Press "Enter" to skip to content

Adeus, Nickelodeon. E muito obrigado!

A confirmação do encerramento das transmissões da Nickelodeon no Brasil marca o fim de um ciclo histórico para a televisão por assinatura no país, com o desligamento oficial do sinal programado para a virada do dia 31 de dezembro.

A decisão da Paramount Global, controladora do canal, reflete uma reestruturação estratégica global focada na migração de conteúdo para plataformas digitais e no fortalecimento do serviço de streaming Paramount+.

O encerramento não afeta apenas a Nickelodeon, mas faz parte de um movimento maior que inclui a descontinuação de outros canais lineares do grupo, como MTV, Comedy Central e Nick Jr., devido aos altos custos operacionais do modelo de TV paga tradicional e à mudança nos hábitos de consumo da audiência.

O conteúdo clássico e as novas produções, incluindo as franquias de sucesso como Bob Esponja e Patrulha Canina, serão migrados integralmente para o catálogo do Paramount+ e para os canais gratuitos da Pluto TV.

Para os fãs nostálgicos e a nova geração, a última semana do canal no ar foi desenhada como uma despedida solene, com maratonas especiais de séries icônicas como iCarly, Drake & Josh e Henry Danger, organizadas em blocos temáticos para celebrar as décadas de história da emissora.

A programação final culminará com a exibição de episódios clássicos na noite de Réveillon, proporcionando um último momento de conexão entre o canal e seus espectadores antes que a tela fique preta.

Apesar do fim do canal linear, a marca Nickelodeon continuará existindo como um selo de produção de conteúdo, mantendo sua relevância cultural e comercial através do licenciamento de produtos e da produção de filmes e séries exclusivas para o ambiente digital.

 

O fim da era laranja

A notícia que nenhum fã gostaria de receber se confirmou, marcando o encerramento definitivo das transmissões da Nickelodeon no Brasil no dia 31 de dezembro. O canal, que coloriu a infância de milhões de brasileiros com seu icônico logotipo laranja, deixará a grade das operadoras de TV por assinatura após décadas de história.

Ver a Nick sair do ar é como fechar um capítulo vibrante da cultura pop, guardando memórias de risadas e personagens inesquecíveis em uma caixa de recordações. Foram anos ensinando o valor da amizade, da diversão desenfreada e, claro, da famosa “gosma verde” que se tornou símbolo de uma geração.

O desligamento do sinal representa uma mudança no mercado audiovisual, refletindo as novas tendências de consumo que priorizam o streaming. Enquanto o canal linear se despede, o legado construído por suas animações e séries live-action permanece vivo na memória afetiva de quem cresceu assistindo à TV paga.

 

A revolução da TV paga nos anos 90

Quando a Nickelodeon chegou ao Brasil em 1996, ela não trouxe apenas desenhos animados, mas uma nova linguagem visual e comportamental que revolucionou a televisão para crianças e adolescentes.

O canal se posicionou rapidamente como um estilo de vida, criando uma conexão direta e irreverente com seu público através de vinhetas criativas e apresentadores carismáticos. Essa abordagem inovadora transformou a forma como o conteúdo infanto-juvenil era produzido e consumido no país.

Além da programação diária, a Nick consolidou sua marca através de eventos grandiosos como o “Meus Prêmios Nick”, que se tornou uma das premiações mais aguardadas do ano pelo público jovem.

A expectativa para ver qual celebridade levaria o banho de slime era um ritual anual que transcendia a tela da TV, engajando fãs em votações massivas e criando momentos icônicos da cultura pop brasileira, em eventos que ajudaram a fixar a identidade do canal muito além dos desenhos.

Foi na tela da Nick que nasceram fenômenos globais que definiram o humor e a estética dos anos 90 e 2000, como as comédias de situação que lançaram grandes estrelas.

Séries como “Kenan & Kel” e “Drake & Josh” não apenas entretinham, mas criavam bordões e referências que são repetidos até hoje, provando que o conteúdo do canal possuía uma qualidade atemporal capaz de unir diferentes faixas etárias em frente à televisão.

 

A Fenda de Biquíni, e outros ícones da cultura pop

Impossível falar da Nickelodeon sem mencionar seu maior embaixador, Bob Esponja Calça Quadrada, que se tornou a alma da emissora e uma das franquias mais lucrativas da história do entretenimento. A esponja otimista e seus amigos da Fenda do Biquíni ensinaram lições valiosas sobre amizade e perseverança, mantendo-se relevantes por décadas.

Sua onipresença na grade de programação foi fundamental para manter a audiência do canal estável mesmo diante da concorrência feroz.

A música sempre esteve no DNA da Nick, impulsionada por séries de sucesso estrondoso como “Big Time Rush” e “iCarly”, que misturavam a vida adolescente com o sonho do estrelato.

Essas produções não só geraram altos índices de audiência, mas também lançaram carreiras musicais reais e turnês que lotavam estádios, criando um ecossistema transmídia muito antes desse termo se tornar comum no mercado. A identificação do público com esses personagens foi vital para o sucesso sustentado do canal.

Mesmo em seus anos finais, a Nickelodeon continuou a inovar com sucessos como “The Loud House” e “Henry Danger”, provando que ainda sabia como conversar com as novas gerações.

“The Loud House”, com a vida caótica de Lincoln e suas dez irmãs, trouxe uma dinâmica familiar moderna e hilária, enquanto os super-heróis de “Henry Danger” dominaram a preferência do público infanto-juvenil, garantindo que o canal encerrasse sua trajetória ainda produzindo hits de audiência.

 

A contagem regressiva e a programação final

Para honrar sua história, a última semana do canal foi estruturada com uma programação de despedida meticulosa, focada em entregar o máximo de nostalgia aos fãs.

O destaque fica para as maratonas de “Bob Esponja”, especialmente os blocos gigantes programados para o domingo (28/12) e a terça-feira (30/12), permitindo que o público ria pela última vez das aventuras na Fenda do Biquíni no formato linear tradicional. É a chance final de vivenciar a experiência de assistir ao desenho na grade da TV.

O sábado (27/12) e a segunda-feira (29/12) foram reservados para os grandes sucessos de ação e comédia, com horários nobres dedicados a “Henry Danger” e “Força Danger”.

A estratégia de exibir esses programas em sequência visa capturar a audiência que cresceu acompanhando as aventuras do Capitão Man, oferecendo um desfecho digno para os heróis que definiram a era mais recente do canal.

“Os Thundermans” também terão seu momento de brilho, garantindo que todas as fases da Nick sejam representadas.

O momento mais simbólico ocorrerá na noite de Réveillon, quando a programação especial culminará nos minutos finais de transmissão do canal no Brasil.

A escolha de encerrar as atividades na virada do ano reforça o sentimento de transição e fim de ciclo, transformando o desligamento do sinal em um evento televisivo por si só. Os fãs que sintonizarem no canal às 23h35 do dia 31 de dezembro testemunharão os últimos suspiros de uma gigante da comunicação.

 

Em 2026, Nickelodeon só no streaming

A decisão da Paramount Global de encerrar os canais lineares no Brasil está diretamente ligada à necessidade de cortar custos operacionais elevados e focar no crescimento digital.

O modelo de TV por assinatura, com suas taxas de transmissão e infraestrutura pesada, tornou-se menos atraente financeiramente em comparação com a escalabilidade e o alcance direto das plataformas de streaming.

A mudança segue uma tendência global de consolidação de mídia onde o conteúdo é rei, mas a forma de distribuição muda radicalmente.

O vasto catálogo da Nickelodeon não desaparecerá; ele encontrará uma nova casa exclusiva no serviço Paramount+ e na plataforma gratuita Pluto TV.

A migração garante que as produções continuem acessíveis, agora no formato on-demand, permitindo que os fãs assistam aos seus programas favoritos a qualquer hora e em qualquer lugar.

Portanto, a marca Nickelodeon deixa de ser um canal de TV para se tornar um selo de conteúdo premium dentro do ecossistema digital da empresa.

A transição para o digital pode encerrar a era da “TV a cabo”, mas o impacto cultural da Nickelodeon no Brasil é irreversível e continuará influenciando novas produções.

O espírito irreverente, a estética colorida e a capacidade de falar a língua das crianças garantem que a essência da Nick sobreviva, mesmo sem um número no controle remoto.

O slime pode não cair mais na TV, mas a diversão continua fluindo nas telas dos smartphones e smart TVs de todo o país.

 

Vai deixar saudades(?)

É importante deixar registrado dois outros pontos que considero relevantes para o fim da Nickelodeon (e do Nick Jr.) no Brasil.

O primeiro deles é o fim da veiculação de propagandas voltadas para o público infantil na TV brasileira, em uma legislação que existe há décadas.

O efeito prático da lei foi o desaparecimento de programas infantis da TV aberta, uma vez que era a publicidade direcionada que ajudava a bancar esses conteúdos na grade de programação.

Algo similar aconteceu na TV por assinatura.

Toda a propaganda dos canais infantis se resumiu à divulgação dos demais programas da grade. E sem anunciantes, fica cada vez mais difícil manter essas plataformas na TV por assinatura.

Aqui, temos outro sinal de estrangulamento da TV paga, tal e como conhecemos. E  a retirada dos canais deixa sérias dúvidas sobre sua sobrevivência.

O segundo aspecto a ser observado é: realmente vamos sentir falta da Nickelodeon?

Ou melhor: nossos filhos vão sentir falta da Nickelodeon?

Para a minha geração (tenho 46 anos), existe aquela sensação de perda. Mas muito mais ligado à nostalgia do que aos conteúdos atuais do canal.

Eu realmente não me lembro da última vez que sintonizei na Nickelodeon na TV por assinatura. Foi mais fácil parar no canal do Bob Esponja ou do Rocko na Pluto TV e, mesmo assim, porque eram conteúdos do meu interesse direto.

O público infantil e infanto-juvenil conta hoje com outros focos de interesse, em uma competição multiplataforma que, naturalmente, fragmenta a atenção do público.

Música, streaming, videogames, cinema, mangás, HQs, esportes… são múltiplas opções para o lazer e o entretenimento.

E observando os filhos dos meus amigos, não vejo esse interesse todo por desenhos animados pelos mais novos.

Seria pelo fato de os atuais desenhos serem um tanto quanto desinteressantes? Ou por que outras linguagens de animação serem mais atraentes?

De qualquer forma, o legado da Nickelodeon é inegável. E é claro que lamento a perda de mais uma alternativa de entretenimento para as faixas etárias mais novas.

Mas reconheço que a melhor forma de manter essa marca viva é mesmo no streaming… até que David Ellison dê uma surtada e opte pelo seu desaparecimento em definitivo.

Torço para que isso não aconteça.

Muito obrigado por tudo, Nickelodeon.

E adeus.