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Apple perdeu liderança tech por pura ganância

Será que querer ganhar dinheiro agora é crime? Ou só ganhar dinheiro a troco de “ser quem você é” é o verdadeiro problema?

A Apple abandonou sua identidade como empresa de engenharia tecnológica para se tornar uma organização focada exclusivamente na engenharia financeira. A transformação coincidiu com o fim da era Steve Jobs e marcou o início de uma trajetória descendente na inovação de produtos.

Ou seja, parou de inovar para só bolar estratégias para aumentar a sua capitalização. E, de fato, a Apple não apresentou nenhum produto realmente disruptivo nos últimos 10 anos.

A companhia perdeu o posto de empresa mais valiosa do mundo para a Nvidia, seguida pela Microsoft, demonstrando que não possui mais a melhor tecnologia disponível. A perda de liderança tecnológica resulta diretamente na incapacidade de desenvolver os melhores produtos do mercado.

 

As diferentes visões corporativas entre Jobs e Cook

Steve Jobs priorizava o marketing e desprezava aspectos financeiros voltados aos acionistas, mantendo a empresa 17 anos sem distribuir dividendos. O foco permanecia no crescimento através da criação de valor real durante toda a era das empresas pontocom.

Isso fez com que a Apple construísse uma identidade única com o seu consumidor, se tornando chamativa e, ao mesmo tempo, lucrativa.

Já Tim Cook implementou mudanças financeiras consideráveis, incluindo a cdistribuição de dividendos, a recompra de ações e maior controle rigoroso de custos operacionais. As alterações não contribuíram para formar equipes tecnológicas superiores nem para criar produtos mais inovadores no portfólio da empresa.

Por outro lado, não dá para negar que foi com Cook que a Apple alcançou a marca do trilhão de dólares, aumentando a robustez financeira a ponto de se tornar mais versátil nos investimentos.

 

O iPhone atual é a cara de Tim Cook

As diferentes visões de gestão se refletiram de forma mais incisiva no principal produto da empresa: o iPhone.

A linha iPhone apresentou inovações mínimas entre os modelos 4 e 8, limitando-se a melhorias pontuais como Touch ID. Apenas com o iPhone X a empresa arriscou implementar mudanças mais substanciais na linha de smartphones.

E, mesmo assim, muitos consideraram algumas dessas mudanças como controversas, como o famigerado notch no topo da tela.

O iPhone 16 representa a continuidade de uma estratégia conservadora, mantendo limitações artificiais que só desaparecem nos modelos mais recentes. A abordagem gera obsolescência programada sem justificativas técnicas convincentes para os consumidores.

Muitos simplesmente não trocam de modelo de iPhone porque sabe que o dispositivo do ano atual nada mais é do que uma discreta atualização do modelo do ano anterior, e nada mais.

A política atual da Apple transforma iPhones em produtos descartáveis destinados à reciclagem quando apresentam defeitos ou não compensam reparos. A uniformidade visual entre diferentes gerações elimina a percepção de evolução tecnológica significativa.

O desempenho das câmeras dos iPhones não apresenta melhorias espetaculares nem em capacidade nem em interface comparado a gerações anteriores. A ausência de inovações revolucionárias remove o apelo de “produto obrigatório para estar atualizado” que caracterizava lançamentos anteriores.

Na prática, tanto faz se você tem hoje um iPhone 13 ou um iPhone 16. Os dois funcionam da mesma forma, com poucas diferenças que justificam a troca de modelo.

 

Produtos muito mais caros (para atender a sanha dos acionistas)

A gestão Tim Cook implementou uma hiperinflação artificial nos preços dos produtos, elevando o custo do iPhone de US$ 650 para US$ 1.200 sem justificativa proporcional. A estratégia incluiu conversões desfavoráveis para euros e outros mercados internacionais.

E tudo isso acontece porque existe uma divisão de lucros entre os acionistas que, antes (na era Jobs), não existia.

A empresa intensificou a dependência dos consumidores em serviços extras como iCloud e Apple Music, transformando opções em necessidades aparentemente vitais. O bombardeio de serviços complementares acompanha práticas controversas de fechamento da loja e políticas obscuras.

É um ecossistema que gira em torno do que a Apple quer, mas que gera no consumidor o indesejado efeito colateral de só obter a melhor experiência de uso (ou aquela que menos dá problemas) exclusivamente com os produtos da empresa.

O Apple Vision Pro representa uma das poucas tentativas recentes de inovação, resultando em anúncio pomposo seguido de fracasso comercial evidente. O produto demonstra a desconexão entre ambições tecnológicas e execução prática da empresa.

Os óculos de realidade mista da Apple não se venderam como esperado, e não só porque ele era caro. Eles simplesmente não justificam sua existência ou utilidade em uma realidade prática.

Ainda mais com o preço que ele custa.

E a Siri, inicialmente uma boa tentativa de assistente virtual, tornou-se obsoleta diante do ChatGPT e Google Assistant por falta de investimento adequado. Engenheiros da Apple relatam que limitações orçamentárias impedem investimentos suficientes em chips para inteligência artificial.

No caso da Siri, temos aqui um sentimento de “vergonha alheia”.

A assistente virtual da Apple ficou tão burra e obsoleta, que virou motivo de piada dentro da própria empresa, com a existência de sua equipe sendo questionada pelos colegas de outras divisões.

Anúncios de versões “aprimoradas” da Siri são considerados risíveis pela comunidade tecnológica, com previsões adiadas para 2027 para algo comercialmente viável. A defasagem tecnológica em IA coloca a Apple em posição desfavorável no mercado de assistentes virtuais.

 

Saudades de um passado que já foi

A prioridade da Apple mudou completamente desde os tempos de Wozniak e Jobs, abandonando a criação de “mágica” tecnológica inovadora. A estratégia atual foca em extrair lucros máximos através de atrasos, promessas não cumpridas e até ações judiciais por publicidade enganosa.

A obsessão pelos lucros traz como efeito colateral uma empresa totalmente desconectada com o seu passado criativo e, principalmente, com o público, que só vê o “mais do mesmo” nos produtos há muito tempo.

A empresa que antes humilhava a Microsoft com produtos brilhantes agora se arrasta atrás da Nvidia e Google vendendo produtos similares a preços exorbitantes. O império que transformou o iPod em objeto de desejo religioso cobra mais de US$ 1.200 por iPhones praticamente idênticos aos de seis anos atrás.

Todo império cai um dia. E o primeiro ponto de queda é quando esse império vira as costas para o seu passado, negando tudo aquilo que a conduziu ao topo.

Steve Jobs deve estar se revirando no túmulo neste exato momento.

 

Via @AppleExplained