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Adeus para o Xbox que você conhecia

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O Xbox, tal e como conhecemos, morreu. E só agora a maioria percebeu.

Sarah Bond, presidente do Xbox, jogou a verdade na cara de todo mundo quando anunciou que a próxima geração do console da Microsoft está viva, mas que será um produto totalmente premium e “de alta qualidade”.

De quebra, a mesma Microsoft decidiu que os seus jogos exclusivos estariam presentes nas plataformas concorrentes, principalmente no PlayStation, acabando com um dos argumentos que poderiam valorizar o Xbox no mercado.

Agora, some um futuro console Xbox que pode ultrapassar a casa dos US$ 1.000 e jogos que podem ser encontrados na concorrência que tem um videogame que pode custar a metade do preço, e é fácil concluir que o modelo de negócio da Microsoft mudou para sempre.

 

O que manda é o lucro

Todo mundo sabia que a Microsoft subsidiava os preços dos seus consoles, abraçando prejuízos por unidade vendida para capitalizar no ponto futuro, tanto com a venda de jogos em formato digital na sua loja quanto nas assinaturas do Xbox Game Pass.

Agora, para recuperar as perdas da compra da Activision Blizzard e otimizar o quanto pode os lucros operacionais, a próxima geração do Xbox vai custar o preço de um PC top de linha ou premium, mas com várias restrições típicas desse formato de produto.

Tanto Microsoft quanto Sony abandonaram a ideia de lucros com vendas de jogos e serviços, e entendem que quem deseja ter a melhor experiência com os seus consoles de videogames terá que pagar o preço por isso.

Quem pode se dar bem com essa história é a Sony que, apesar de depender mais das vendas de consoles que a Microsoft, deve entregar o hipotético PlayStation 6 no mercado por um preço que deve ser sim mais caro que o PS5, mas não repassando os custos totais de produção para o consumidor, tal e como a Microsoft AFIRMOU que vai fazer.

 

Conceito de exclusividade está desatualizado?

Na opinião da Sarah Bond, sim.

Para ela, jogos exclusivos não mobilizam a comunidade gamer, impedindo que você jogue esses títulos com seus amigos. Ela não deixa de ter uma dose de razão nessa visão e, para ser bem justo, a Microsoft brigou com a Sony por muito tempo em nome da interação entre as duas plataformas em um mesmo jogo.

O grande problema está no timing que Bond faz essa declaração.

Os jogos exclusivos foram (e continuam a ser) aqueles que definiram gerações inteiras de consoles, ajudando a criar a identidade de qualquer plataforma. O PlayStation se beneficiou muito do fato de ter títulos como God of War e The Last of Us em suas plataformas, da mesma forma que o Xbox criou coletivos de jogadores em torno de Halo, Gears of War e Forza Horizon.

Aqui, existem duas verdades que Sarah Bond não quer comentar.

A primeira é que os jogos exclusivos da atual geração de consoles foram raros. Praticamente tudo o que foi lançado de mais relevante estava disponível para a geração anterior, que ainda conta com uma enorme base de jogadores.

A segunda é que o Xbox Series X e Series S venderam tão mal ao redor do planeta, que a Microsoft está disposta a fazer qualquer coisa para melhorar a receita na sua divisão de videogames.

Incluindo cobrar o seu rim por um console premium, ou acabar com a exclusividade nos jogos. Ah, sim, claro… além de acabar com a mídia física, subir o preço do Game Pass e todas as outras decisões absurdas que a empresa tomou nos últimos meses.

É melhor você se despedir do Xbox que você conhecia, pois definitivamente ele não existe mais. O que temos hoje é o símbolo do desespero corporativo, baseado na sanha de obter lucros a todo custo.


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