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Tudo no Brasil é mais difícil, ao que parece. Recentemente, ficamos sabendo o óbvio: o nosso país tem a maior carga tributária do mundo para os serviços de internet móvel. Isso explica os preços caros que pagamos por serviços que ficam abaixo da crítica, mas não explica onde os impostos pagos são investidos.

Quem sabe em um apartamento em Salvador, em malas cheias de dinheiro de alguém que esqueceu por lá.

De qualquer forma, quem revela a notícia do segmento EU JÁ SABIA é a União Internacional de Telecomunicações (ITU) em seu último relatório, o Measuring the Information Society Report 2018. 162 países tiveram os seus respectivos cenários analisados, e o brasileiro paga aproximadamente 40.2% de impostos no valor final do pacote de dados móveis, tanto nos planos pré-pagos como nos pós-pagos.

 

Impostos elevados, preços elevados, e muita gente fora da internet (ainda)

Mas pagar mais impostos não quer dizer que essa internet seja a mais cara do mundo. Só quer dizer que a relação custo/benefício é pífia (já que os impostos necessariamente não voltam na forma de benefícios para a população). Por incrível que pareça, o Brasil não tem a internet móvel mas cara do mundo.

Um pacote pré-pago no Brasil de 1.2 GB custa US$ 14 (ou R$ 54). Já o plano pós-pago com 8 GB custa US$ 34 (ou R$ 131). Lembrando que os valores citados são a média para cada cliente, e é claro que é possível encontrar planos pré por menos de R$ 54. Mas somando todos os clientes de dividindo em uma média, o valor é esse aí.

O cenário de tributação no Brasil não é muito diferente para a internet fixa, com 40% de impostos no valor final. Nesse caso, só perdemos para o Sri Lanka (50%), Jordânia (46%) e Turquia (43%).

Se o plano em questão oferece 51 minutos de ligações e 100 mensagens SMS, o valor médio pago pelo usuário brasileiro é de US$ 11 (ou R$ 42), com carga tributária de 40% nesse valor. Os preços dos planos resultam em um efeito colateral imediato: o elevado consumo de aplicativos de mensagens, onde o WhatsApp é rei (65% de uso).

Um em cada cinco brasileiros sem internet alegam que o principal empecilho para entrar na web é o alto preço dos dispositivos. O Brasil fica na quinta posição entre os países onde as pessoas mais reclamam dos preços cobrados pelos celulares e smartphones.

E… sim… esse post beira ao óbvio em tudo. Nem precisava fazer um estudo para concluir tudo isso. Mas os números só ilustram melhor o cenário em que o país se encontra.


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