Azure Sphere OS da Microsoft usa kernel Linux (mas não conta pra ninguém)

Compartilhe

O desenvolvimento do Azure Sphere OS foi anunciado pela Microsoft em abril de 2018, e consiste em um sistema operacional com kernel Linux que pretende melhorar a segurança dos dispositivos que fazem parte da Internet das Coisas (IoT).

Agora, o projeto é uma realidade. Uma plataforma conectada a um SoC da MediaTek e associado a um serviço na nuvem que é a nova aposta da renovada Microsoft nesse segmento. Ah, um detalhe: a gigante de Redmond não menciona a palavra Linux no site oficial do projeto.

 

 

 

Do ódio ao amor

 

 

Este é um microcontrolador certificado pela Microsoft, que pode ser utilizado em diferentes cenários do segmento de IoT. Esses chips trabalham com dois componentes de software: o sistema operacional Azure Sphere OS e o serviço de segurança na nuvem Azure Sphere, que oferece capacidades de autenticação, de resposta a potenciais ameaças de segurança e notificações sobre o status do dispositivo e de aplicativos que são executados.

O primeiro (e, por enquanto) único chip certificado para o Azure Sphere OS é o MediaTek MT3620, que inclui o sub-sistema de segurança da Microsoft, o Plutão. No futuro, outros fabricantes devem apresentar os seus chips para essa plataforma.

 

 

 

Linux? Não fala desse cara aqui…

 

 

O anúncio do Azure Sphere OS consolida a estratégia da Microsoft em se aproximar do Open Source de um modo geral e ao Linux em particular. A integração do Windows Subsystem for Linux (WSL) no Windows 10 permite o uso das distribuições Linux como Ubuntu ou Kali Linux de forma nativa em um console dentro do Windows 10, e os esforços nesse sentido continuam.

O mais curioso do anúncio é a Microsoft não dar muita importância à base do kernel Linux personalizado no Azure Sphere OS. O WSL2 com kernel próprio já está em desenvolvimento, e parece que a estratégia para a IoT funciona bem para a empresa.

Porém, a Microsoft só menciona a palavra Linux uma vez no anúncio oficial, e também não menciona o termo no site oficial da plataforma ou no artigo publicado em seu blog de segurança.

E, ainda assim, a referência é indireta no FAQ da Microsoft, quando falam do emparelhamento do Azue Sphere com o Windows IoT, sua plataforma anterior nesse segmento. E, de novo, sem menção do Linux na resposta, só afirmando que é um complemento ao Windows IoT.

 

 

O silêncio sobre o Linux é estranho, levando em conta que a Microsoft mencionou (mesmo de de forma subliminar) a sua presença em 2018.

Mas fato é que o Linux mostra mais uma vez a sua versatilidade, que é chave para que gigantes que antes renegavam estas soluções acabem cedendo à realidade, aproveitando de forma sábia as virtudes de uma filosofia que segue conquistando terreno em todos os âmbitos.

Pode até não ser o caso para afirmar categoricamente que 2020 é o ano do Linux, pois essa é uma piada histórica que nunca vai morrer. Por outro lado, os mais otimistas afirmam (e com boa dose de razão) que o software livre venceu, com o Linux se fazendo presentes em vários espaços do nosso dia a dia.

E a maioria das pessoas não se dá conta disso.

 

 

Via Windows Report


Compartilhe