
A sofisticação dos golpes online é elevada. Ainda mais quando se usa uma combinação poderosa de engenharia social e entretenimento adulto para passar a perna nas pessoas.
O especialista em verificação de fatos Alexios Mantzarlis revelou um esquema sofisticado que se aproveitou das plataformas da Meta e do Google para enganar usuários. O golpe utilizava anúncios falsos para atrair cliques com promessas de conteúdo adulto, redirecionando o tráfego para sites saturados de publicidade.
Porque gente interessada em se divertir nas noites solitárias – e dispostas a gastar muito dinheiro com isso – existem aos montes na internet ao redor do mundo.
O que está acontecendo?

Mais de 3.500 anúncios foram identificados no ecossistema da Meta, principalmente no Facebook. Eles usavam imagens sugestivas – muitas vezes roubadas – e promessas de vídeos explícitos para capturar a atenção dos usuários.
Ao clicar nesses links, os usuários não acessavam o conteúdo prometido. Em vez disso, eram levados a páginas repletas de anúncios do Google, camuflados como resultados de busca ou portais de informação.
Aqui, bem sabemos qual é o efeito prático disso: roubo de dados, suplantação de identidades e compartilhamento de informações sensíveis.
Golpe com rostos famosos e IA

Um exemplo mostra o uso de imagens de ídolos do K-pop acompanhadas de frases como “Assista sem censura antes que apaguem”. Outros anúncios incentivavam o clique em termos genéricos, como “advogado de divórcio”, simulando uma função de busca para atrair mais interações.
O esquema também explorava rostos de celebridades, com imagens roubadas de campanhas legítimas. O objetivo era único: maximizar lucros por meio de visualizações de publicidade automatizada veiculada via Google Ads.
As páginas para onde os usuários eram enviados usavam textos gerados por inteligência artificial como preenchimento, mascarando o verdadeiro intuito – exibir o maior número possível de anúncios e lucrar com cada impressão.
E a exibição de publicidade é, por incrível que pareça, o menor dos problemas dos usuários que acabam sendo enganados pela pura empolgação em ver uma celebridade em uma imagem mais íntima.
Lucro alto e baixa fiscalização
Embora a Meta não tenha divulgado dados detalhados, análises mostram que os anúncios falsos chegaram a milhões de visualizações.
Estimativas para a União Europeia indicam entre 50 mil e 20 milhões de acessos nesses conteúdos fraudulentos. Em um dos casos, 83% do tráfego de um dos sites envolvidos vinha diretamente do Facebook.
A estratégia era simples e eficaz: atrair com conteúdo sexual fictício, redirecionar para sites irrelevantes e monetizar com publicidade. A cada clique, os golpistas – e as plataformas – lucravam, muitas vezes sem que o usuário percebesse o engano.
Reações das plataformas
Após o alerta de Mantzarlis, a Meta removeu os anúncios e páginas relacionadas, reconhecendo que violavam suas diretrizes. O Google, por sua vez, desmonetizou parte dos sites envolvidos, mas sem indicar medidas preventivas mais amplas.
O grande problema aqui é que as respostas das plataformas de tecnologia foram puramente reativas, e não uma ação de combate a algo que está efetivamente prejudicando os internautas.
Mesmo com bilhões de dólares em receitas publicitárias, ambas falharam em detectar e bloquear o conteúdo fraudulento antes que ele se espalhasse. Ou fizeram questão de “fingir que não viram” que isso está acontecendo em seus serviços.
São plataformas enormes, que contam com um sistema de verificação que, em alguns casos, é rigoroso a ponto de confundir obras de arte com conteúdos explícitos.
Será que os mecanismos de moderação de conteúdo do Meta e do Google é tão robusto quanto ambas alega ser?
Ou essa proteção é seletiva ou relativizada em alguns casos?
Ou melhor, nos casos em que os cliques são rentáveis para essas gigantes?
Fica a dúvida para a reflexão dos leitores.

