
Estamos entrando em um momento de transição nos dispositivos que emulam os livros para a leitura, ou para transformar a tela colorida de um smartphone em algo menos agressivo para a nossa visão.
As telas de tinta eletrônica ou E Ink se popularizaram principalmente depois da chegada do Kindle em nossas vidas. Porém, elas pecam em um detalhe: limitam o desempenho dos dispositivos, já que não contam com elevadas taxas de FPS.
Uma forma que o mercado encontrou para resolver o problema é o uso das telas LCD reflexivas, que estão chegando em um ponto de maturação que já podem aposentar o E Ink nos smartphones.
As vantagens e as desvantagens do E Ink

Além de imitar a sensação de papel, entregando uma boa legibilidade sob diferentes condições de luz e baixo consumo energético, as telas E Ink pode refletir a luz ambiente, reduzindo o cansaço visual e uma leitura confortável mesmo em ambientes bem iluminados ou sob a luz direta do sol.
E mesmo com as novas tecnologias de retro iluminação presente nos recentes modelos de leitores Kindle, a autonomia de bateria resultante do uso dessas telas é enorme.
É possível manter um ereader como o Kindle ou o Kobo funcionando por meses, mesmo com horas diárias de leitura de livros.
Por outro lado, o E Ink possui algumas limitações que sempre incomodaram os usuários, como baixa taxa de atualização e reprodução de cores restrita.
Isso a torna menos adequada para conteúdos dinâmicos, como vídeos e animações, em comparação com telas LCD e OLED, que oferecem maior fluidez e variedade de cores.
Mesmo que os usuários dos ereaders só utilizem o dispositivo para a leitura de livros, a experiência não é tão imersiva quanto poderia ser.
É claro que esse aspecto de imersão pode variar em função do conteúdo que você vai ler no seu leitor de livros eletrônicos.
Para a leitura de livros tradicionais, o Kindle sempre vai me servir muito bem. Na maior parte do tempo, estou basicamente lendo textos, não me importando tanto com as ilustrações.
Porém, para quem lê comics, HQs e outros materiais onde a experiência de leitura pode se tornar mais imersiva em função das ilustrações, as telas E Ink mais prejudicam do que ajudam.
E é aqui que outras soluções são necessárias.
Apresentando as telas LCD reflexivas

Temos uma alternativa promissora às telas E Ink: as telas LCD reflexivas.
Essa nova tecnologia é capaz de refletir a luz ambiente sem a necessidade de retro iluminação, como acontece hoje nas telas E Ink.
Isso resulta em telas mais finas e eficientes em termos de energia, além de serem legíveis em ambientes externos, similar às telas de tinta eletrônica.
As novas telas LCD não conseguem alcançar a mesma eficiência energética e conforto visual que as telas E Ink entregam hoje, algo que é quase impossível pela natureza do material.
Por outro lado, estão se tornando cada vez mais populares, por compensarem em todo o resto, inclusive na experiência de uso prático e fluidez nos smartphones.
Tanto, que fabricantes de dispositivos eletrônicos como Hannspree e TCL estão investindo nessa tecnologia como solução para os seus produtos.
Alguns tablets já contam com essa tela LCD reflexiva que não conta com luz azul, mas permite a escrita e a leitura como se fossem livros ou cadernos, entregando a fluidez que se pede desses produtos.
Porém, ainda são produtos bem caros, passando da casa dos US$ 700. Não teria coragem de pagar uma pequena fortuna por um produto como esse.
Já o Hannspree HannsNote 2 me agrada mais.
Ele pesa 350 gramas, tem a tela ecoVision Paper Display de 10 polegadas e 16,7 milhões de cores, com um tempo de resposta de apenas 5 milissegundos, o que já é muito superior do que qualquer ereader com E Ink.
E seu design se aproxima do Kindle Scribe, sendo mais promissor.
Mas deve ser tão caro, que nem tem o seu preço revelado por enquanto.
Como será o amanhã?

Eventualmente, as duas tecnologias podem coexistir, caminhando em diferentes frentes. Uma substituição completa parece pouco provável enquanto os ereaders e, agora, os cadernos digitais prevalecerem como produtos com alta adesão por parte dos usuários.
Por isso, o E Ink segue em desenvolvimento, com novas gerações de displays que prometem maior reprodução de cores e menor latência.
A tecnologia E Ink Gallery 3 foi apresentada em 2022, e está em pleno desenvolvimento. Mas entrega resultados muito distantes do que hoje é alcançado pelas telas LCD reflexivas, tanto na quantidade de cores quanto na fluidez.
De qualquer forma, novos produtos que chegaram ao mercado recentemente com a E Ink Gallery 3 já entregam uma experiência de uso mais satisfatória, com mais de 50 mil cores de compatibilidade e menor latência.
A esperança das telas de tintas eletrônicas é que a próxima geração, a E Ink Gallery 4, adicione ainda mais cores e latência muito menor para reproduzir outros tipos de conteúdos que vão além do texto.
Dessa forma, é correto dizer que as telas E Ink contarão com uma longevidade, em função da evolução tecnológica dentro do seu segmento.
Já as telas LCD reflexivas estão se tornando mais acessíveis e eficientes, o que vai naturalmente resultar em um aumento na adoção desse tipo de tecnologia.
Os leitores de livros eletrônicos e tablets devem receber as telas LCD reflexivas em um futuro a médio prazo, pois esse tende a ser o caminho natural da evolução dessa solução.
Para os usuários que optam por uma experiência de uso mais dinâmica e imersiva, o novo padrão de LCD será a regra a ser adotada por fabricantes e usuários.

