
O Google deu um passo decisivo com o Android 15, que pode impactar a muitos dispositivos de entrada ou de baixo custo: a nova versão do sistema não poderá ser instalada em dispositivos com menos de 32 GB de armazenamento interno.
A medida tem um objetivo claro — forçar a elevação do padrão mínimo de qualidade nos smartphones Android, especialmente os de entrada, e oferecer uma experiência mais estável e fluida ao usuário.
Na prática, o Android 15 está mais exigente nos aspectos técnicos, o que pode decretar o fim de vários telefones muito baratos, mas muito defasados tecnicamente. Por outro lado, pode marcar uma evolução considerável na experiência de uso nos telefones que recebem o sistema operacional.
O quanto seremos impactados com essa mudança?
Por que o Google aumentou os requisitos?
Até o Android 14, era possível rodar o sistema com apenas 16 GB de armazenamento. Mas o crescimento constante do tamanho dos aplicativos, das atualizações do sistema e da própria complexidade do Android tornaram essa capacidade insuficiente.
Celulares com 16 GB rapidamente atingem o limite de espaço disponível, o que prejudica o desempenho, impede atualizações e compromete a experiência de uso logo após a configuração inicial.
Ao exigir 32 GB, o Google pretende garantir que o sistema funcione com folga para instalar apps essenciais, armazenar arquivos do sistema e receber atualizações de segurança. Além disso, essa exigência impõe um novo padrão mínimo para os fabricantes — sem cumprir essa regra, o dispositivo simplesmente não será compatível com o Android 15.
O que acontece com quem tem 16 GB de armazenamento?
A resposta é direta: não será possível instalar o Android 15 nesses aparelhos.
Mesmo que o restante das especificações seja compatível, a falta de espaço interno desqualifica o dispositivo. Smartphones com 16 GB continuarão, no máximo, com o Android 14 — isso se ainda tiverem suporte de atualização da fabricante.
Para piorar, quem insistir em usar versões adaptadas do Android 15 sem os Google Mobile Services (GMS) também perderá acesso a recursos como Google Play Store, Gmail, YouTube e outros serviços essenciais para a maioria dos usuários Android.
Como o espaço é utilizado?

Do total de 32 GB exigidos, 75% são reservados para a partição de dados do sistema. Isso inclui aplicativos pré-instalados, arquivos essenciais do sistema e dados de configuração. Ou seja, apenas uma parte do espaço estará disponível para fotos, vídeos e apps adicionais.
Ainda assim, esse novo padrão garante que o sistema opere com estabilidade e evite travamentos ou falhas de atualização.
É claro que outras variáveis precisam ser consideradas, como o peso da interface customizada, a capacidade de RAM e a potência do processador.
Ou seja, nem mesmo os 32 GB de armazenamento são garantias para atualização para a nova versão. A regra pode variar. Tudo vai depender da marca em questão.
Tipo de armazenamento ainda não é obrigatório
Embora o requisito de espaço tenha mudado, o Google não exige um tipo específico de memória. Isso significa que fabricantes ainda podem optar por tecnologias mais lentas, como eMMC, em vez das mais rápidas, como UFS 3.1 ou 4.0.
Isso pode afetar o desempenho geral, mesmo que o aparelho tenha os 32 GB exigidos. Ainda assim, a tendência é que a indústria comece a adotar soluções mais avançadas para acompanhar a evolução do sistema.
E os outros requisitos do Android 15?
Apesar da nova exigência de armazenamento, o restante dos requisitos técnicos permanece semelhante aos do Android 14.
Para instalar a nova versão, o dispositivo precisa ter:
- No mínimo 2 GB de RAM com certificação Android Go, ou 4 GB de RAM sem ela;
- Processador de 64 bits com pelo menos dois núcleos rodando a 1,2 GHz;
- Compatibilidade com a API gráfica Vulkan 1.3;
- A biblioteca ANGLE ativada por padrão (exceto em versões Go).
Na prática, para ter uma experiência realmente satisfatória com o Android 15, o ideal é que o smartphone conte com 4 GB de RAM e 64 GB de armazenamento. Essa configuração já está presente em modelos acessíveis, o que torna essa transição viável no médio prazo.
Dispositivos de entrada sentirão o impacto

A decisão do Google afeta principalmente celulares muito baratos, geralmente abaixo dos R$ 600, que ainda contam com 16 GB de armazenamento.
Embora esses modelos representem uma fatia menor do mercado, são populares em países emergentes como o Brasil, onde o custo é um fator decisivo.
Esses aparelhos, mesmo que novos, não poderão evoluir para o Android 15. Isso não só limita os usuários em termos de recursos, como também os expõe a riscos de segurança ao permanecerem em versões antigas do sistema.
Muda alguma coisa na nossa realidade prática?

Depende do ponto de vista que você aborda a questão.
Para o grande público consumidor, não.
A grande maioria dos smartphones de entrada comercializados no Brasil (na faixa de preço a partir de R$ 700) já contam com, pelo menos, 4 GB de RAM e 128 GB de armazenamento interno.
O impacto prático vai para os dispositivos mais baratos que isso. Normalmente são esses que recebem uma capacidade de armazenamento menor. E, mesmo assim, a maioria conta com pelo menos 64 GB de armazenamento.
Em várias oportunidades escrevi aqui no blog que a combinação mínima que você precisa ter hoje no seu smartphone é 4 GB + 128 GB. Menos que isso, e você está pedindo para ter uma experiência de uso muito ruim.
Logo, o único impacto de verdade nessa decisão do Google é nos fabricantes. Várias empresas do tipo “White label” (que fabricam telefones que são vendidos para outras marcas consolidadas, que só colocam o seu logo nos produtos) terão que se reinventar para seguir no mercado.
E algumas marcas nacionais serão obrigadas a parar de oferecer smartphones Android com configurações abaixo da crítica. Sim, pois é preciso ser muito cara de pau para oferecer para o consumidor um smartphone com 3 GB + 32 GB.
Mesmo que o dispositivo custe R$ 389.
Isso, para mim, é desrespeito ao cliente.
O futuro: mais exigência, menos fragmentação?
Ao longo das últimas versões, o Android vem aumentando suas exigências mínimas, justamente para que o sistema entregue uma melhor usabilidade para um público cada vez maior.
O Android 12 ainda rodava com 8 GB de armazenamento. No 13, o mínimo subiu para 16 GB. Agora, com o Android 15 exigindo o dobro, a tendência de elevação deve continuar — talvez com RAM e desempenho gráfico sendo os próximos alvos de atualização nos requisitos.
Essa política pode ajudar a reduzir a fragmentação do Android, um problema histórico da plataforma. Com menos dispositivos defasados, será possível oferecer recursos mais avançados de forma padronizada, beneficiando usuários e desenvolvedores.

