A empresa que começou com o aluguel de DVDs com entregas em casa acabou virando a indústria do entretenimento de cabeça para baixo, redefinindo a distribuição audiovisual e colocando em xeque até o mundo do cinema. Ela mesma: a Netflix.

O negócio de Netflix é simples: investir algum dinheiro na criação de material audiovisual e comprar os direitos de outros já criados para oferecer um produto único, com três modos de preços para o acesso do conteúdo, com pagamento mensal dos seus usuários. Mas nada é tão simples quanto parece.

 

 

13 Reasons Why

 

 

Os assinantes da Netflix são 100% do seu negócio hoje. Então, à medida que sobem, eles aumentam sua renda… com algumas nuances.

Por um lado, é normal que o crescimento explosivo esteja nesse momento moderando e comece a diminuir em números percentuais. É o mesmo que acontece com as redes sociais mais populares: é cada vez mais difícil alcançar novas pessoas, uma vez que aqueles que provavelmente usarão o serviço já estão dentro dele.

Mas o real problema é o que acontece desde 2015. Esse oi o último ano em que o serviço estava disponível apenas em alguns países. A partir daí, o serviço desembarcou no mundo todo, com exceção da China (porque ainda não tinha um acordo com a Baidu), Crimeia, Coréia do Norte e Síria.

No entanto, o crescimento continuou a diminuir Isto se deve principalmente a uma grande dependência dos Estados Unidos. Na verdade, a Netflix só tem mais clientes fora dos Estados Unidos do que dentro desde meados de 2017.

 

 

Uma dívida que continua a crescer

Este não é o único problema que perturba seus gerentes: este crescimento é sustentado por um investimento muito forte na criação de conteúdo exclusivo (filmes, séries, documentários), que não é suportado com renda atual. Embora os lucros estejam aumentando, o investimento é muito maior.

No ano passado, a Netflix já acumulava uma dívida de US$ 20 bilhões, e nas últimas semanas foi revelado que a empresa vai pedir mais US$ 2 bilhões. A empresa informou em 2017 que em 2018 investiria cerca de 8 bilhões de dólares em conteúdos original e encerrará o ano com US$ 13 bilhões, mais de 60% a mais.

O “culpado” da dívida? Grandes contratações, como as de Shonda Rhines e Ryan Murphy, que lhes custaram US$ 400 milhões. No ano passado, o último com dados completos, já liderou o investimento entre os players que só transmitem online e não ficaram longe dos grandes produtores que distribuem nas demais plataformas.

 

 

Isso significa que o Netflix está com problemas financeiros?

 

 

É claro que não. Se existe alguma coisa que a Netflix demonstrou nos últimos anos é saber planejar a longo prazo. Por exemplo, o divórcio com a Disney, que vai lançar o seu próprio “Netflix” (Disney+), foi antecipado há cinco anos como algo que poderia acontecer, e que a empresa tinha que se prevenir.

Um desses planos para tornar a empresa rentável novamente é o crescimento do mercado indiano. No entanto, esse é um movimento complexo: Reed Hastings, CEO da Netflix, disse em fevereiro que “os próximos 100 milhões de assinantes virão da Índia”, um mercado a ser explorado. Se chegarmos à metade, 50 milhões, com uma renda média de cinco dólares por mês, seriam US$ 3 bilhões por ano.

No entanto, Jayant Sinha, ex-ministro da Economia, disse que a classe média no país que pode acessar esse tipo de ativos poderia atingir apenas 50 milhões de pessoas. Se acrescentarmos que Hastings negou que eles poderiam alcançar planos de preços mais acessíveis para este país, as chances de alcançar esses 100 milhões de hindus parecem remotas.

Sarandos também falou sobre a variedade nas regiões. Ele disse que a América Latina foi “um foguete” para a Netflix, que a Europa Ocidental estava crescendo a um bom ritmo, e que a Ásia era sua grande meta de crescimento. “Nós nos perguntamos como fazer as pessoas da Coreia do Sul nos amarem tanto quanto as pessoas do Kansas.” O sucesso da crítica não é a única coisa importante: você também tem que atrair público.

Esse panorama certamente é o que motivou uma das últimas decisões da Netflix: lançar planos de assinatura mais acessíveis para alguns países, com a restrição de que eles só podem ser utilizados ​​a partir do smartphone. Em alguns países asiáticos já existem plataformas de vídeo sob demanda pelo equivalente a pouco mais de US$ 4 por mês. É uma concorrência que não pode ser ignorada.

Enquanto isso, na Europa ou nos Estados Unidos, nos acostumamos a ver como a Netflix aumenta gradualmente seus preços ou está oferecendo propostas de maior valor para tentar aumentar a receita média por usuário.

Com seus números astronômicos de investimento em obras originais e compras de direitos a terceiros, esta é talvez a única maneira de avançar, enquanto em outras regiões não consegue conquistar muitos usuários para manter os preços atuais. Embora pelo menos eles pareçam estar tentando: o contrato com a Shonda Rhines, que atrai uma enorme audiência, os investimentos com os animes e com o cinema de Bollywood em seus estúdios deixam esse interesse bem claro.