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Como Donald Trump derrubou a Apple do trono

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A nova ofensiva dos Estados Unidos na guerra comercial com a China já mostra seus primeiros grandes efeitos. A partir das 6h desta quarta-feira, o governo de Donald Trump aplicou tarifas de 20% sobre produtos da União Europeia e impressionantes 104% sobre todas as importações chinesas.

O anúncio, feito pela Casa Branca, é uma resposta direta à falta de recuo de Pequim diante de um ultimato anterior. O impacto foi imediato e atingiu em cheio uma das maiores empresas de tecnologia do mundo: a Apple, que já perdeu o trono de empresa mais valiosa do mundo.

De novo: quero ver a cara de Tim Cook depois disso…

 

Apple sente o golpe e desaba na bolsa

A Apple, que já vinha acumulando perdas nos últimos dias, foi uma das primeiras a sofrer com o novo pacote tarifário. No encerramento do pregão da última terça-feira em Wall Street, a empresa viu suas ações despencarem mais 5%, somando uma queda total de 23% em poucos dias.

A capitalização de mercado caiu para US$ 2,59 trilhões, valor que a fez perder o posto de empresa mais valiosa do mundo para a Microsoft.

O tombo não surpreende quem acompanha a cadeia de produção da Apple. Embora a companhia tenha buscado reduzir sua dependência da China, expandindo operações para países como Índia, Vietnã e Malásia, as novas tarifas de Trump também atingem essas regiões.

O resultado é uma rede de fornecedores globalmente penalizada e custos de produção em alta.

 

Microsoft reassume liderança e reacende rivalidade

Enquanto a Apple afundava, a Microsoft viu uma queda mais modesta de 0,92%, mantendo-se relativamente estável e retomando a liderança no ranking das empresas mais valiosas do planeta, com US$ 2,63 trilhões em valor de mercado.

A histórica disputa entre as duas gigantes ganhou um novo capítulo, impulsionada por um cenário de instabilidade generalizada.

Apesar de a própria Microsoft também enfrente a volatilidade do mercado, a Apple foi particularmente atingida pela sua exposição direta às tarifas. A maior parte da sua cadeia produtiva ainda depende da manufatura chinesa, o que a torna especialmente vulnerável em momentos de tensão comercial.

 

Efeito dominó no mercado global

A queda da Apple provocou um efeito dominó. Em Tóquio, o índice Nikkei desabou 3,64% logo nas primeiras horas do dia, refletindo o temor de que a crise se espalhe para os mercados da Europa e dos Estados Unidos.

Outros gigantes da tecnologia, como NVIDIA, Alphabet (Google), Amazon, Meta e Oracle, também fecharam em baixa. O índice S&P 500, que reúne as principais empresas americanas, caiu abaixo dos 5.000 pontos, evidenciando o impacto generalizado das novas tarifas.

 

Usuários correm às lojas antes de aumento nos preços

O mercado já se prepara para outra consequência: a alta nos preços dos produtos da Apple. Com a expectativa de repasse das tarifas ao consumidor final, muitos usuários estão antecipando compras, temendo aumentos expressivos — alguns analistas já falam em iPhones que poderiam chegar a custar até US$ 2.300, caso o cenário se mantenha.

A Bloomberg relata uma corrida às lojas físicas e online da Apple, com consumidores tentando garantir preços antigos antes de um possível reajuste. Esse comportamento só reforça o grau de incerteza e a pressão sobre a companhia de Cupertino.

 

Pequim promete retaliação: tensão continua

A escalada tarifária começou há uma semana, quando Washington impôs um aumento de 34% sobre produtos chineses, somando-se aos 20% já existentes. Pequim respondeu com tarifas equivalentes, o que levou a Casa Branca a aplicar um novo salto de 50%, totalizando os 104% atuais.

Em resposta, a China declarou estar pronta para “lutar até o fim”. A promessa de contra-ataques mantém a guerra comercial em ebulição e lança dúvidas sobre os rumos da economia global, especialmente para empresas com forte presença na Ásia.

 

Um abalo com repercussões globais

É correto dizer que Trump derrubou a Apple e, ao mesmo tempo, a gigante de Cupertino sentiu da forma mais direta a dependência de uma cadeia de produção globalizada.

Insisto que a manobra de Trump não faz sentido, pois não tem como voltar atrás para este modelo de negócios que busca o menor custo de produção para maximizar o lucro ao máximo.

Como a Microsoft sofre menos da dependência, reassume o posto de empresa mais valiosa do mundo, em um cenário volátil que pode mudar a qualquer momento.

No final, todos (sem exceção) viraram reféns de Donald Trump e, por incrível que pareça, apenas a China, que tem poder de barganha, está peitando o presidente norte-americano.

Tudo aponta para um tsunami econômico. E a Apple é apenas a primeira vítima do terremoto que precede um desastre ainda maior.


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