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Adeus, videogames que custam até US$ 500…

Prepare o coração (e a conta bancária), pois o tempo em que comprar um videogame novo custava “apenas” o equivalente a um aluguel está ficando para trás.

Se você ainda reclama do preço do PS5 Pro (que passou recentemente por um aumento de preços bem severo em todo o mundo), saiba que o futuro reserva algo muito mais assustador: o PlayStation 6 parece estar mirando a marca mística — e aterrorizante — dos 1.000 dólares.

Enquanto os jogadores sonham com gráficos de cinema, os especialistas em hardware estão tendo pesadelos com planilhas de custos, indicando que a barreira psicológica de quatro dígitos não é mais uma possibilidade remota, mas uma provável realidade dolorosa para o consumidor.

 

A morte dos chips baratinhos

Para começar essa tragédia financeira, precisamos falar sobre o coração do console: os semicondutores.

Antigamente, a tecnologia evoluía e ficava mais barata, mas agora a festa acabou. Produzir chips em processos de 2 nanômetros ou menos é um desafio físico e monetário tão absurdo que a economia de escala não consegue mais segurar o preço lá embaixo.

Rumores na indústria sugerem que a Sony está enfrentando custos de fabricação que fariam qualquer CEO chorar no banho, já que cada pequena peça de silício agora custa o preço de uma joia.

Sem componentes baratos, a conta simplesmente não fecha, a menos que a empresa decida vender o console e virar uma instituição de caridade, o que sabemos que não vai acontecer.

Na verdade, a Sony e a Microsoft já perdem dinheiro com cada unidade da atual geração de consoles que é vendida no mercado, em uma prática que se manteve sustentável até agora.

Mas diante de todas as mudanças no fornecimento de hardware (damn you, AI), vai ser muito difícil ver a dupla apostando na perda para recuperar depois.

E como você vai ver ao longo deste artigo, existem outras soluções que podem aumentar a rentabilidade para as duas, mas sempre encarecendo os preços para os gamers.

 

O fim do subsídio camarada

Historicamente, as fabricantes de consoles seguravam o prejuízo no hardware para ganhar dinheiro com os jogos, mas essa estratégia está respirando por aparelhos.

Com o custo de desenvolvimento de games AAA ultrapassando a marca dos centenas de milhões de dólares, a Sony não pode mais se dar ao luxo de perder 200 ou 300 dólares em cada caixa vendida no lançamento.

E, acredite, caro leitor gamer: essa conta do desenvolvimento dos jogos sempre foi repassada para o consumidor de alguma forma.

Caso contrário os jogos não custariam tão caros como sempre foram.

Analistas apontam que o modelo de negócios mudou: agora o hardware precisa, no mínimo, se pagar desde o primeiro dia.

Se o custo para montar o monstro de próxima geração for alto, o repasse para o seu cartão de crédito será imediato e sem anestesia, transformando o ato de jogar em um hobby de elite absoluta.

Acredite: nós, gamers, sempre estamos perdendo nessa equação.

 

Inflação e logística de guerra

Mergulhando um pouco mais no cenário macroeconômico, percebemos que o mundo não está exatamente um mar de rosas para quem produz eletrônicos. A inflação global e os custos de transporte subiram de elevador e decidiram não descer mais.

Aquele precinho de 499 dólares que durou anos se tornou uma memória nostálgica de uma época mais simples. E quem reclamava desse preço vai sentir saudade desse tempo, com toda a certeza.

Especialistas alertam que, se somarmos o reajuste inflacionário dos últimos cinco anos à complexidade de distribuir milhões de unidades globalmente, qualquer valor abaixo de quatro dígitos parece uma piada de mau gosto para os investidores da marca.

Em termos práticos: nunca estivemos tão próximos de romper a barreira psicológica dos US$ 1.000 para um console de videogames.

E todos nós teremos que lidar com isso.

 

Tecnologia de ponta custa o seu almoço

Considerando que ninguém vai comprar um PS6 para jogar a mesma coisa que já roda hoje, a exigência por inovação empurra o preço para a estratosfera.

Estamos falando de memórias RAM ultrarrápidas, SSDs que fazem o tempo de carregamento ser uma lenda urbana e GPUs capazes de lidar com inteligência artificial de ponta para upscaling.

Cada um desses mimos tecnológicos tem um preço tabelado em dólar. E tanto pelas variações cambiais quanto pela dinâmica das memórias, os preços serão, de forma inevitável, elevados.

Especula-se que a inclusão de tecnologias proprietárias de IA para competir com o que há de melhor nos PCs elevará o custo base de produção a níveis nunca antes vistos em um dispositivo doméstico “popular”.

É claro que não podemos retirar dessa equação a ganância corporativa que, historicamente, impulsionou os preços dos consoles e dos jogos para cima.

O videogame, como produto, nunca foi algo que podemos chamar de barato, e isso é fato.

Mas o cenário de momento deixa os valores algo ainda mais obsceno. E não são todos os gamers que vão aceitar pagar os preços que serão “sugeridos” pelos fabricantes para manter o hobby doméstico do jeito que sempre foi.

 

O novo normal dos preços de luxo

Finalmente, precisamos aceitar que o mercado foi testado e… bem, nós passamos no teste de estresse da pior forma possível.

O lançamento de modelos “Pro” e edições limitadas caríssimas mostrou para as empresas que existe um público disposto a pagar valores exorbitantes por hardware premium.

E não podemos sequer criticar essas pessoas, pois certamente esses seres contam com robustez financeira para investir o que for nesses dispositivos.

Olhando para o sucesso de vendas de dispositivos que beiram os 800 ou 900 dólares hoje em dia, a Sony entende que o salto para os 1.000 dólares no PS6 não é mais um tabu, mas um degrau natural.

Sempre vai ter aquele indivíduo que vai pagar o preço para atender ao seu ego ou o seu desejo, sem se preocupar em olhar para os lados em nenhum momento.

Se você quer o topo da cadeia alimentar dos games, o mercado está sinalizando que você terá que pagar o preço de um PC de entrada de respeito, quer o seu bolso goste ou não.

E boa parte desse público vai para o PC com relativa facilidade, principalmente quando se der conta que o computador entrega o mesmo resultado prático, com o bônus de oferecer as atualizações de hardware quando necessário.

Mas isso é assunto para outro artigo.