A Apple está virando uma empresa de serviços, e poucas pessoas estão percebendo isso.
Pode ser mais uma transição da gigante de Cupertino, que deixou de ter os computadores como prioridade para investir em produtos. Primeiro foi o iPad, depois o iPhone, e veio o iPad, o Apple Watch…
Agora, são os serviços que estão turbinando os números dos novos recordes de receita e lucros da Apple. Uma divisão que é “a menina dos olhos” de Tim Cook.
Esta divisão inclui a App Store, Apple Music, iCloud, Apple TV+, Apple Pay, entre outros, e alcançou uma receita de US$ 24,2 bilhões no último trimestre.
Serviços, estrategicamente importantes para a Apple
A receita dos Serviços superou a receita combinada de três outras divisões: Mac, iPad e Wearables (Apple Watch, AirPods, etc).
Outra divisão que foi financeiramente superada pelos Serviços na Apple é aquela que compreende os dispositivos para o lar, como Apple TV e HomePod.
Aquela Apple que historicamente era conhecida pelos seus dispositivos de hardware está migrando gradualmente para um modelo de negócio onde os serviços se tornaram cada vez mais importantes.
A maior prova disso é que cerca de 20% da receita dos serviços provém do acordo com a Alphabet, que define o Google como o mecanismo de busca padrão no Safari.
A margem de lucro bruto dos serviços é de 74%, muito superior à do hardware, que é de 35%. Ou seja, a Apple hoje ganha muito mais dinheiro hoje com os serviços do que com o iPhone.
E isso é bem fácil de entender.
Os custos de produção de hardware superam (e muito) o de software, o que faz com que a margem de lucro dos Serviços sempre seja maior, gerando uma maior rentabilidade.
Os números da Apple
As receitas trimestrais da divisão de serviços atingiram US$ 24,2 bilhões, enquanto a receita combinada das divisões de Mac, iPad e Wearables foi de US$ 22,3 bilhões.
O lucro trimestral dos produtos foi de US$ 22 bilhões, enquanto o lucro dos serviços foi de US$ 18 bilhões.
Logo, é fácil pensar que a Apple está em pleno estágio de transição, e não será surpresa se no futuro a empresa depender cada vez menos do iPhone para ser lucrativa.
Embora os serviços ainda representem menos de 30% da receita total da Apple, eles estão próximos de alcançar 50% do lucro total.
E para uma divisão que nasceu “do nada”, isso é muita coisa. E isso porque, neste momento, 50% dos ganhos da Apple estão nas mãos do iPhone.
A tendência indica que a Apple pode se tornar uma empresa onde a maioria dos lucros virá dos serviços, embora esses serviços dependam diretamente da venda de hardware.
O aumento nas vendas de dispositivos da Apple também impulsiona a adoção de seus serviços pagos, o que fará com que a empresa jamais abandone o hardware, principalmente o iPhone.
Esta relação não é antagônica, mas sim complementar, aumentando a rentabilidade dos dispositivos através dos serviços adicionais.
A Apple está sim se tornando uma empresa de serviços, mas não vai deixar de vender iPhones para deixar os usuários felizes e satisfeitos.
Por outro lado, cria um sistema de dependência, tanto no hardware como no software. E o usuário que lute para pagar tudo.
Via: Apple reports third quarter results – Apple