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A TV linear está morrendo ou se transformando?

A volta do Disney Channel como canal linear para mercados europeus selecionados acende uma pequena chama de esperança nos brasileiros.

Ter todo o conteúdo no Disney+ deixa inacessível vários filmes e séries de grande interesse do público.

E por mais que a TV por assinatura esteja em seu claro movimento de desaparecimento, sempre é possível pensar no refúgio dos canais FAST.

Afinal de contas, estamos mais do que acostumados a ver comerciais nos programas que assistimos por décadas…

…desde que não cobrem absolutamente nada a mais por isso, obviamente.

Então… será que estamos diante de um momento de transformação da própria TV linear?

 

“Eu escolho” vs “nós escolhemos por você”

A Disney respalda sua decisão de retornar com os canais lineares em mercados selecionados como “o próximo passo lógico” dentro de uma estratégia bem definida.

De acordo com Eun-Ku Park, executiva da Disney na Alemanha, a oferta do Disney Chanel na TV aberta (via satélite e TV a cabo) e no streaming do Disney+ é uma forma de oferecer ao público uma opção adicional para consumir o conteúdo oferecido.

Dessa forma, o usuário pode escolher entre a experiência personalizada que os conteúdos em modo on demand oferecem, ou simplesmente o consumo passivo dos canais tradicionais oferecem há décadas.

Sem falar na ideia de “visualização compartilhada”, que apenas os canais lineares podem oferecer ao grande grupo de espectadores.

Neste caso, a curadoria do Disney Channel seleciona os conteúdos, como forma de “amostra grátis” para o Disney+.

O que é excelente, tanto para quem paga como para quem não quer colocar a mão no bolso.

 

Morte ou transformação?

A mudança que a Disney (e outros grupos e/ou plataformas, já que a Netflix também começou a lançar canais lineares ao redor do mundo) está promovendo pode ter impacto global.

Canais lineares contam com uma curadoria que pode agregar um valor enorme ao conteúdo exibido.

Tem muitas pessoas que não aguentam mais lidar com a pressão e a fadiga de catálogos infinitos, com vários minutos perdidos para decidir o que vai ver.

Ter um canal de TV que “escolhe por você” se alinha de forma direta com o conforto e a praticidade que esses públicos já procuram no streaming.

Aparentemente, perdemos esses elementos quando somos obrigados a passar por páginas e páginas de filmes e séries que não assistimos (ainda).

Se o modelo de negócio funcionar na Europa, o mais provável é que o Disney Channel (e alguns dos canais extintos em 2025) retornem gradativamente, mas com um novo formato.

Pode até ser que National Geographic e FX retornem para a TV por assinatura. Mas o mais provável é que virem mesmo canais FAST para arrecadar com a publicidade.

Mais do que isso: para não terem que dividir o bolo com as operadoras, além de aumentarem o tempo de retenção em suas plataformas.

Não estou fazendo nenhuma previsão neste momento. Estou apenas analisando o cenário de momento.

Obviamente, tudo pode mudar no futuro. E, de verdade, torço para que o Disney Channel volte.

A TV como um todo está se reinventando. Se transformando em algo que será o híbrido do que ela sempre foi com as novas soluções de distribuição de conteúdo.

Em nome de sua própria sobrevivência, ela precisa mudar para ser mais interessante do que é neste momento.

E é bom pensar que existe uma solução para a mesmice da TV neste exato momento.

Faz tempo que estou dizendo que o FAST é o futuro…

 

Via Além da Tela