
Além de todas as questões éticas que a decisão da OpenAI em liberar o erotismo no ChatGPT (e isso já é motivo mais do que suficiente para que o debate esteja servido na mesa), a monetização do erotismo aparece como uma motivação clara para Sam Altman.
O setor de inteligência artificial de relacionamento mostrou-se altamente lucrativo. Plataformas que permitem “companhias digitais íntimas” registraram aumento expressivo de engajamento e assinaturas premium.
E é claro que Sam Altman, que mandou para o espaço a ideia de manter o ChatGPT como uma plataforma edificante, quer a sua fatia do bolo. Só precisamos entender se isso é algo tão desconfortante quanto alguém gerando uma foto da sua avó completamente pelada.
Exemplos de monetização erótica na IA não faltam
Não vou ser hipócrita.
Não faz sentido tapar o sol com a peneira, já que outras plataformas estão fazendo o mesmo que o ChatGPT vai permitir para os adultos tarados a partir de dezembro de 2025.
A Character.AI, principal concorrente nesse segmento, alcançou 20 milhões de usuários mensais e receita anual de 32,2 milhões de dólares em 2024, com assinaturas a 9,99 dólares mensais.
A plataforma praticamente equiparou sua receita de assinaturas aos 4 milhões de dólares que gasta mensalmente com custos de inferência, o que demonstra a viabilidade econômica do modelo.
Vivemos em um mundo capitalista, as contas não se pagam sozinhas, e a OpenAI precisa desesperadamente de dinheiro para validar e até justificar a sua existência no campo de inteligência artificial.
Logo, vamos liberar todo mundo para ter conversas eróticas com o ChatGPT. E ganhar dinheiro com isso, evidentemente.
Monetizando a humanização com a IA
Existem duas perspectivas a serem analisadas de forma mais aprofundada nessa decisão. A primeira, obviamente, é a monetária: como essa humanização pode ajudar a equilibrar as contas?
Para a OpenAI, a inclusão de conteúdo erótico é uma forma de fortalecer o ChatGPT Plus (20 dólares mensais) e o ChatGPT Pro (200 dólares mensais), impulsionando novas formas de receita.
Segundo reportagem da Bloomberg, estima-se que o ChatGPT Pro já gera ao menos 25 milhões de dólares mensais em receita, superando inclusive o faturamento com clientes empresariais. Logo, a erotização da plataforma deve dar mais um “boost” financeiro para a empresa.
Essa “humanização intencional” da inteligência artificial inclui desde o uso de emojis e linguagem corporal simulada até a criação de personagens customizados com tons emocionais específicos.
O erotismo, portanto, não é apenas um recurso estético, mas um produto de retenção — a “cola” que mantém o usuário conectado ao modelo por mais tempo.
E quanto mais tempo o usuário ficar engajado no ChatGPT, mais os investidores ficarão felizes. E o potencial para isso acontecer é simplesmente enorme.
Uma pesquisa recente da Harvard Business Review revelou que os três casos de uso mais populares para inteligência artificial generativa eram terapia e companhia, organização da vida e “encontrar um propósito”.
A erotização do ChatGPT se encaixa nos três.
Terapia e companhia para os solitários, organização de vida para os metódicos (que terão uma ferramenta específica para trabalhar suas fantasias) e o propósito de ter interações e conteúdos adultos sem as travas da sociedade.
Dados internos da própria OpenAI revelam que 1,9% das conversas do ChatGPT envolvem relacionamentos e reflexões pessoais, evidenciando o interesse real dos usuários por interações mais íntimas ou emocionais.
A estatística reforçou a visão de Altman de que o chatbot pode atender adultos de forma mais aberta, desde que existam salvaguardas robustas… e um sistema de segurança mais robusto ainda para que esses dados não saiam voando pela internet.
Fico pensando agora nos pais, que acreditavam que o ChatGPT poderia ser o professor particular dos filhos.
Beleza. Mas… professor do que mesmo?
Via Engadget

