
Afinal de contas… a quantas andam o Brasil no ranking de internet banda larga global em 2026?
O país avançou bastante nas tecnologias de rede e transmissão de dados, com a cobertura em 5G e via satélite se fazendo presente em boa parte do território nacional.
Mas isso é o suficiente para determinar que a banda larga no Brasil avançou de forma sustentável?
Algumas das respostas estão disponíveis em um novo estudo da Broadband Genie, que mostra como está o desempenho da internet brasileira em comparação com o restante do planeta.
Números são sempre reveladores e bem interessantes, mesmo não necessariamente ilustrando a realidade prática do usuário.
Vamos conhecer a partir de agora os resultados do estudo, e fazer algumas reflexões com os dados coletados.
O levantamento da Broadband Genie
O site de comparação Broadband Genie publicou o novo Global Broadband Price League de 2026, analisando 2.631 tarifas de banda larga em todo o globo para identificar as nações mais e menos caras para a internet fixa.
A pesquisa mapeou tarifas em 214 países ao redor do mundo, tornando-se um dos levantamentos mais abrangentes já realizados sobre o tema. Os dados foram coletados entre 27 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026, o que garante uma fotografia bastante recente do mercado global de conectividade.
A metodologia, vale destacar, tem limitações importantes: o estudo não categoriza as tarifas por desempenho ou custo por megabit de velocidade, e também não aplica ponderações para o tamanho de cada economia ou para a Paridade do Poder de Compra (PPC), o que enfraquece um pouco a comparação direta entre nações.
Irã na liderança, internet caríssima em ilhas remotas

O Irã aparece com a banda larga menos cara do ranking, custando US$ 2,61 por mês — mas isso se deve em grande parte ao colapso da moeda local frente ao dólar americano.
Vale ressaltar também que o estudo foi concluído antes da escalada do conflito entre Irã e Estados Unidos, o que pode influenciar significativamente os dados caso o levantamento fosse realizado em período posterior.
Quando olhamos para o outro extremo da questão…
Wallis e Futuna, um minúsculo território francês no Pacífico Sul, encabeça a lista dos lugares mais caros, com custos médios de US$ 373,88 por mês.
Segundo Alex Tofts, especialista em banda larga da Broadband Genie:
“Os custos mais altos de banda larga geralmente estão em países remotos, incluindo lugares com terreno acidentado ou nações insulares.”
A divisão digital entre Leste e Oeste

Um padrão geográfico bastante claro emerge dos dados.
A Europa Oriental domina o topo da tabela graças à ampla adoção de infraestrutura de fibra óptica até o domicílio, com Ucrânia (2ª), Romênia (7ª) e Rússia (10ª) figurando entre as dez nações mais acessíveis do mundo.
Países como Romênia (US$ 0,01 por Mbbs), Rússia (US$ 0,02) e Polônia (US$ 0,03) oferecem algumas das conexões mais baratas do planeta, provavelmente graças à forte concorrência e aos investimentos governamentais em infraestrutura digital.
Do outro lado do espectro, os Estados Unidos figuram na 167ª posição, com uma fatura mensal média de US$ 80, revelando que ser uma das maiores economias do planeta não garante preços acessíveis de internet.
A América do Norte tem a segunda internet mais cara do mundo, com custo médio de US$ 98,40 por mês.
A pesquisa evidencia uma divisão digital marcante entre as economias ocidentais maduras e os mercados emergentes: enquanto Reino Unido (70º) e França (63º) mantêm posições relativamente competitivas, Alemanha aparece na 105ª posição e o Canadá na 130ª.
Onde o Brasil se encaixa nesse mapa

Em estudos anteriores da Broadband Genie sobre acessibilidade — que cruzavam preço da internet com salário médio — o Brasil ficou na 77ª posição, atrás de economias como Espanha (43ª) e Portugal (53ª).
Quanto ao preço bruto da conexão, segundo dados do portal britânico Cable.co.uk, o Brasil ocupou a 54ª posição em um ranking global que classifica o custo médio mensal pago por consumidores de banda larga fixa em 220 países.
Na comparação sul-americana, o país supera Peru, Chile e Uruguai em termos de preço, mas perde para Colômbia, Argentina e Paraguai.
Nota importante: A posição exata do Brasil no ranking específico da edição 2026 da Broadband Genie (com 214 países) não foi disponibilizada publicamente nos materiais divulgados até o momento desta publicação. As referências numéricas acima dizem respeito a levantamentos correlatos ou edições anteriores do mesmo estudo.
O que explica a diferença de preços no mundo
O preço da internet depende da infraestrutura e da densidade populacional — levar banda larga a populações remotas é caro —, mas também de fatores como concorrência e políticas fiscais.
Muitos países da Europa Oriental, Ásia Central, Sul e Sudeste Asiático têm banda larga barata, frequentemente devido ao uso generalizado de fibra óptica.
Mercados com forte supervisão regulatória consistentemente alcançam custos menores para o consumidor, e governos que firmam parcerias público-privadas observam implantação mais rápida de infraestrutura e preços mais baixos.
A realidade da banda larga fixa no Brasil

Embora o preço seja um fator, o Brasil também tem avançado em volume e qualidade de conexões.
O país encerrou 2025 com aproximadamente 53,9 milhões de acessos de banda larga fixa, ante 52,5 milhões em 2024 — crescimento anual próximo de 2,7%, impulsionado principalmente pela expansão das redes de fibra óptica.
A fibra já responde por cerca de 79% de todas as conexões de banda larga fixa no país, consolidando-se como a principal tecnologia de acesso.
Em relação à velocidade, o Brasil ocupa a 25ª posição no ranking global de velocidade de banda larga fixa, com média de 221,67 Mbps — desempenho que o coloca em posição de destaque frente a economias desenvolvidas, mesmo que ainda haja muito a avançar em termos de acessibilidade de preço para a população mais vulnerável.
Os provedores regionais já respondem por 64,1% do mercado de banda larga fixa no Brasil, um fenômeno único em comparação a outros países, o que prova que o consumidor está de olho em ofertas que entreguem mais velocidade por um preço que caiba no orçamento.
O desafio da desigualdade digital
A conectividade acessível se correlaciona diretamente com produtividade econômica.
Pesquisas do Banco Mundial estimam que um aumento de 10 pontos percentuais na penetração de banda larga está associado a um crescimento do PIB de 1,1 a 1,5 pontos percentuais em economias em desenvolvimento.
Para um país de dimensões continentais como o Brasil — onde disparidades regionais são históricas —, garantir acesso a preços justos segue sendo um dos maiores desafios da política pública de telecomunicações.
