
Apple começa a semana respirando aliviada.
A guerra tarifária entre Estados Unidos e China não terminou, mas teve uma trégua. A BBC informa que as negociações realizadas na Suíça ao longo do final de semana terminaram com uma considerável redução das tarifas de forma recíproca.
É uma medida temporada, mas é um sopro de ar fresco para uma Apple que estava sufocada e, aparentemente, era a empresa mais afetada pelo tarifaço de Trump.
E, de alguma forma, é um alívio para metade do mundo civilizado, que está sofrendo os efeitos da batalha comercial no dia a dia, com a inflação nos produtos de bens de consumo (e nem precisa ser nos produtos importados).
Uma trégua

Não dá para saber como e quando essa guerra tarifária vai acabar de vez, mas sabemos que a Apple foi uma das empresas mais atingidas por depender demais da China para fabricar o iPhone e vários de seus demais dispositivos.
O grande problema da gigante de Cupertino é que os impostos são aplicados de forma indireta, afetando os componentes dos smartphones.
A Apple chegou a considerar retirar a produção dos seus telefones da China e migrar para a Índia, que recebeu impostos menores. E, mesmo assim, ainda corria o risco de ter que cobrar US$ 2.300 pelo iPhone para manter o produto algo sustentável.
A redução de tarifas estabelecida pelos dois países é benéfica para ambos, e alivia a situação da Apple. Na prática, os impostos serão reduzidos em 115% nos próximos 90 dias, e os dois países concordaram com essas porcentagens:
- Tarifas dos EUA sobre importações chinesas: 30%
- Tarifas da China sobre as importações dos EUA: 10%
É a menor taxa de importação de itens da China em anos (antes era 34% de impostos).
iPhone 17 ainda em perigo

Acabaram as boas notícias para a Apple
Como essa redução tarifária é temporária e válida pelos próximos 3 meses, o iPhone 17 ainda corre o risco de custar bem mais caro do que a Apple deseja.
E isso acontece por causa de sua janela de lançamento.
A trégua entre Estados Unidos e China acaba em 12 de agosto, e tradicionalmente, uma nova família do iPhone chega ao mercado em setembro, quando as tarifas voltarem a subir para níveis estratosféricos (isso é, se nada mudar até lá).
Não é tempo o suficiente para que a Apple faça a transferência de sua produção da China para qualquer outro país, muito menos começar essa produção nos Estados Unidos.
Mas é uma janela de tempo que permite à Apple acelerar a produção dos novos iPhones ao máximo, para que ao menos o primeiro lote de lançamento custe valores mais aceitáveis, caso o tarifaço continue.
Enquanto isso, a concorrência ganha terreno na China, mercado que a Apple tem enorme interesse. A Huawei tomou de assalto o mercado local, a Xiaomi ganha cada vez mais força, e toda a concorrência asiática está lidando com a situação da forma mais interessante para o consumidor: com descontos agressivos.
Que a oxigenação em forma de trégua também possa permitir que o cérebro de Donald Trump seja oxigenado, para que ele entenda de uma vez por todas que a guerra tarifária só beneficia a China neste momento.
Apple e demais empresas norte-americanas serão estranguladas aos poucos com taxas tão altas.
Enfim… um respiro é um respiro. Que todos os envolvidos aproveitem para ventilar um pouco.
Via The Verge

