
Mal dá para acreditar que o Brasil está mandando tão bem assim com o 5G. Por outro lado, a sensação que fica é que a expansão das operadoras de quinta geração finalmente engrenou, e o serviço funciona de forma minimamente aceitável.
Dito isso…
A Vivo, a Claro e a TIM figuram entre as operadoras com as redes 5G mais rápidas do mundo, segundo levantamento global da empresa britânica Opensignal. O relatório destaca o Brasil como um dos países que melhor implementaram a tecnologia de quinta geração.
Vamos entender o contexto aplicado aqui, pois o estudo pode desmistificar de vez algumas impressões equivocadas que temos sobre o nosso 5G e as redes móveis de outros países (que achamos que são melhores que a nossa).
Vivo tem o melhor 5G do mundo (na teoria)
A Vivo conquistou o selo 5G Global Winner, ao registrar uma média de 362,1 Mbps, a maior velocidade de download entre todas as operadoras avaliadas mundialmente. Claro e TIM aparecem logo em seguida, com médias de 348,2 Mbps e 329,1 Mbps, reforçando a competitividade do mercado brasileiro.
É crível pensa que as operadoras foram avaliadas a partir de resultados sintéticos, e a experiência prática do usuário pode mudar em função de múltiplas variáveis, como cobertura e intensidade de sinal, obstáculos geográficos e disponibilidade de antenas na região, entre outros.
Para o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, o reconhecimento concedido pela Opensignal demonstra que o Brasil conseguiu adotar o 5G de forma eficiente, levando em conta sua grande extensão territorial e diversidade de regiões.
O que não deixa de ser, de alguma forma, um grande mérito para as operadoras brasileiras. Afinal de contas, estamos falando de um país com dimensões continentais, o que torna a implementação do 5G algo muito mais complexo.
Por outro lado, não deixo de pensar que isso é o mínimo que as operadoras devem fazer, considerando os elevados preços dos planos cobrados dos usuários (e pela degradação dos benefícios, como o fim do zero rating).
A metodologia do estudo
A Opensignal realiza medições baseadas em dados coletados diretamente dos aparelhos dos usuários. Por meio de aplicativos instalados voluntariamente, são monitorados indicadores reais de desempenho, como velocidade de download, upload e latência, além de métricas de uso em streaming e chamadas de voz.
Essas medições resultam em relatórios comparativos que avaliam a qualidade das redes móveis entre países e operadoras, apresentando uma visão prática da experiência dos consumidores. O método é considerado mais representativo do desempenho real do que testes laboratoriais tradicionais.
Estamos falando de um dos testes de qualidade de internet mais sérios e relevantes do planeta, de modo que não temos motivos para duvidar da autenticidade dos resultados apresentados.
O que não deixa de ser surpreendente de alguma forma, pois estamos falando do Brasil. Sempre achamos que tudo o que está relacionado à tecnologia em nosso país está defasado em relação a outros mercados globais.
Os resultados dos testes da Opensignal derrubam um pouco dessa percepção. Aliás, alguns relatos indicam que o 5G em mercados como os Estados Unidos (mais especificamente Nova York) apresentam problemas de funcionamento, lentidão e quedas no acesso com certa frequência.
E o que o estudo fala está diretamente ligado à IMPLEMENTAÇÃO do 5G e, por tabela, os resultados de VELOCIDADE DE DOWNLOAD, e não da potência ou cobertura do sinal da rede.
Porém, de novo: não deixa de ser uma vitória para o nosso país.
Uma caminhada que já tem três anos
A expansão do 5G no Brasil teve início em julho de 2022, pouco depois do leilão de radiofrequências promovido pela Anatel em novembro de 2021, o maior já realizado no país. Esse processo destinou faixas como 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz para o novo serviço.
O leilão estabeleceu contrapartidas importantes, incluindo a implantação de redes de fibra óptica em áreas ainda sem cobertura adequada. Essas obrigações visam reduzir desigualdades regionais e ampliar o alcance da conectividade nacional.
Desde o início da operação comercial, o 5G tem se expandido gradualmente por todo o território, com cobertura obrigatória nas capitais até o final de 2022 e meta de chegar a todos os municípios brasileiros até 2029.
A Anatel continua supervisionando o avanço da infraestrutura e o cumprimento das metas definidas, assegurando a continuidade das melhorias na rede e o acesso igualitário aos serviços de alta velocidade.
Com a consolidação do Brasil entre os líderes globais em 5G, o país fortalece sua posição no cenário tecnológico internacional, abrindo espaço para inovações nos setores industrial, educacional e de saúde baseadas em conectividade avançada.
Via Telesintese

