
Você está preparado para o cenário onde o seu filho, o seu neto ou aquele aluno remelento do ensino médio JÁ ESTÁ GANHANDO mais dinheiro do que você?
Essa é uma realidade tangível, já que as plataformas digitais e todas as tecnologias disponíveis (incluindo é claro a inteligência artificial) permitem que qualquer pessoa possa ganhar dinheiro, desde que tenha as habilidades necessárias para tal.
E se tem uma geração que é mais nativa digital que as outras, é a Geração Alpha — composta por crianças e adolescentes nascidos entre 2010 e 2020. São jovens que estão reformulando a forma como entendemos o trabalho e a renda na juventude.
Usam muito as telas, mas ganham muito dinheiro com elas

Criados em um ambiente hiperconectado, esses jovens cresceram assistindo a youtubers, influenciadores digitais e gamers acumularem fama e fortuna a partir de suas casas. Agora, muitos deles estão seguindo o mesmo caminho e monetizando seu tempo online, mesmo antes de completarem 16 anos.
Mesmo com todas as críticas recorrentes sobre os impactos negativos da exposição excessiva às telas e à internet — como queda na concentração e piora no desempenho escolar, apontadas por diversos estudos —, uma parcela significativa da Geração Alpha está canalizando sua familiaridade digital em projetos econômicos concretos.
Segundo uma pesquisa conduzida pela plataforma de social commerce Whop, que entrevistou mais de 2.000 adolescentes e jovens adultos entre 12 e 28 anos nos Estados Unidos, 47,1% dos participantes afirmaram já ganhar dinheiro ativamente pela internet por meio de atividades paralelas digitais.
Como a Geração Alpha ganha dinheiro com a internet?

As atividades de monetização incluem revenda de roupas novas ou vintage, transmissões de videogames em plataformas como Twitch, e produção de conteúdo para redes sociais como TikTok, Instagram e YouTube.
O número de adolescentes envolvidos nessas práticas cresceu 15% em relação ao ano anterior, e o potencial de expansão é enorme.
Ainda segundo a pesquisa, 72,3% dos entrevistados conhecem alguém que já conseguiu monetizar seu tempo online de alguma forma, mesmo que não de maneira contínua.
A média de rendimento por hora desses jovens da Geração Alpha chega a US$ 13,92 — quase o dobro do salário mínimo federal dos Estados Unidos, que está em US$ 7,25 desde 2009.
Isso demonstra não apenas o potencial de retorno financeiro dessas atividades, mas também o nível de maturidade e iniciativa precoce dos adolescentes.
Onde o dinheiro está rolando com maior facilidade?
O segmento mais popular para geração de receita é a revenda de roupas, adotada por 20,1% dos jovens. Plataformas como Depop, Vinted, Grailed e até o eBay são utilizadas para vender peças de segunda mão com curadoria estética.
Outros 14,1% ganham dinheiro transmitindo jogos eletrônicos, enquanto 13,1% participam de torneios de e-sports que oferecem prêmios em dinheiro.
Já 10,5% monetizam conteúdos autorais postados em redes sociais ou adaptam vídeos para gerar receita no YouTube.
Uma evolução da espécie

A pesquisa ainda revela que os membros da Geração Alpha demonstram uma postura mais objetiva e estratégica no uso da internet do que a Geração Z.
Enquanto os mais velhos costumam usar a rede majoritariamente para lazer e consumo passivo de conteúdo, os mais novos adotam uma abordagem mais empreendedora.
Isso se reflete também no tempo de uso das telas: os Alphas gastam, em média, 3,5 horas a menos por semana do que a Geração Z em atividades de entretenimento e relaxamento, dedicando mais tempo à criação de conteúdo e geração de renda.
Aproximadamente 51,5% dos adolescentes ouvidos pela Whop disseram ter a intenção de transformar suas atuais fontes de renda online em carreiras de longo prazo. Um quinto (20,3%) do tempo de tela semanal desses jovens é dedicado a essas atividades rentáveis.
Essa tendência também é observada em outras pesquisas. Um levantamento citado pela revista Fortune mostrou que a profissão mais desejada por jovens de 12 a 15 anos é a de youtuber, seguida por criador de conteúdo no TikTok e gamer profissional.
Jogos como Minecraft e Fortnite aparecem como favoritos para quem deseja viver de e-sports. Apesar do foco digital, ainda existem aspirações tradicionais: 20% dos jovens querem ser médicos ou enfermeiros, 15% desejam ser atletas e 14% planejam se tornar professores.
O cenário confirma a transição cultural e a evolução da espécie.
Nas décadas anteriores, a independência financeira na adolescência era limitada a trabalhos presenciais como entregar jornais, cuidar de crianças ou trabalhar em lojas. Já os jovens da Geração Alpha têm à disposição uma infraestrutura tecnológica que permite gerar renda com criatividade, engajamento digital e estratégia comercial.
À medida que a Geração Alpha amadurece, será cada vez mais necessário que escolas, pais e empresas compreendam esse novo perfil de comportamento econômico e ofereçam suporte para que esse potencial seja canalizado de maneira saudável e sustentável.
Ou talvez isso não será necessário.
Jovens produtores de conteúdo já são mais conhecedores sobre as estratégias financeiras e de rentabilidade (dentro de seus respectivos espectros sociais e econômicos) do que os mais velhos.
O que é mais um sinal de que essa nova geração está na frente das anteriores. Em alguns casos, muito na frente. A ponto de ensinar os mais velhos sobre como o mundo atual funciona com base em novas diretrizes.
Via Fortune, Fast Company

