A Alphabet é um dos passos empresariais mais ousados que testemunhamos, mas um dos mais bem sucedidos de todos os tempos. A Google decidiu se transformar em um conglomerado de outras indústrias com segmentos específicos, onde todas ficavam embaixo desse grande guarda-chuva empresarial.

Assim, a Alphabet ficou responsável pela Google e mais um grande pacote de empresas. E essa grande empresa fechou o ano de 2017 com US$ 110.8 bilhões de receitas, com a maioria desse dinheiro chegando através do Google AdWords, o seu serviço de publicidade.

A plataforma nasce dos resultados das buscas do Google, onde os anunciantes pagam por posições mais altas, com dados cruzando em todos os serviços da empresa. O clique nos anúncios são pagos com preços que variam de acordo com o produto oferecido e de sua categoria.

Além do AdWords, temos a plataforma AdSense, que oferece a qualquer página da web inserir módulos de publicidade gerenciados por parceiros, cujas receitas são divididas entre a empresa e o administrador do site. Assim, a publicidade da Google gera muitas receitas para a Alphabet.

Dos US$ 32.512 bilhões de dólares de receitas do Google no segundo trimestre de 2018, US$ 28 bilhões vieram da publicidade, que cresceu 23% em relação ao ano anterior. É hoje a maior agência de publicidade do mundo.

 

 

O restante das receitas vieram de outras divisões, como vendas de Chromebooks, assinaturas da Google Cloud, receitas obtidas pelo Android, vendas de Chromecast ou via Play Store.

As demais vias de receitas (US$ 4.4 bilhões) registraram um aumento ainda maior que o da publicidade (36.5%), mostrando uma tendência de maior diversificação e menor dependência dos lucros de uma única divisão.

A Alphabet ainda conta coma divisão Outras Apostas, que aglutina todos os projetos experimentais da empresa, como o Google Fiber, o Nest, o Verily, o Calico, entre outros. É uma divisão que dá prejuízos, algo esperado. Porém, tais projetos não se transformam em empresas independentes até que um plano de rentabilidade para elas não seja estabelecido.

Foi o que aconteceu com a Waymo, responsável pelo desenvolvimento de carros autônomos, no final de 2016. Logo depois do início dos testes, eles começaram a operar com o primeiro serviço de táxis autônomos do mundo.

 

 

A Alphabet gastou nada menos que US$ 6.4 bilhões no último trimestre em pagamentos para fabricantes de smartphones como a Apple para colocar o buscador da Google como padrão. É quase 1/4 do que a empresa ganha em publicidade. O que reforça que a estratégia continua a ser rentável para a Google.

Em resumo: a publicidade paga o desenvolvimento de Outras Apostas, que não poderiam seguir adiante pelas próprias pernas. Sundar Pichai (CEO da Alphabet) já explicou por várias vezes que o núcleo de produto da empresa está no avanço da inteligência artificial. Para a publicidade, e para todo o resto.

Será que no futuro a Alphabet pode deixar de depender tanto da publicidade para ser uma empresa rentável?