Tudo muda nessa vida, e a Microsoft também mudou, demonstrando boa vontade com o software de código aberto em geral e com o Linux em particular. Satya Nadella deixou para trás os tempos de “traição” da Novell/SUSE com os acordos da década passa, ou de “o Linux é um câncer”, proclamado por Steve Ballmer.

A Microsoft tem hoje no Linux um importante aliado para o seu negócio, e isso pode resultar em uma distribuição Linux by Microsoft para desktops. Um artigo do ZDNet abriu a porta par o Lindows ou MS-Linux no futuro.

 

 

Quatro anos de “amor” ao Linux e ao Open Source

A Microsoft começou esse namoro ao recomendar o Ubuntu como “o melhor Linux para a nuvem em sua plataforma Azure”. Depois, ofereceu o Red Hat Enterprise Linux como opção preferencial, através de um acordo que, no passado, era inimaginável. Assim, Nadella concretiza o seu plano de oferecer a opção na nuvem maios completa do mercado pelo Azure.

Em abril de 2018, a Microsoft apresentou a primeira distribuição Linux de sua história, a Azure Stack OS. Adicione o .NET Core 1.0 para Linux, o PowerShell Open Source para Linux e tudo o que veio do subsistema Linux para Windows (WSL), incluindo o Ubuntu otimizado para o Hyper-V Quick Create, e temos um cenário de amor completo.

Sem falar na parceria entre Microsoft e a Linux Foundation e a parceria com a Open Source Initiative como patrocinador oficial. A união com a Open Invention Network (OIN) também é importante, pois protege os projetos de código aberto com Linux e permite o uso de licenças cruzadas entre os seus membros sem pagamento de royalties.

Sem falar no Edge Chromium, que não é Linux, mas é mais um projeto de código aberto da Microsoft. A compra do GitHub coloca nas suas mãos um dos maiores repositórios de versões, desenvolvimento e intercâmbio de software do mundo, deixando claro a estratégia da empresa nesse sentido.

 

 

É o momento para um desktop Linux da Microsoft?

 

 

Os problemas nos updates do Windows 10 pedem ao menos uma consideração na aposta pelo Linux. Apesar de não ser isento de vulnerabilidades, o kernel Linux é, por padrão, muito mais sólido, e domina todos os segmentos de computação global (desde supercomputadores e servidores até smartphones).

Por outro lado, a Microsoft segue investindo muito dinheiro no Windows, ao mesmo tempo que o sistema operacional entrega cada vez menos receitas, em paralelo aos bons resultados do Azure e do software profissional como o Office.

A Microsoft pode tornar possível a execução dos seus apps no ambiente Linux sem problemas. Os desenvolvedores do WSL da MIcrosoft trabalham na adaptação das APIs do Linux para o Windows e vice-versa, e desenvolvedores externos (Crossover, Vine) já mostraram que podem traduzir as chamadas do sistema Windows para as suas respectivas chamadas do Linux. E isso sem ter acesso aos componentes internos do Windows.

Muito do trabalho necessário para as aplicações do Windows rodarem no Linux (pare chave para todo esse plano dar certo) sem modificações já foi feito e, além disso, o Office 365 já mostrou que o sistema operacional de desktop está perdendo a sua importância na hora de executar aplicativos.

Dito tudo isso, fica a pergunta: chegou a hora de um Linux da Microsoft? Se sim, como seria? E quais seriam as implicações na computação mundial?