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Como a China lidera o código aberto global

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A liderança global da China em código aberto já é um fato consolidado. Em 2024, o país ultrapassou a marca de 2,2 milhões de desenvolvedores ativos, superando os Estados Unidos e a União Europeia juntos.

Essa mudança silenciosa no equilíbrio de poder tecnológico é consequência direta da guerra comercial com os EUA, onde a China encontrou no código aberto uma via estratégica para conquistar independência tecnológica.

E tudo isso aconteceu de forma quase silenciosa. Graças aos Estados Unidos – quem diria -, a China dominou um setor que, antes, nem chegaria perto de ter o controle.

 

Os números não mentem

A plataforma OSS Compass, que monitora o ecossistema open source, é a responsável pelos dados que revelam esse avanço chinês, que contrasta com os 1,9 milhão de desenvolvedores da UE e os 1,7 milhão dos EUA.

Empresas como a Huawei simbolizam e lideram esse movimento de mudança, e no seu caso, foi pela necessidade imposta pelos governos norte-americanos.

Após o veto ao Android do Google, a companhia apostou no HarmonyOS, que evoluiu para o HarmonyOS Next, com uma versão aberta chamada OpenHarmony.

O envolvimento da Huawei não é isolado. A Open Atom Foundation, apoiada por pesos pesados como Alibaba, Tencent e o governo chinês, está liderando um esforço coordenado para fomentar o código aberto no país.

Iniciativas como essas têm apoio explícito de governos locais, como os de Pequim e Wuhan, que incentivam universidades e empresas com políticas públicas e infraestrutura voltadas ao desenvolvimento de software livre.

Além de fomentarem o desenvolvimento tecnológico, os governos chineses economizam uma grana violenta ao desenvolver as suas próprias soluções.

 

Os resultados também não (mentem)

A estratégia já apresenta resultados concretos e tangíveis, que beneficiam tanto empresas chinesas como, em alguns casos, os usuários de todo o planeta.

Os resultados mais expressivos do open source podem ser observados no campo da inteligência artificial. Modelos chineses de código aberto como os da DeepSeek são os segundos mais populares no OpenRouter, atrás apenas do Gemini, do Google.

E mesmo que o DeepSeek não seja o líder neste momento, o simples fato dele estar na frente de um ChatGPT, do Meta AI ou do Copilot da Microsoft já pode ser considerado uma vitória.

Outro destaque é a família de modelos Qwen, do Alibaba, que se tornou o maior ecossistema de IA open source do mundo, superando até a LLaMA da Meta.

Por tabela, usuários de todo o planeta podem se beneficiar do fato de ter plataformas de inteligência artificial a custo zero.

A China basicamente adotou o código aberto como elemento de soberania digital e, por tabela, como ferramenta técnica para desenvolvimento de diferentes setores tecnológicos.

O país está moldando uma nova divisão global, onde software e inovação deixam de ser monopólio do Ocidente.

Tudo isso é parte de uma nova Guerra Fria tecnológica, que saiu do hardware para alcançar o plano do software. E isso é algo que nem mesmo o mais pessimista gestor norte-americano imaginou que poderia acontecer.

Mais uma mostra que a filosofia colaborativa do open source está sendo usada pela China como arma geopolítica para ditar os rumos da próxima era digital.

E os Estados Unidos que lute para correr atrás dos asiáticos.

 

Via  South China Morning Post


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