontal do dispositivo e a principal novidade deste modelo: o Face ID, que entrava no lugar do Touch ID, que foi eliminado pela nova proposta de design.

O Face ID é um sistema de reconhecimento facial que sempre foi muito meticuloso, e contava com vários elementos integrados para funcionar de forma plena com o iPhone. Por isso, a solução encontrada pela Apple foi o notch, que virou um sinal muito forte de identidade nos seus telefones.

O notch sobreviveu no iPhone por cinco anos (iPhone XS, iPhone 11, iPhone 12, iPhone 13 e iPhone 14 – nos modelos mais básicos), sofrendo a sua primeira redução de tamanho na geração anterior do smartphone da Apple. Mas sem ser substituído, eliminado ou ao menos com uma alternativa mais amigável, como vemos agora na Dynamic Island.

E cinco anos é tempo demais no mundo da tecnologia. Em qualquer contexto.

 

O Android evoluiu mais rápido (pra variar)

Apesar de ser considerada por muitos “a rainha da inovação”, fato é que a Apple insiste em ser conservadora em alguns aspectos. E isso prejudica o iPhone de forma direta.

Por exemplo, colocar o Face ID abaixo da tela ainda é uma utopia, e usar um leitor de digitais abaixo da tela continua a ser um sonho distante de muitos usuários. E a combinação dessas duas decisões retrógradas fazem com que os smartphones Android avancem neste aspecto, deixando o iPhone parado no tempo.

Os fabricantes de smartphones Android que tentaram copiar a Apple com soluções de reconhecimento facial menos eficientes acabaram mudando de ideia com o passar do tempo, adotando em grande parte o leitor de digitais abaixo da tela, que hoje está maduro e muito mais confiável.

Além disso, OPPO e Samsung (por exemplo) já adotam nos seus telefones premium os sensores de câmera abaixo da tela, mesmo que seja em um estágio preliminar. Mas essa solução não parece ser a melhor para a Apple, que deve seguir apostando no seu eficiente Face ID.

E isso fará com que o notch permaneça no iPhone por mais algum tempo, de alguma forma.

Mesmo que no formato da Dynamic Island.

 

Como funciona a Dynamic Island?

Além de exibir notificações e interações personalizadas, a Dynamic Island também tem como objetivo esconder os sensores de câmera e do Face ID, aproveitando melhor a parte frontal do dispositivo e dando funcionalidades para uma área que era considerada “morta” na tela do dispositivo.

É importante fazer o registro que a Apple não está reinventando a roda neste aspecto. Outros fabricantes de smartphones (aqui, menciono a ASUS como um exemplo) já adotaram soluções semelhantes para dispositivos Android. Porém, o que a Apple entrega é uma experiência mais interessante e amigável para os usuários do iOS, o que torna essa novidade interessante de alguma forma.

A maioria dos fabricantes de smartphones Android optaram pelo furo na tela para abrigar as câmeras, mas a grande maioria não conta com um sistema de reconhecimento facial tão avançado quanto o da Apple, que exige uma área maior no display para incluir todas as suas tecnologias.

O que a Dynamic Island faz na prática é entregar animações interativas, que trabalham com os diferentes aplicativos instalados no dispositivo para oferecer ao usuário funcionalidades adicionais no smartphone, como recebimento de chamadas de voz e vídeo, controle do reprodutor musical e notificações avançadas.

A forma em como essa notificação ou interação será exibida na tela é totalmente personalizável, tanto pelo programador do aplicativo como pelo usuário do smartphone. E pela demonstração apresentada pela Apple no evento de lançamento do iPhone 14 Pro e iPhone 14 Pro Max (os dois modelos compatíveis com o recurso), fica um pouco mais fácil esquecer que o notch existe.

Aqui, temos uma solução onde hardware e software trabalham juntos. A ideia é unir os furos na tela (que, acredite, estão na tela do iPhone) com os pixels que os separam. Como a tela do smartphone é OLED, esses pixels serão apagados, o que significa que o resultado é esteticamente uniforme. As animações podem alargar ou estreitar o “notch”, de acordo com a necessidade do aplicativo que está interagindo com o recurso.

No final, a Dynamic Island ganha protagonismo com aspectos positivos. Essas animações são muito mais amigáveis que o notch que não faz nada, e os efeitos de sobreposição são dinâmicos o suficiente para que qualquer usuário possa interagir de forma mais intuitiva com o dispositivo.

Com tanto protagonismo, dá para afirmar que a Dynamic Island vai fazer parte do iPhone durante um bom tempo. É bem provável que todas as futuras gerações do telefone vão receber este mesmo elemento, o que será ótimo para os usuários dos modelos mais básicos do smartphone.

https://youtu.be/WuEH265pUy4

Mas… de novo… não temos uma reinvenção da roda. Há quem defenda que a Dynamic Island não é tão inovadora quanto parece.

 

A LG fazia a mesma coisa em 2015, e ninguém falou nada…

Estudar o passado faz com que todos entendam o presente, e é meu dever adicionar um pouco de luz e informação para os leitores deste blog.

A Dynamic Island presente no iPhone 14 Pro e iPhone 14 Pro Max não é uma invenção da Apple. Nem de longe. O máximo que podemos dizer é que a gigante de Cupertino está aproveitando esta solução de forma criativa e amigável no iOS. Mas é um erro afirmar que essa é uma “inovação tecnológica” de toda regra.

O conceito base que resultou na Dynamic Island que conhecemos hoje foi apresentado pela primeira vez no mundo da telefonia móvel em 2015, pelas mãos da LG, mas em uma solução diferente: através de uma tela secundária.

O LG V10 apresentava como uma de suas novidades a ideia da tela secundária, que era minúscula e ficava na parte superior do dispositivo. Essa tela tinha como principal missão oferecer um design mais homogêneo e simétrico, “escondendo” o sensor de câmera frontal localizado nessa área do dispositivo.

Obviamente, o conceito apresentado pela LG não alcançou o mesmo nível de aceitação e interesse que a Dynamic Island está recebendo neste primeiro momento, e a grande maioria dos usuários considerou o recurso apresentado pelos coreanos algo totalmente desnecessário.

Porém, é preciso reconhecer que a Dynamic Island só existe hoje por conta de uma ideia base que nasceu lá atrás. Neste caso, no LG V10. O que não tira o mérito da Apple ou da LG em nenhum dos casos.

De qualquer forma, é importante lembrar que algumas ideias incríveis vieram de outras que, no passado, eram consideradas loucas. E, ao mesmo tempo, tão boas que merecem ser “copiadas” e melhoradas.


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