Na era da telefonia móvel analógica, todos nós sofremos com o ruído de fundo constante no áudio. Com a chegada das comunicações digitais, o som se tornou mais forte, claro e limpo.

Mesmo assim, não era um som tão limpo quanto o desejado. E, de forma irônica, os engenheiros descobriram que era melhor colocar algum ruído no fundo para ocupar o silêncio, pois dessa forma a gente sabia que a outra pessoa ainda estava do outro lado da linha.

Esse ruído proposital é chamado de ‘comfort noise’.

 

 

Queremos (um pouco de) ruído

 

 

O silêncio provocava problemas. Por exemplo, dar a ideia que a conexão se perdeu, ou truncar a conversa a ponto das duas pessoas não saberem que existe uma pausa e que uma delas pode começar a falar.

A solução foi colocar um ruído onde não havia. O Skype faz isso: adiciona um ruído de 4 segundos em frequências entre 75 e 8.000 Hz, que são audíveis para a maioria dos seres humanos.

Na verdade, eles fazem uso do chamado ‘ruído rosa’, que se caracteriza por usar uma mesma quantidade de energia por oitava, utilizando mais energia nas frequências mais baixas, obtendo assim um ruído de fundo mais natural, ao mesmo tempo que economiza largura de banda na comunicação.

Tal técnica se aplica em vários sistemas VoIP e de comunicações digitais de voz. O GSM também usa tal sistema, e oferece as ferramentas de geração de ruído na documentação do padrão (nesse link, em PDF).

Tudo isso para evitar um silêncio sepulcral, que é um inimigo nas comunicações digitais.

Ou seja, viva o ruído. O do comfort noise, é claro.