
Da mesma forma que acontece com qualquer operadora de TV por assinatura, a Vivo sofre da perda de assinantes. Mas a impressão que fica é que o impacto aqui tende a ser maior, uma vez que a sua base não chega perto de contar com 1 milhão de assinantes.
A Vivo adotou uma estratégia dupla para o mercado de TV: manter os serviços tradicionais enquanto acelera o crescimento em streaming. O CEO Christian Gebara anunciou a abordagem durante coletiva sobre os resultados do segundo trimestre de 2025. A empresa reconhece que o consumo de conteúdo audiovisual mudou estruturalmente no Brasil.
A TV paga tradicional da operadora enfrenta declínio. Em junho, a Vivo tinha 755 mil assinantes do serviço via cabo de fibra óptica. Somando outros serviços fixos (voz e xDSL), a vertical faturou R$ 969 milhões no segundo trimestre, queda de 9,5% ante o mesmo período de 2024. Os números confirmam a migração dos consumidores para novos formatos audiovisuais.
Transformação do modelo de negócio
O crescimento no setor de conteúdo agora depende da revenda de plataformas de streaming de terceiros, segundo Gebara. As operadoras tradicionais precisam se reposicionar como facilitadoras de acesso, abandonando modelos proprietários de distribuição de conteúdo.
A base de clientes da Vivo ilustra essa mudança. Dos 7,4 milhões de usuários de fibra óptica, apenas 10% contratam TV tradicional. “Realmente, não tem uma demanda muito grande”, avaliou o executivo. Os consumidores preferem acessar conteúdo diretamente pela banda larga, sem pacotes tradicionais de televisão.
Os serviços OTT apresentam cenário oposto ao da TV tradicional. A Vivo faturou R$ 793 milhões em 12 meses com OTTs de conteúdo, crescimento anual de 24,9%. A base de assinantes subiu 34,5% no período, chegando a 3,7 milhões de usuários.
A empresa busca oferecer flexibilidade na escolha de plataformas. De acordo com Gebara:
“A nossa defesa da receita de IPTV tradicional é mais limitada, mas a nossa oportunidade de crescer nesses segmentos mais híbridos e flexíveis é muito maior”
A estratégia reconhece as limitações do modelo tradicional e capitaliza oportunidades emergentes.
Expansão dos serviços digitais e o segmento B2B
Os serviços digitais alcançaram 11,2% das receitas da Vivo nos últimos 12 meses. Há um ano, representavam 9,5% do faturamento total. O crescimento dos OTTs foi o principal driver dessa evolução, indicando diversificação bem-sucedida da receita.
A Vivo também cresceu em outras categorias digitais. As soluções financeiras do Vivo Pay faturaram R$ 469 milhões, alta de 4,2%. Na saúde, o marketplace Vale Saúde Sempre gerou R$ 79 milhões em receitas, crescimento de 113,4%. Os resultados mostram que a diversificação funciona em múltiplas verticais.
O segmento B2B foi o grande destaque dos resultados. Inclui soluções de nuvem, segurança cibernética, IoT, big data, mensageria e equipamentos de TI. O ecossistema corporativo faturou R$ 4,75 bilhões nos últimos 12 meses, crescimento de 31,3%. O resultado indica forte investimento das empresas brasileiras em transformação digital.
Os negócios digitais B2B representaram 8,2% das receitas da Vivo em 12 meses, enquanto os serviços B2C ficaram com 3%. A distribuição mostra que o mercado corporativo oferece maior potencial de monetização no curto prazo. Juntas, as duas frentes alcançaram 11,2% do faturamento total, consolidando os serviços digitais como fonte crescente de receitas.
Via Teletime
