
Não passo frio na vida porque, em momentos pontuais, o tempo sempre vem mostrar para todo mundo que estou coberto de razão.
Eu falei sobre isso. Cantei essa bola. Escrevi sobre o assunto e cheguei a gravar vídeos sobre o tema para o canal do TargetHD.net no YouTube. E, aparentemente, o pessoal da Zapping está acompanhando o meu conteúdo com a devida atenção.
Quem acompanha o mercado de televisão por assinatura no Brasil sabe que os últimos anos foram de verdadeiro terremoto. A gente viu operadoras tradicionais perdendo assinantes aos montes, pacotes de canais sendo repensados, e um movimento cada vez mais forte de migração para o streaming.
Pois bem, nesse cenário de transformação, a Zapping, aquela operadora de TV via internet que todo mundo já ouviu falar, mas talvez nem todos conheçam a fundo, resolveu mostrar que não está com medo de brincar e desafiar Claro, Vivo, SKY e derivadas.
A empresa acaba de incluir nada menos que sete novos canais na sua grade, todos eles vindos do gigante Warner Bros. Discovery, e acredite: essa jogada é muito maior do que parece à primeira vista.
Esses canais estavam faltando na programação da operadora, e passam bem longe de ser um movimento pensando apenas e tão somente em encher o line-up com mais opções.
Isso é óbvio, claro. Mas a estratégia por trás dessa atualização revela um amadurecimento da plataforma e um recado claro para os concorrentes: a Zapping quer ser levada a sério como player relevante no mercado de vMVPD brasileiro.
E o mais curioso é que a empresa está conseguindo fazer isso sem alarde, sem grandes campanhas publicitárias, apenas melhorando o que entrega aos seus assinantes.
Vamos destrinchar essa movimentação.
Uma grade que faz sentido, e não apenas números jogados na tela

Se você já assinou TV por assinatura alguma vez na vida, sabe o caos que é tentar encontrar um canal numérico em muitas operadoras. Parece que os canais foram organizados por alguém que jogou os números num dado e viu no que dava.
A Zapping, porém, segue uma lógica mais inteligente: os blocos temáticos são contínuos, organizados por faixas numéricas que realmente conversam entre si. Isso facilita a navegação e melhora a experiência de quem está no sofá, zapeando com o controle na mão.
Na verdade, não é muito diferente do que encontramos em outras operadoras. Mas a tendência é que a Zapping consiga organizar esses canais melhor que a concorrência.
E o motivo é bem simples.
Como essa é uma operadora relativamente nova, a Zapping ainda não sofre da bagunça de canais espalhados pelo line-up, sem qualquer tipo de critério.
Qualquer um que possui um plano da Claro TV sabe muito bem do que estou falando.
Diante deste cenário. Temos aqui a oportunidade perfeita de a Zapping mostrar um diferencial que, para alguns usuários, pode ser relevante. Ter uma perda de tempo menor para encontrar aquilo que você deseja assistir faz parte de uma experiência de uso otimizada e pensada no usuário.
Nessa leva de canais novos, a lógica de organização por blocos temáticos se manteve.
Na faixa entre os canais 80 e 89, por exemplo, tradicionalmente ocupada por conteúdos infantis e de animação, a Zapping colocou o Cartoonito no 86 e o Adult Swim no 89.
É um movimento que, à primeira vista, pode parecer contraditório: colocar um canal pré-escolar e um canal de humor adulto próximos um do outro? Mas quem entende um pouco da dinâmica de grade sabe que isso não é nenhum erro.
Pelo contrário, é uma forma eficiente de agrupar todo o conteúdo de animação, independentemente da faixa etária, e criar uma transição natural entre públicos.
O pai que está vendo algo com o filho mais novo no Cartoonito pode, mais tarde, quando as crianças dormirem, migrar com facilidade para o Adult Swim sem precisar sair da vizinhança numérica.
A turma da TNT chegou inteira, e isso é raro
Chegou a hora de revelar quais são os novos canais que passam a fazer parte da grade de programação da Zapping a partir de agora.
A seguir, a lista de canais adicionados e seus respectivos números:
86 – Cartoonito
89 – Adult Swim
97 – TCM
98 – Space
100 – TNT
101 – TNT Séries
102 – TNT Novelas
Se tem uma coisa que me chamou a atenção nesse anúncio, foi o fato de a Zapping ter adicionado os três canais da marca TNT de uma só vez. Não é sempre que a gente vê isso acontecer.
Geralmente, as operadoras vão incluindo aos poucos, talvez por questões contratuais ou de planejamento interno. Mas aqui, a Zapping colocou o TNT no 100, o TNT Séries no 101 e o TNT Novelas no 102 simultaneamente.
É quase como se a operadora tivesse dito para o seu cliente, apontando o dedo na cara de cada pagante:
“Você quer o pacote Warner completo? Então toma, tudo de uma vez… aproveita!”
O TNT Novelas, especificamente, é um movimento interessante.
Ele chega num momento em que as produções turcas, as famosas dizis, estão ganhando cada vez mais espaço no gosto do público brasileiro. Isso começou com o sucesso estrondoso de novelas como Fatmagul e Mil e Uma Noites em canais abertos, e agora as operadoras de TV paga estão correndo atrás desse filão.
A Zapping, ao incluir esse canal, mostra que está atenta às tendências de consumo de conteúdo e não quer ficar para trás nesse segmento que, convenhamos, ainda está subexplorado no ambiente de TV fechada.
Tecnologia que faz diferença no dia a dia

Aqui, vale um parêntese na pauta principal do artigo.
Um dos maiores problemas da TV paga tradicional sempre foi a falta de flexibilidade.
Você perdeu aquele episódio da série porque chegou tarde em casa? Paciência. A novela começou e você precisou atender o telefone? Azar o seu.
A Zapping, sabiamente, tem investido em funcionalidades que resolvem essas dores antigas. A funcionalidade de Replay, que permite retroceder a programação em até 48 horas, é um alívio para quem tem uma rotina corrida.
E olha, a vida corrida é a realidade da maioria dos brasileiros.
Por outro lado, vale a pena registrar também que a operadora não está reinventando a roda com esse recurso. As demais plataformas de IPTV (App Claro TV+, Box Claro TV+, Vivo Play, SKY+, TIM Play…) também contam com suas respectivas interpretações do recurso de replay TV.
A funcionalidade é muito mais fruto da tecnologia e sua natureza de funcionamento do que necessariamente uma inovação de uma operadora específica.
Já a escolha do codec HEVC, também conhecido como H.265, é outro acerto técnico. Menos consumo de banda significa uma experiência mais fluida em conexões de internet que não são lá essas maravilhas, o que é comum em muitas regiões do país.
A Zapping parece entender que a tecnologia precisa servir ao usuário, e não o contrário. Não adianta ter uma superplataforma com milhões de recursos se a base de assinantes não tem infraestrutura para aproveitar isso.
O jogo de concorrência no mercado de vMVPD
É impossível falar desse movimento sem olhar para os concorrentes.
Serviços como Claro tv+, Sky+ e TIM Play estão todos disputando o mesmo pedaço do bolo: o consumidor que quer conteúdo de qualidade, mas não quer ficar refém de antenas e fidelizações que parecem mais uma prisão do que uma relação de consumo.
A Zapping, ao incluir esses canais de peso da Warner, que incluem desde o cinéfilo TCM até o pulsante Space, passando pelo popular TNT, está dando um argumento de venda poderoso.
O que me parece mais relevante, porém, é que a empresa fez isso sem repassar custos imediatos para o assinante. Eles estão incluídos nos pacotes que já existem.
Isso é uma mensagem forte (pelo menos por enquanto, já que o discurso pode mudar no futuro):
“Estamos melhorando o nosso serviço, e você não vai pagar mais por isso”
Num mercado onde cada real conta, essa postura tende a ser bem recebida.
Um mercado que não para, e a Zapping quer estar na frente

A verdade é que o mercado de distribuição de conteúdo via internet no Brasil está longe de estar resolvido.
A gente vê fusões, aquisições, lançamentos de serviços e, infelizmente, também o fechamento de algumas plataformas. A Zapping, pelo visto, está apostando na consolidação: construir uma base sólida de canais, com tecnologia de ponta e experiência aprimorada para o usuário.
Essa adição dos sete canais da Warner Bros. Discovery não é um fim em si mesma, mas um passo dentro de uma estratégia maior.
A empresa já havia trazido o portfólio Discovery em maio de 2024, e agora está completando a trinca com o conteúdo de entretenimento, cinema e animação do mesmo grupo. A ideia parece ser ter a família Warner completa dentro da casa do assinante.
Do ponto de vista comercial, é uma jogada que é, no mínimo, algo interessante: o assinante passa a ver a Zapping como o lugar onde ele encontra tudo o que quer ver, sem precisar recorrer a múltiplos aplicativos.
Especulação que vale a pena registrar
Embora não haja confirmação oficial sobre novos planos além dessa atualização, não seria nenhum absurdo imaginar que a Zapping pode estar de olho em outros grupos de mídia para futuras expansões.
A Braskem, digo, a concorrência, está aí, e o mercado de conteúdo nunca para. A Zapping, ao que tudo indica, está pavimentando o caminho para ser a principal alternativa aos grandes conglomerados de telecomunicações que dominam o setor de TV paga no país.
Também fica no ar a dúvida sobre se a empresa vai conseguir manter esse ritmo de adição de canais sem precisar reajustar os preços no futuro.
Por enquanto, a promessa é de que não há aumento previsto para os pacotes que já contemplam essas faixas. Mas, como todo negócio, a conta precisa fechar em algum momento.
Torcemos para que a Zapping encontre um equilíbrio saudável.
A evolução do consumidor de TV
O brasileiro mudou sua forma de consumir televisão. Hoje em dia, a gente quer escolher o que assistir, quando assistir e onde assistir.
A Zapping parece ter entendido isso ao criar um serviço que roda em Smart TVs, celulares, computadores e dispositivos de streaming, e ainda permite que o usuário volte no tempo para ver o que perdeu.
A inclusão de canais lineares de qualidade, com uma curadoria de conteúdo que vai desde a primeira infância até o cinéfilo de plantão, mostra que a empresa quer atender a todos os membros da casa.
E aí, qual canal novo você vai dar uma chance hoje?
O espaço continua aberto, e o controle, como sempre, está na sua mão.
Via: Além da Tela
