
Tudo nessa vida chega ao fim um dia.
A Apple trabalhou por cinco anos para obter a sua independência em relação aos processadores da Intel. No meio do caminho, encontrou no Apple Sillicon a solução perfeita para entregar um equilíbrio entre alta performance e autonomia de bateria otimizada.
Agora, a mesma Apple encerra de vez o ciclo com a Intel, com a apresentação de suas novas tecnologias. A WWDC 2025 marca o ponto final de uma parceria que, hoje, poucos se lembram em como foi proveitosa para as duas.
Vamos explicar neste artigo o que acontece a partir de agora, e como é o início dessa nova fase da Apple.
O fim de uma era

A Apple anunciou oficialmente durante a WWDC 2025 que o macOS Tahoe 26 será a última versão do sistema operacional compatível com computadores Mac equipados com processadores Intel.
A decisão marca o encerramento definitivo de uma era que começou há duas décadas, quando Steve Jobs introduziu os chips Intel nos Macs em 2005.
O novo sistema operacional, apresentado na conferência de desenvolvedores realizada no dia 9 de junho, representa um marco histórico na trajetória da empresa de Cupertino. O macOS 26 será o último compatível com os Intel Mac, oferecendo suporte apenas para quatro versões lançadas em 2019 ou 2020.
A limitação elimina completamente o suporte para todas as versões Intel dos ultraportáteis MacBook Air e dos compactos Mac mini mais antigos.
E para aqueles que desejam seguir recebendo as novas tecnologias de software da Apple, serão obrigados a trocar de equipamento a partir do ano que vem.
Transição histórica de arquiteturas

A decisão atual ecoa uma mudança similar ocorrida há exatos 20 anos.
Em 2005, Steve Jobs anunciou a transição da plataforma PowerPC para a arquitetura x86 e os chips Intel.
Na época, a mudança revolucionou o mercado Mac, aumentando significativamente a compatibilidade e permitindo que os computadores da Apple executassem outros sistemas operativos, como Windows, nativamente sem necessidade de emulação por software.
A segunda grande transição começou em 2020, quando a Apple anunciou o desenvolvimento de processadores próprios baseados na arquitetura ARM.
O programa Silicon tem sido um êxito completo e está marcando o caminho para outros fabricantes no desenvolvimento de PCs ARM.
A empresa concluiu a migração de sua linha de produtos em tempo recorde, abandonando definitivamente a venda de novos computadores com processadores Intel há mais de dois anos.
Compatibilidade limitada do macOS Tahoe 26

O macOS Tahoe 26 apresentará compatibilidade restrita, eliminando o suporte para vários modelos Intel-based Mac que atualmente funcionam com o macOS Sequoia.
A lista oficial de dispositivos compatíveis inclui exclusivamente modelos mais recentes e praticamente todos os equipamentos com Apple Silicon.
Os dispositivos que receberão a atualização são:
- MacBook Air com Apple Silicon (2020 em diante)
- MacBook Pro com Apple Silicon (2020 em diante)
- MacBook Pro de 16 polegadas (2019 em diante)
- MacBook Pro de 13 polegadas (2020 em diante)
- iMac (2020 em diante), Mac mini (2020 em diante)
- Mac Studio (2022 em diante)
- Mac Pro (2019 em diante)
Para os proprietários de equipamentos Intel excluídos da lista, a Apple manterá um período de transição. A empresa oferecerá até dois anos adicionais de patches de segurança e novas versões de seu navegador Safari para os modelos que não receberão o macOS Tahoe 26.
Futuro da tecnologia Rosetta 2

A Apple também delineou mudanças significativas para o Rosetta 2, a tecnologia de tradução que permite a execução de softwares desenvolvidos na era Intel em processadores Apple Silicon.
O Rosetta 2 continuará funcionando como ferramenta de tradução de softwares com propósito geral, tanto no macOS 26 quanto no macOS 27.
Contudo, a empresa estabeleceu um cronograma de descontinuação gradual, reforçando a perspectiva em deixar a “era Intel” para trás de uma vez por todas.
Após o macOS 27, o Rosetta 2 estará disponível apenas para um subconjunto limitado de aplicações, priorizando jogos antigos que dependem de bibliotecas específicas da Intel, mas cujos desenvolvedores não mantêm atualizações ativas.
O que acontece a partir de agora?

A mudança exigirá adaptações do ecossistema de desenvolvimento, e os desenvolvedores que desejam que seus softwares continuem funcionando no macOS após essa transição deverão migrar para aplicações nativas do Apple Silicon ou criar aplicações universais que funcionem em ambas as arquiteturas.
A estratégia replica o modelo adotado pela Apple durante a transição anterior, quando utilizou a tecnologia Rosetta original para facilitar a migração dos chips PowerPC para as CPUs Intel.
A abordagem gradual permite que desenvolvedores e usuários se adaptem progressivamente às mudanças tecnológicas.
O abandono do suporte para os Mac com Intel representa um passo natural para a Apple, permitindo concentrar todos os recursos e esforços de inovação exclusivamente em seus próprios processadores.
Ao controlar tanto o hardware quanto o software, a empresa consegue otimizar a performance e introduzir recursos avançados impossíveis em arquiteturas híbridas.
A decisão também reflete a confiança da Apple no sucesso de sua transição para o Apple Silicon. O macOS Tahoe representa a atualização final de software que os Macs baseados em Intel receberão, consolidando definitivamente a fase final da transição para o Apple Silicon.
O anúncio ocorre em um momento em que a indústria tecnológica experimenta uma revolução na computação pessoal, tanto no design quanto no aumento do uso de recursos de inteligência artificial no software.
O macOS Tahoe 26 introduz um design visual chamativo e capacidades poderosas que permitem aos usuários alcançar maior produtividade, incluindo recursos avançados de inteligência artificial e o novo design visual Liquid Glass apresentado na WWDC 2025.
A primeira versão beta para desenvolvedores do macOS Tahoe 26 já está disponível, permitindo que programadores iniciem o processo de adaptação de seus aplicativos.
A versão final do sistema operacional deve ser lançada no final de 2025, marcando oficialmente o encerramento de 20 anos de parceria entre Apple e Intel no segmento de computadores pessoais.
E pelos últimos acontecimentos, está mais do que claro para todo mundo que a Intel vai sentir muito mais falta da Apple do que o contrário.

