
A frase “fim de uma era” pode até soar clichê neste caso. Mas é o que melhor representa o sentimento da maioria dos fãs da Asus com essa decisão e, para ser bem sincero, é correto dizer que, diante do que a marca fez nos últimos anos, “só estava faltando o comunicado oficial”.
A Asus confirmou oficialmente que não irá mais fabricar novos smartphones, encerrando de forma imediata o desenvolvimento de modelos das linhas Zenfone e ROG Phone. A decisão foi anunciada pelo presidente da companhia, Jonney Shih, durante um evento realizado em Taiwan, confirmando rumores recentes sobre a mudança de estratégia.
E eu sei o que você está pensando: “isso aqui também é culpa da inteligência artificial…”.
Seus pensamentos estão corretos.
Por que a Asus “arregou”?
Segundo Shih, a empresa não pretende lançar novos celulares no futuro próximo, o que marca uma saída abrupta de um mercado em que a Asus atuava há mais de uma década. A fala do executivo reforça que a mudança já está em vigor e não se trata apenas de uma pausa temporária.
A companhia afirmou que continuará oferecendo suporte aos smartphones já vendidos, incluindo atualizações de software e assistência técnica autorizada. Ainda assim, a Asus não detalhou por quanto tempo esse suporte será mantido, limitando-se a indicar que deve durar alguns anos.
Apesar do anúncio, o presidente não descartou completamente um eventual retorno da Asus ao segmento de smartphones no futuro. No entanto, também não houve qualquer confirmação de que a empresa pretende retomar investimentos em dispositivos Android nos próximos anos.
Na prática, é uma saída do mercado de smartphones. Se decidir voltar, pode fazer isso sem se comprometer com promessas ou falas premonitórias. Voltam se quiser, ou se realmente valer a pena o investimento no setor.
Síndrome de outra morte anunciada

A saída do mercado de celulares reflete a instabilidade da divisão mobile da Asus nos últimos anos, marcada por lançamentos irregulares e baixo impacto comercial. Mesmo com produtos bem avaliados tecnicamente, a marca nunca conseguiu se consolidar entre as principais escolhas dos consumidores.
Considerando o histórico, a Asus nunca conseguiu aproveitar as oportunidades deixadas pela concorrência. Enquanto ainda tinha chance de crescer, a Motorola se recuperou (de forma lenta, porém, muito sustentável e eficiente), e a LG simplesmente desapareceu do mercado de telefonia móvel.
É quase inadmissível que a Asus tenha deixado essas enormes oportunidades passarem em nome de visões equivocadas sobre o mercado global de telefonia móvel. E sua derrocada aconteceu depois que Marcel Campos decidiu sair da empresa, justamente por não concordar com as decisões tomadas pelos executivos da empresa.
Coincidência? Estou duvidando!
O futuro da Asus
Com o fim dos smartphones, a Asus passará a concentrar esforços em segmentos onde já possui forte presença, como PCs, notebooks e componentes de hardware. A empresa também pretende ampliar investimentos em pesquisa e desenvolvimento para novas linhas comerciais.
A inteligência artificial terá papel central na nova estratégia da Asus, incluindo iniciativas em robótica e dispositivos de realidade avançada. De acordo com a companhia, esse segmento cresceu cerca de 100% internamente, fator que ajudou a justificar o abandono definitivo do mercado de smartphones.
E tais medidas nem chegam a ser uma grande surpresa, e não é irônico dizer que a Asus toma as decisões corretas. Por outro lado, a inteligência artificial está, aos poucos, estrangulando ainda mais o mercado de telefonia móvel, com as opções de marcas e produtos ficando restritas a um pequeno grupo de fabricantes.
Enfim… descanse em paz, Zenfone.
Foi bom enquanto durou.
Via NotebookCheck

